Aquiles
— Liliane! — chamei novamente, vendo-a se contorcer de dor.
— Anda, fada! — Jamile gritou.
Enquanto a examinava, apalpando sua barriga, Ania se posicionou junto à cabeça de Liliane, colocando uma palma de cada lado. Uma luz suave emanava de suas mãos.
— Afastem-se — Jamile ordenou, conectando alguns aparelhos ao tórax de Liliane.
Minha mãe me abraçou e me puxou para o canto da parede. Deixei-me levar para não atrapalhar a médica, que se movia sem parar. Agora, enfermeiros a auxiliavam, enquanto eu observava Jamile injetar um medicamento no soro.
deusa, faça funcionar… faça funcionar, por favor. Não a leve de mim.
Comecei a pedir em minha mente, sentindo-me inútil.
Liliane parou de se contorcer. Uma fina camada de suor colava seus cabelos à testa, e sua respiração estava entrecortada.
A médica trocou o aparelho e iniciou um ultrassom completo do abdômen, analisando tudo minuciosamente. Prendi a respiração involuntariamente. Meu coração pareceu errar uma batida enquanto aguardava
Liliane abriu os olhos lentamente.
Jamile se aproximou dela.
— Oi, garota dourada… quer me matar do coração assim, logo no nosso primeiro encontro?- Jamile falou com um tom leve.
Liliane tentou rir, mas a vi engolir em dificuldade.
Ania continuava concentrada, e percebi uma troca silenciosa de olhares entre ela e a médica.
— Duas das fêmeas acabaram de se posicionar para um parto normal. Eu não acho que isso será possível, então vou deixar a sala de cirurgia preparada.
A boa notícia é que há uma pequena hemorragia, mas a fada já está ajudando sua loba a se curar. Nada muito alarmante.- voltei a respirar normalmente.
- A notícia ruim é que provavelmente os outros dois também vão virar… e pode ser bem dolorido novamente. Só que, dessa vez, você já vai conhecer a sensação, não vai se assustar tanto.
Ela falava com Liliane em um tom quase materno.
Aproximei-me novamente da minha fêmea. Pegando sua mão com cuidado.
— Vou providenciar algumas coisas. Quero deixar tudo pronto para uma emergência. Tire sua camisa e a dela. O contato pele a pele vai intensificar a troca de energia.
— Certo.
— Ei! E eu? — Ania perguntou.
— Quando Aquiles a colocar no colo, direcione suas mãozinhas mágicas para a barriga dela, de preferência na altura do quadril — Jamile explicou, levantando a mão e mexendo os dedos de forma brincalhona.
Depois, olhou o relógio.
— Pelo menos umas duas horas.- Ania concordou.
Assenti novamente.
Eu faria qualquer coisa.
Qualquer coisa para não perdê-la.
***Jamile
Saí do quarto com passos rápidos. A situação estava sob controle… por enquanto. Mas eu não gostava de confiar na sorte.
— Preciso desses remédios separados e de fácil acesso no quarto da Luna — pedi à enfermeira.
O pediatra chegou.
Logo atrás dele, senti um cheiro irresistível, fresco, mentolado. Minha loba se ouriçou imediatamente. Fechei o maxilar com tanta força que meus ouvidos estalaram. Meu coração acelerou.
Não...instantaneamente comecei a resistir.
Engoli em seco, eu sabia o que devia fazer.
Mas minha loba arranhava meu peito, recusando-se a aceitar.
O macho alto, forte, todo músculos, caminhou até mim.
— Companheira…
Um sorriso ameaçava surgir em seus lábios, e seu olhar parecia querer me despir ali, na frente de todos.
— Como é o seu nome? — perguntei, me esforçando para pensar sem a influência do vínculo.
— Aurin.
Respirei fundo.
— Eu… Jamile, de Garras de Gelo…Te rejeito Aurin.
A dor no meu peito foi exatamente como disseram.
Minha loba chora e briga pelo seu companheiro.
Como se alguém tivesse enfiado a mão dentro do meu peito…
e arrancado meu coração.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...