Liliane
O alívio me percorreu ao ouvir a voz de Artemísia do outro lado do banheiro. Nesses últimos meses, o que me consolava era saber que, independente da minha vida ou morte, eu estaria dando à luz três lindos filhotinhos saudáveis. Mesmo que eu morresse, eles ficariam. Seriam o meu legado.
Eu estava pronta para isso.
Eles não podem. Não têm o direito de me negar isso.
Eu entendo Aquiles. Eu sinto a dor dele. Mas, neste momento, os meus filhotes são minha prioridade.
Ao chegar ao hospital e ver Jamile tranquila, me informando que tudo daria certo, tive certeza de que estava tomando a decisão certa. Um pouco do peso que carregava nos ombros diminuiu.
Minha loba já nem falava mais comigo. Toda a energia dela se concentrava na minha barriga, tentando consertar os estragos feitos pelos filhotes.
Na maca, enquanto me preparavam para o exame, observei atentamente Aquiles. Seus olhos fundos, o semblante cansado, a mão segurando a minha, sempre disposto a me amparar. Mesmo sofrendo, ele continuava ali.
Por mim.
— Três lobinhas saudáveis...
A médica falou, e meu coração disparou. Um calor percorreu meu peito.
Era isso.
Era por elas que eu estava lutando.
Mas o silêncio que veio em seguida me fez franzir a testa.
A médica continuava observando a tela, concentrada demais.
Meu estômago se revirou.
Outro problema?
Que novidade...
Todo dia parecia surgir algo novo. Eu já me sentia pior do que uma loba de oitenta anos.
Ainda bem que estava deitada, porque senti o chão sumir sob meus pés.
— Espera... — a médica murmurou.
Meu coração acelerou.
— Um... lobinho?- Será que ouvi direito?
Meu peito travou.
Quatro?
— Alfa? O senhor está bem? — a médica perguntou de repente.
Virei o rosto rapidamente.
Aquiles estava pálido.
Muito pálido.
— Aquiles? — chamei.
Mas foi tarde.
Ele despencou.
— Artemísia, acode aqui! — gritei.
Artemísia entrou com as garras de fora e os dentes à mostra, pronta para a guerra, apenas para ver Aquiles caído no chão.
Jamile me olhou espantada. Apoiei o peso nos cotovelos para observar enquanto Artemísia o levantava e o ajudava a sentar na cadeira próxima à parede.
— O que houve?
Ela parecia tão assustada quanto uma garotinha, e não pude deixar de sorrir.
Esses dois... mesmo tentando se matar, viviam preocupados um com o outro.
Meu coração ainda batia acelerado.
Quatro.
Quatro filhotes.
— Eu tenho mais um filhote… — falei, ainda tentando processar. — São quatro, Temi.
Artemísia levantou as sobrancelhas, surpresa. Depois sua expressão suavizou.
— Liliane… pela deusa…
Eu levei a mão à barriga.
Quatro.
O medo veio como uma onda.
Po isso meu corpo estava tão fraco, quatro lobos reais.
Quatro parecia impossível.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...