Entrar Via

Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 92

Damon Thorn

A floresta estava fria como de costume. Terra molhada, sangue seco, galhos partidos sob minhas patas. Me movia entre as árvores como uma sombra, sentindo cada gota de dor latejar na pele. Ser lobo era esquecer os limites do corpo. Era ser só instinto, só fúria.

A dor do corte no flanco já não me importava. O que doía de verdade era o vazio onde devia estar Hart. Meu lobo uivava por ela — não um uivo de guerra, mas um pedido, um chamado que doía na alma. Eu a queria de volta.

Nunca ansiei tanto por algo.

O cheiro dela vinha e sumia no vento, misturado ao medo, ao suor, ao perfume de poder. O governador. Maldito seja ele.

Só de imaginar que meu filhote carregaria o sangue daquele homem em suas veias, me dava asco. Eu não sabia se ela estava viva, ferida, ou se já tinham levado meu mundo de mim. Era uma tortura lenta, e cada batida do meu coração era como um golpe de faca.

Eu corria o mais rápido que conseguia, garras rasgando o chão, pulmões queimando. Cruzei o riacho, a água fria batendo no peito.

Foi ali, de repente, que tudo parou. O reflexo na água me mostrou — não a minha forma de fera, mas o rosto de Hart, cansada, mas viva. Os olhos dela brilhavam como a lua cheia. Um sussurro atravessou a brisa.

Aguenta. Eu estou vindo.

Por um segundo, senti a presença da Deusa da Lua. Uma força que não era minha, um calor no peito, uma certeza de que eu não estava sozinho.

A clareira ao meu redor pareceu se silenciar. Meu coração desacelerou por um instante, e senti como se uma mão invisível me guiasse.

Levantei o focinho, respirando fundo. Eu ia salvá-la, nem que precisasse virar homem outra vez, engolir o orgulho, pedir favores ao mundo que eu desprezava.

Lutei contra a vontade de ficar só na pele, na força, na selvageria. Hart precisava de Damon, o homem — não só da fera. Me forcei a recuar, a sentir os ossos se moldando de volta, músculos se rearranjando, a dor da transformação me lembrando de tudo que eu já perdi.

O cheiro de Hart ainda impregnava minha pele. Era quase físico, como se estivesse costurado à carne. Vesti a calça rasgada, o corpo coberto de sangue e terra. Peguei o celular no bolso da jaqueta, disquei um número antigo, para o meu humano de confiança. O meu resolve-tudo, vamos assim dizer.

"Preciso de aliados em Nova York", falei para a voz do outro lado. "Dinheiro não é problema. Preciso de olhos dentro das casas dos ricos. Qualquer movimentação, qualquer nome. O governador Richard Lancaster. Hart. Encontrem."

O informante hesitou. "Isso é perigoso, Thorn. Esse homem tem proteção federal."

"Eu pago o dobro, James. O triplo. Só traga notícias."

"Verei o que poderei fazer, vou tentar me infiltrar."

Desliguei sem esperar resposta. Não havia mais tempo para medo.

Meu corpo pedia descanso, mas a mente não parava. A cada passo, eu lembrava da voz dela, dos olhos suplicando para nunca a deixar sozinha.

Falhei com ela uma vez. Não falharia de novo.

Foi então que senti outro cheiro, diferente, mas conhecido. Um lobo se aproximando — cauteloso, arrependido. Eric.

92. Sms 1

92. Sms 2

92. Sms 3

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Marcada pelo meu chefe Alfa