Adrian
Seguro Axel contra o peito, sentindo sua respiração ir se acalmando até finalmente adormecer. Encosto meu nariz em sua cabecinha e inspiro de leve. Quem o vê tão quietinho agora nem imagina o berreiro sem fim de dez minutos atrás por causa da troca de fraldas. Desta vez, consegui vencer… e colocá-lo sozinho.
Caminho devagar até o berço e o deito com cuidado, ajeitando a mantinha sobre ele. Não consigo parar de observar seu rostinho pequeno, sereno.
Pego a toalha e sigo para o banheiro, para ajudar minha fêmea.
— Sai daqui, Adrian. Não quero que me veja assim… parece que ainda tem um bebê dentro da minha barriga. Só que agora está tudo… mole.
Ela está claramente incomodada. Já perdi as contas de quantas vezes disse que, para mim, ela é linda de qualquer jeito. Mesmo assim, não sei mais o que fazer para convencê-la.
— Querida… se isso te faz feliz, posso pagar o melhor cirurgião plástico do território humano para deixar sua barriga como antes. Mas eu e meu lobo amamos ver você assim, com as marcas de carregar nosso filhote. Nós amamos você do jeito que está agora.
Faço uma pausa leve, um meio sorriso surgindo no canto dos lábios.
— Na verdade… ele até imagina você assim de novo.
Cruzo os braços em volta da própria barriga e balanço o corpo de leve, como se ali houvesse outra vida crescendo. Faço um biquinho divertido, fingindo o peso de uma nova gravidez, só para provocá-la — como se dissesse, em silêncio, que meu sonho ainda não terminou.
— Adrian, tira seu lobo da chuva. Diz para ele se conformar com o Axel.
Suspiro, rendido.
— Como quiser, minha companheira… mas um lobo ainda pode sonhar, não pode?
Continuo com a encenação até ela rir.
— Ridículo. Se me engravidar de novo, eu te deixo cuidar dos dois sozinho.
Ela revira os olhos.
O que, sinceramente, não ajudou em nada minha autoestima de lobo.
— Adrian, já recebeu notícias de Liliane?
Suspiro. Não queria mentir, mas também não queria preocupá-la no resguardo.
— Ela está estável. Pelo que minha mãe disse, a nova médica é mais humana e a deixa mais à vontade. Deixaram as fêmeas entrarem para ajudar nos cuidados, e Aquiles pôde segurá-la para trocar energia. Vai ficar tudo bem.
— Que bom… será que Ania pode abrir um vórtice para eu visitá-la?
— Gladis disse que só com quarenta dias. Melhor não arriscar sua recuperação — minto, suavizando a verdade.
— Está bem.
Ela responde, um pouco desanimada.
— Não se preocupe… encontraram mais um filhote. Não faltarão oportunidades para ajudá-la quando todos nascerem.
— Sério? Quatro… uau.
***Aurin
Não sei o que doía mais: o vínculo por um fio no meu peito… ou a humilhação de ser rejeitado publicamente.
Na frente dos meus pais, que me olhavam boquiabertos, sem saber o que dizer.
Na frente dos meus amigos, que me observavam com um vinco na testa, como se eu tivesse feito algo errado.
Na frente dos outros funcionários que passavam e cochichavam entre si.
E sei que amanhã todos saberão... com detalhes.
Ela ainda estava curvada pela dor da rejeição, respirando com dificuldade. Mesmo assim, quando ergueu o rosto, seus olhos faiscaram em minha direção. Sua loba não concordava com aquilo. Eu sentia. A energia dela tocava a minha, hesitante, como se tentasse desfazer o que sua humana havia feito.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laçando o supremo que me traiu.
A história é fascinante, parabéns ao autor(a). Ela nos vicia a querer saber mais....
Olá, gostaria de saber se já lançou mais algum capítulo além desses que estão aqui. E quando irão lançar?...