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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 281

Adrian

Eu observava Vanessa dar banho em Axel pela primeira vez. O berreiro do menino era tão alto que parecia que estavam matando o filhote. Meu coração apertava a cada choro, e eu me perguntava, pela décima vez, se ela realmente não estava afogando o pequeno na banheira.Vanessa, porém, parecia tranquila. Seus movimentos eram firmes, cuidadosos, mesmo com o cansaço evidente em seu rosto ainda pálido. O cabelo preso de qualquer jeito, a respiração um pouco mais pesada… Ela ainda estava fraca, mas insistia em fazer tudo sozinha.Assim que ela o tirou da água e o enrolou na toalha, colocando-o no colo, Axel se calou como em um passe de mágica.Franzi a testa.

— Como vou ajudar desse jeito? Ele só se acalma com você. — falo, indignado.

Ela sorriu, cansada, mas doce.

— Ele vai se acostumar com você logo, amor. Tenha paciência. Toma, ele está caladinho. Troca ele.

Peguei o pequeno com cuidado. Ainda parecia surreal segurar aquele lobinho tão pequeno e, ao mesmo tempo, tão importante. Eu já tinha separado a roupinha e o kit de higiene, determinado a provar que eu também era capaz.

Mas, assim que Vanessa o deixou deitado no trocador, o filhote fez um xixi que voou direto na altura do meu peito.

Fiquei imóvel.

Derrotado.

Lentamente, virei a cabeça para Vanessa.

Ela prendeu o lábio inferior entre os dentes, tentando conter o riso. Os ombros tremiam.

— Se contar isso para alguém, a gente divorcia, companheira.

Ela não conseguiu mais segurar. Abriu um sorriso escancarado, segurando a parte inferior da barriga ainda sensível pela recuperação.

— Vou precisar filmar e mandar para Aquiles… como você fez quando ele desmaiou quando soube dos trigêmeos.

Soltei um suspiro resignado, limpando a camisa.

— Isso foi um momento histórico. - Me defendo.

— Esse também é — ela respondeu, divertida.

Por alguns segundos, o quarto foi preenchido apenas pelo som suave de Axel e pela leveza daquele momento. Mas, aos poucos, percebi o sorriso de Vanessa diminuir.

A alegria esmaeceu.

— Será que eu já posso falar com a Liliane? — ela perguntou, mais baixa.

Eu me aproximei, tocando seu ombro.

— Aquiles e Liliane estão muito bem assistidos. Minha mãe, Ania, e os curandeiros estão todos a postos para ajudar. No momento, você precisa cuidar de você… e do Axel.

Ela assentiu, embora a preocupação ainda estivesse em seus olhos.

— Tudo bem… mas me avise quando os filhotes deles nascerem. Vou começar a rezar por eles.

Meu peito apertou com sua doçura.

Inclinei-me e beijei sua testa.

— Eu não me canso de você, sabia? Sua doçura me encanta todos os dias.

Ela sorriu, tímida.

Eu teria abraçado minha fêmea, mas Axel começou a resmungar, abrindo a boca em busca de alimento.

Soltei um riso baixo.

— Acho que alguém discorda de você, tão próximo a mim, será que lobos são possessivos desde nascimento?

Vanessa o pegou com cuidado, e o pequeno imediatamente se aninhou nela.

Observei os dois por um momento, sentindo algo novo. Medo além de responsabilidade… amor.

Eu ainda não sabia se seria um bom pai.

Mas, olhando para minha família, tive certeza de uma coisa:

Eu aprenderia.

Porque agora, eles eram tudo para mim.

Artemísia

O olhar ferido de Aquiles me machucava, mas ainda assim eu não podia deixar que ele, em um ato de desespero, provocasse algo que nunca poderia ser remediado. Liliane é uma ômega dourada. Ela vai aguentar o parto. Eu sinto isso.

E mesmo que não aguente… a alma dela é pura e doce. Ela nunca vai nos perdoar por arrancarem seus três filhotes.

Eu a trouxe para o meu hospital em Garras de Gelo, equipado com os melhores recursos de cura que já vi para minhas fêmeas. Felipe tinha pego Liliane e a carregava no colo, contra a vontade de Aquiles.

Logo atrás vinha a família inteira, mas ficaram na recepção. Eu seguia na frente para mostrar o quarto que seria dela. Todos os enfermeiros e técnicos estavam espantados; a primeira paciente do hospital havia chegado sem aviso algum.

— Andem com isso! Quero ela estabilizada para ontem. Cadê a médica? — falei.

Todos ao meu redor imediatamente encontraram alguma ocupação.

— Claro, Luna.

— Vou pedir que um de vocês se retire. Apenas um acompanhante, por gentileza.

Liliane segurou minha mão. Ao menos ela não me odiava completamente naquele momento.

Quando Artemísia saiu, Jamile começou a preparar os equipamentos.

— Pelo que vejo são trigêmeos. Vou fazer uma transvaginal para analisar com mais precisão como estão os bebês e o quanto seu útero aguenta — disse, sorrindo para Liliane. — É indolor, você não vai sentir nada. Além disso, a imagem é em 4D. Quase uma foto. Você já viu o rostinho deles assim?

— Não… — a voz da minha fêmea embargou. Lágrimas se formaram no canto dos seus olhos.- Aprimeira vez que viamos nossos filhos existirem.

— Ei. Lembre-se: você é uma ômega dourada. Vocês são fortes. Seus filhotes também. Logo estarão nos seus braços.

Ela falava enquanto segurava a mão livre de Liliane, e isso fez meu lobo se acalmar por um instante.

— Olha lá… três lindas lobinhas. Elas estão muito saudáveis — disse Jamile, com a voz empolgada, apontando para a tela.

Liliane soltou uma risada baixa em meio ao caos.

— Ah… acho que achei o seu problema — murmurou a médica, aproximando o rosto da tela e franzindo a testa. — Olha ele aqui.

Por um segundo, meu corpo gelou.

Hemorragia. Ruptura. Algo que não tivesse sido visto antes.

Mas então ela posicionou o aparelho e, em outro círculo escuro, surgiu um pequeno rosto em 4D.

Meu coração disparou.

Meu lobo uivou.

Uma tontura me atingiu com força.

— Esse é macho. Machos tendem a roubar mais energia da mãe — explicou a médica, ainda concentrada na tela.

Pisquei algumas vezes, tentando assimilar o que via.

— Alfa? O senhor está bem?

Eu a ouvia ao fundo, mas já estava preso na própria respiração, lutando contra uma crise de pânico que se formava no peito.

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