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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 123

Caroline Hart

A estrada parecia mais leve naquela manhã.

Pela primeira vez em muito tempo, eu conseguia respirar sem sentir que havia um peso invisível esmagando o meu peito. Ainda havia perigos. Ainda havia segredos. Mas… algo tinha mudado.

Richard estava preso. Ana tinha partido, deixando um buraco que levaria tempo para se fechar. Mas o que ela nos deixou — coragem, verdade, um legado — pulsava dentro de mim. E agora… era hora de trazer Ava para casa.

Damon dirigia com uma das mãos no volante e a outra segurando minha mão sobre o meu colo. O gesto era simples, mas carregado de significado. Estávamos juntos nisso. Desde o início. Até o fim.

“Acha que ela vai vir sem resistência?” ele perguntou, sem desviar os olhos da estrada.

“Ela está cansada, Damon. Perdida. Mas sim… eu acho que ela vai vir. Precisa mais de nós do que está disposta a admitir.”

Ele assentiu em silêncio.

Ava estava na varanda dos fundos da antiga casa de campo onde um dos nossos aliados humanos — o avô materno dela — a mantinha escondida desde a prisão de Richard. Os cabelos estavam presos num coque desalinhado. O olhar, baixo.

Ela nos viu chegando e não se moveu.

Fui a primeira a descer do carro. Andei até ela com passos calmos, sem palavras. Quando cheguei perto, não fiz nada além de abrir os braços.

Ela hesitou por dois segundos. Depois correu até mim, se jogando no meu peito.

“Ele levou tudo dela, Caroline…”

“Eu sei”, sussurrei. “Mas não vai levar você também.”

Ela chorou ali, no meu ombro, como uma criança. E eu chorei junto, sem culpa. Ali não havia guerra. Só dor. E a vontade de seguir em frente.

Damon observava à distância. Sempre respeitando nossos silêncios.

Quando finalmente partimos, Ava olhou para ele pela janela do carro.

“Obrigada… por ter trazido ela pra perto do fim.”

Ele apenas assentiu. Não precisava dizer mais nada.

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De volta à mansão, Ava foi instalada num dos quartos do segundo andar, perto do de Gael. Victor havia redobrado a segurança, mas evitamos que a alcateia soubesse dos detalhes.

Ava passava os dedos por um dos brinquedos de Gael enquanto ele dormia no bercinho.

“Ele parece com você”, ela murmurou.

“Mas tem os olhos do pai”, respondi, sorrindo.

Ela suspirou.

“Você tem sorte.”

“Não, Ava. Tenho luta. Todos os dias. Mas... agora, talvez, eu tenha paz também.”

Ela assentiu, sem discutir.

“Vou te dar tempo”, disse, me levantando. “Mas essa casa agora é tua também.”

Ava ficou ali, olhando para o meu filho dormir. Pela primeira vez, vi algo diferente no olhar dela: esperança.

Mais tarde, Damon me pediu para que me arrumasse.

“Só nós dois”, disse. “Preciso que seja uma noite nossa."

"Mas e Gael.."

"Nosso filhote ficará seguro."

Assenti e vesti um vestido preto simples, mas elegante. Os cabelos soltos, como ele gostava. Quando desci, o salão principal estava vazio. Apenas velas acesas, uma mesa para dois, e ele… sorrindo.

“O que é tudo isso?”, perguntei, rindo.

“Uma noite sem política. Sem guerra. Sem medo.”

Nos sentamos. A comida estava deliciosa — e feita por ele. Risoto com cogumelos silvestres. Um vinho tinto forte, que esquentava o peito a cada gole.

Conversamos sobre tudo. Sobre nada. Sobre o futuro.

Ele tocou minha mão, do jeito que sempre fazia quando queria que eu o ouvisse de verdade.

“Já adiamos demais o que o destino selou entre nós.”

Fiquei em silêncio, sentindo o coração bater um pouco mais rápido.

“Quero me casar contigo, Hart. Não como o Alfa e sua companheira. Mas como Damon e Caroline. E já tenho a data.”

Arregalei os olhos, surpresa.

“Tem?”

“Sim. Um mês a partir de hoje. Tempo suficiente pra organizarmos… e curto o bastante pra não dar tempo de a vida se meter.”

Senti os olhos arderem.

“Você tem certeza?”

“De tudo.”

123. Coração em paz 1

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