Caroline Hart
A estrada estava molhada e silenciosa. O céu, coberto por nuvens espessas, parecia o prenúncio de algo grande. Eu segurava firme o casaco sobre o colo, tentando ignorar a ansiedade que apertava o estômago.
Damon dirigia com os olhos fixos na estrada, a mandíbula travada. Sabia que ele estava tenso, mas não dizia nada. Nem precisava. Eu podia sentir.
“O chalé é isolado?”, perguntei, tentando quebrar o silêncio sufocante.
“Sim. Richard mandou construir especialmente para me manter longe de tudo... e de todos. Só o enfermeiro tem acesso direto. O resto é vigiado por fora.”
“Ela sabe que estamos indo?”
“Não. E Ava também não. Se ela souber agora, vai tentar impedir.”
Engoli em seco.
“Você tem certeza que devemos trazê-la?”
“Ela está em risco. E… ela pode ter algo que ajude a derrubar Richard. Não é só pela Ava. É por tudo isso.”
Assenti.
O carro entrou por uma trilha estreita e escondida entre árvores antigas. O portão que dava acesso ao chalé estava vigiado, como Damon tinha dito. Em poucos minutos, ele neutralizou os dois guardas com uma precisão que me arrepiou. Silencioso. Calculado.
“Você fica no carro”, ele disse.
“Nem pensar.”
Ele olhou para mim, sério.
“Você precisa ficar fora de vista, Caroline. Você é reconhecível. Está em tudo que é manchete.”
Suspirei, vencida, mas alertei:
“Não demore.”
Foram longos minutos até ele voltar, carregando uma mulher envolta por mantas. Pálida. Os olhos fundos. Os traços frágeis. Mas havia uma lucidez inquietante no olhar dela. Ela me reconheceu de imediato.
“Você é… a irmã da Ava”, murmurou.
“Sou.”
Ela assentiu, como se já esperasse por mim há muito tempo. Ajeitei a manta sobre ela enquanto Damon acelerava pela estrada de volta.
“Ava está bem?”, perguntou com a voz fraca.
“Está. Mas… precisamos tirá-la de lá também. Em breve.”
A mulher respirou fundo. Tossiu. Seus dedos se fecharam sobre os meus.
“Eu guardei tudo. Mesmo sabendo que um dia isso podia me custar a vida.”
“Você tem provas contra ele?”
“Tenho. Mas antes de entregar qualquer coisa… preciso garantir que Ava não será usada contra mim.”
“Ela não será”, garantiu Damon, firme.
Ela assentiu. Depois de um tempo, disse:
“Vocês não sabem, mas… eu sou humana.”

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