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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 285

Liliane

Senti os pequenos adesivos sendo colados em minha pele, conectando-me às máquinas ao meu lado. O calor envolvia meu corpo, enquanto o som ritmado dos batimentos ecoava em meus ouvidos.

Percebi o carinho em minha cabeça antes mesmo de abrir os olhos.

— Posso até me acostumar a dormir assim…

Quando abri os olhos, encontrei o olhar de Aquiles sobre mim. Intenso e preocupado.

— Estarei sempre à sua disposição, companheira.

Tentei sorrir, mas o cansaço pesava sobre mim como uma rocha.

— Aquiles… prometa uma coisa.

Ele se inclinou um pouco mais, atento.

— O que quiser.

Respirei fundo, reunindo forças.

— Prometa que vai segurar nossos filhotes assim… que vai fazê-los se sentir protegidos… amados… como você faz comigo.

Vi seus olhos brilharem, e logo as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto.

— Você mesma fará isso, meu amor.

Engoli com dificuldade. O ar parecia mais pesado.

— Prometa… por favor.

Aquiles aquiesceu lentamente.

— Eu prometo. Eles nunca vão duvidar do quanto são amados. Serão os filhotes mais protegidos deste reino.

Um pequeno riso escapou dos meus lábios.

— Obrigada…

Me aninhei contra ele, como uma filhote buscando abrigo. O calor do seu corpo me envolveu, trazendo um conforto silencioso.

Selene… cuide dos meus filhotes… cuide do meu companheiro…

A escuridão voltou a me puxar.

***Aquiles

O som da máquina mudou.

Um bip contínuo preencheu o ambiente.

Olhei para o monitor.

Uma linha reta.

O coração da minha companheira havia parado.

Meu rugido ecoou pela sala, chamando todos ao redor. Em poucos segundos, médicos e enfermeiros tomaram o espaço. Afastei-me apenas o suficiente para colocarem Liliane na maca.

Ania começou a falar em sua língua antiga. Suas mãos brilharam com uma luz dourada intensa, mais forte do que qualquer coisa que eu já havia visto. A energia fluía dela diretamente para Liliane.

A médica gritava ordens, enquanto a maca era empurrada rapidamente para fora da sala.

Eu segui atrás.

Até bloquearem minha entrada.

Fiquei parado diante da porta fechada, sentindo-me completamente impotente.

Minha família estava ao meu redor, mas, ainda assim, nunca me senti tão sozinho.

Encostei-me na parede do hospital. Minhas pernas cederam e deslizei até o chão. Meu peito parecia estar sendo esmagado.

Duas horas passaram lentamente, cada segundo mais cruel que o anterior.

Então, a porta se abriu.

Uma incubadora saiu apressada.

Dentro dela, um filhote.

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