Lucila
— Pode falar.
— Na minha casa.
semicerrei o olhar.
— Certo.
Ambos sabíamos onde aquela conversa iria dar. Companheiros que não se viam há tanto tempo, com lobos como diabinhos sussurrando em nossos ouvidos.
Ele abriu a porta da casa. Entrei, e ficamos na sala, nos encarando por um tempo. Ele parecia estudar cada mudança em mim ao longo daquele ano. Já eu via o mesmo lobo forte, impressionante… o mesmo em quem me esfreguei uma vez; e fui chutada para longe da minha alcateia.
Tirei minhas sandálias e me sentei no sofá, dobrando as pernas sob o corpo.
— Sobre o que quer conversar Gustavo?
Perguntei, por fim. Na verdade, eu já tinha tentado de tudo: cartas, e-mails, pedidos aos meus pais, à Artemísia e até ao conselho sobrenatural para que o obrigassem a me rejeitar. Nada adiantou.
A cada recusa, eu me deitava com outro lobo, movida pela raiva. Mas nunca mais senti aquela dor. Ou ele não se deitou com ninguém… ou encontrou um jeito de me poupar disso.
— Falta pouco tempo para você completar dezoito anos.
— É, eu sei.
Observei quando ele fechou os olhos e inspirou fundo, como se estivesse se preparando para enfrentar algo… ou reunindo coragem.
Meu treinamento me ensinou a ler cada gesto. Agora, ele não passava despercebido como antes. Ele sentou no sofá em frente.
— Você termina seus estudos quando?- ele apoiou o cotovelo no apoio do sofá e segurou seu rosto com a mão.
— Já terminei. Trabalho. Sou uma guerreira formada e continuo me aperfeiçoando.
Os olhos dele cintilaram. Um sorriso surgiu, como se aquela informação fosse exatamente o que ele precisava. Ele levantou e veio para perto, tão perto que invadiu meu espaço pessoal.
A mão esquerda dele tocou levemente meu queixo, me forçando a encarar seus olhos azuis intensos.
— Quando você volta?
Afastei o rosto de sua mão e baixei o olhar, como convinha diante de um Alfa.
— Não volto.
— Como não volta? — sua voz ficou firme.
— Já tenho casa, emprego… estou estabelecida. Posso vir em datas importantes, mas não é meu foco voltar, Gustavo.
O olhar dele ficou glacial, a mandíbula rígida.
Tentei me levantar… tentei. As mãos dele me seguraram no lugar. Então relaxei. Eu não o enfrentaria ali. Naquele território, eu seria apenas a “figurante obediente”.
A proximidade fez o que sempre faz com companheiros ligados pelo destino. O ar mudou. O cheiro de excitação tomou conta.
Ele suspirou.
— Porra… eu senti cada vez que você esteve com outro. E você vem com essa agora?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...