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Laçando o supremo que me traiu. romance Capítulo 283

Aquiles

— Liliane! — chamei novamente, vendo-a se contorcer de dor.

— Anda, fada! — Jamile gritou.

Enquanto a examinava, apalpando sua barriga, Ania se posicionou junto à cabeça de Liliane, colocando uma palma de cada lado. Uma luz suave emanava de suas mãos.

— Afastem-se — Jamile ordenou, conectando alguns aparelhos ao tórax de Liliane.

Minha mãe me abraçou e me puxou para o canto da parede. Deixei-me levar para não atrapalhar a médica, que se movia sem parar. Agora, enfermeiros a auxiliavam, enquanto eu observava Jamile injetar um medicamento no soro.

deusa, faça funcionar… faça funcionar, por favor. Não a leve de mim.

Comecei a pedir em minha mente, sentindo-me inútil.

Liliane parou de se contorcer. Uma fina camada de suor colava seus cabelos à testa, e sua respiração estava entrecortada.

A médica trocou o aparelho e iniciou um ultrassom completo do abdômen, analisando tudo minuciosamente. Prendi a respiração involuntariamente. Meu coração pareceu errar uma batida enquanto aguardava

Liliane abriu os olhos lentamente.

Jamile se aproximou dela.

— Oi, garota dourada… quer me matar do coração assim, logo no nosso primeiro encontro?- Jamile falou com um tom leve.

Liliane tentou rir, mas a vi engolir em dificuldade.

Ania continuava concentrada, e percebi uma troca silenciosa de olhares entre ela e a médica.

— Duas das fêmeas acabaram de se posicionar para um parto normal. Eu não acho que isso será possível, então vou deixar a sala de cirurgia preparada.

A boa notícia é que há uma pequena hemorragia, mas a fada já está ajudando sua loba a se curar. Nada muito alarmante.- voltei a respirar normalmente.

- A notícia ruim é que provavelmente os outros dois também vão virar… e pode ser bem dolorido novamente. Só que, dessa vez, você já vai conhecer a sensação, não vai se assustar tanto.

Ela falava com Liliane em um tom quase materno.

Aproximei-me novamente da minha fêmea. Pegando sua mão com cuidado.

— Vou providenciar algumas coisas. Quero deixar tudo pronto para uma emergência. Tire sua camisa e a dela. O contato pele a pele vai intensificar a troca de energia.

— Certo.

— Ei! E eu? — Ania perguntou.

— Quando Aquiles a colocar no colo, direcione suas mãozinhas mágicas para a barriga dela, de preferência na altura do quadril — Jamile explicou, levantando a mão e mexendo os dedos de forma brincalhona.

Depois, olhou o relógio.

— Pelo menos umas duas horas.- Ania concordou.

Assenti novamente.

Eu faria qualquer coisa.

Qualquer coisa para não perdê-la.

***Jamile

Saí do quarto com passos rápidos. A situação estava sob controle… por enquanto. Mas eu não gostava de confiar na sorte.

— Preciso desses remédios separados e de fácil acesso no quarto da Luna — pedi à enfermeira.

O pediatra chegou.

Logo atrás dele, senti um cheiro irresistível, fresco, mentolado. Minha loba se ouriçou imediatamente. Fechei o maxilar com tanta força que meus ouvidos estalaram. Meu coração acelerou.

Não...instantaneamente comecei a resistir.

Engoli em seco, eu sabia o que devia fazer.

Mas minha loba arranhava meu peito, recusando-se a aceitar.

O macho alto, forte, todo músculos, caminhou até mim.

— Companheira…

Um sorriso ameaçava surgir em seus lábios, e seu olhar parecia querer me despir ali, na frente de todos.

— Como é o seu nome? — perguntei, me esforçando para pensar sem a influência do vínculo.

— Aurin.

Respirei fundo.

— Eu… Jamile, de Garras de Gelo…Te rejeito Aurin.

A dor no meu peito foi exatamente como disseram.

Minha loba chora e briga pelo seu companheiro.

Como se alguém tivesse enfiado a mão dentro do meu peito…

e arrancado meu coração.

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