Caroline Hart
Ava fechou a porta devagar, como se tivesse medo até do som. Ficamos ali por um momento, em silêncio, só ouvindo o barulho abafado da chuva contra a janela. Senti o coração batendo rápido demais, como se quisesse sair do peito e fugir dali antes de mim.
Ela andou até a janela, puxou a cortina e olhou para fora, pensativa. Eu me sentei de novo na poltrona, puxando o cobertor para cima da barriga, como se aquilo pudesse me proteger de tudo. O silêncio era pesado. Ava parecia estar tentando encontrar coragem para dizer algo.
"Você não pode aceitar o que ele está pedindo", disse ela de repente, sem olhar para mim. A voz dela era tão baixa que eu mal escutei. "Não pode ceder. Ele sempre vence, Hart. Sempre manipula todo mundo. Mas você… você não pode se vender. Não por causa dele."
Respirei fundo, fechando os olhos por um segundo. "Ava, você não entende. Não é só sobre mim. Se eu não aceitar... Ele… ele pode destruir todo mundo que eu amo. Isso não é só sobre orgulho."
Eu queria poder falar. Explicar toda a situação;
Mas nenhum dos humanos poderia saber quem Damon era, e que eu carregava o futuro Alfa. Isso era demais até para mim.
Ela se virou, olhos marejados. "Mas ele não vai fazer isso de verdade. Papai fala coisas horríveis quando está com raiva, mas, no fundo…"
Dei uma risada amarga, interrompendo. "No fundo, ele não sente nada. Não por mim, não por você, nem pela sua mãe. Ele só pensa em manter o próprio poder, em garantir que ninguém nunca descubra que é um homem ao contrário do que o público pensa."
Ela se sentou na cama, puxando os joelhos para o peito. "Eu só queria que tudo fosse diferente. Só queria ter uma família normal. Só queria que você não estivesse presa aqui., eu... sempre quis ter uma irmã"
Eu olhei para ela, tentando sentir raiva, mas só tinha pena, dela, e de mim mesma.
"A vida nem sempre é do jeito que a gente quer, Ava. Às vezes, a gente só tem que sobreviver."
A porta se abriu de repente, cortando qualquer resposta.
Zion entrou com aquele ar vitorioso, o sorriso cínico e seguro. Usava um terno caro, cabelo arrumado demais. Trazia o perfume forte, o olhar arrogante.
Era somente o que me faltava.
"Sempre soube que nosso destino seria esse, Caroline." Ele nem se incomodou em perguntar se podia entrar, já veio marchando até mim como se a casa fosse dele. "Já conversou com seu pai? Ele não costuma ser paciente quando as coisas não saem como planeja."
Eu olhei para ele com nojo, mas não dei o gostinho de responder na hora. Senti Ava encolher ainda mais na cama, os olhos arregalados, sentindo o peso daquela presença.
"Eu prefiro perder tudo do que viver sob a sombra de gente como vocês", murmurei, sentindo minha voz tremer, mas forçando ela a sair firme. "Você nunca me amou, Zion. Você só amava o que podia tirar de mim. E eu não sou sua."
Ele deu um sorriso frio, se inclinando até o rosto dele ficar perto do meu. "Você vai mudar de ideia. Você sempre muda. Você não vai sacrificar todo mundo por orgulho. Ainda mais agora, com um bebê, você vai pensar duas vezes antes de jogar tudo fora."
"Eu nunca vou aceitar você", sussurrei, cada palavra como uma facada.
Ele se virou para sair, mas antes de fechar a porta, olhou para Ava. " Não quero nenhuma surpresa até o jantar."
Assim que ele saiu, o silêncio voltou, pesado. Ava ficou olhando para mim, como se quisesse dizer alguma coisa, mas não tivesse coragem.
"Eu odeio esse advogado do papai", murmurou ela, baixinho. "Ele é um monstro."
"Ele trabalha para o seu pai há muito tempo?"sussurrei."


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