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Marcada pelo meu chefe Alfa romance Capítulo 122

Damon Thorn

Havia algo diferente no ar naquela manhã.

O tipo de silêncio que antecede uma decisão irreversível.

Eu estava na sala de reuniões, os documentos abertos à minha frente, espalhados como peças de um jogo que, até ontem, parecia impossível vencer. Hart estava ao meu lado, firme como sempre. Victor, atento, caminhava de um lado ao outro com as mãos cruzadas atrás das costas.

Mas os olhos de todos estavam voltados para o envelope.

O último.

A prova final.

Peguei o conteúdo, respirei fundo e li.

“Áudios de extorsão. Imagens de vigilância. Transferências diretas para contas em paraísos fiscais. Uma ordem escrita, assinada por Richard Lancaster, mandando silenciar uma jornalista. E... outra. Um homem chamado Braga. Desaparecido há três anos.”

“Essas provas são suficientes pra acabar com ele”, disse Victor, a voz mais grave que o normal.

“Não apenas acabar. Enterrar”, murmurei.

Caroline assentiu, os olhos marejados. Era pessoal pra ela. Pra todos nós.

“E sobre a parte da bruxa? Dos desaparecimentos ligados à alcatéia?” Victor perguntou com cuidado.

“Essas provas vão para outro caminho. Conselho, talvez. Mas primeiro… vamos usar o que os humanos entendem. Corrupção. Dinheiro. Morte. Isso basta por agora.”

O plano já estava montado. Usaríamos um dos aliados de confiança de Ana — o pai dela. Um homem simples, humano, mas esperto. Foi ele quem nos ajudou a esconder os rastros da fuga dela, a transferir os arquivos sem alertar os sensores do governo de Richard.

E agora… ele estava aqui, na casa dos Thorn, para ver a filha pela última vez.

A porta do quarto estava entreaberta.

Do lado de fora, Caroline segurava a mão dele, explicando com calma. O velho apenas assentia, com os olhos marejados.

“Posso entrar?” perguntei.

“Ela está fraca”, sussurrou Hart. “Mas ainda consciente.”

Entrei.

Ana estava pálida. O corpo afundado nos lençóis. Os olhos opacos, mas vivos — vivos de uma forma que parecia resistir só pelo desejo de terminar o que começou.

Ela me olhou e sorriu fraco.

“Conseguiu?”

Assenti.

“Está feito. Hoje mesmo ele será preso.”

Ela fechou os olhos. Um alívio tomou conta do rosto dela como se o corpo tivesse, enfim, permissão para descansar.

“Meu pai?”, perguntou, abrindo os olhos novamente.

O homem se aproximou, hesitante. As mãos trêmulas, os olhos de um pai diante do fim de uma parte de si.

“Filha…”

“Pai”, ela sussurrou. “Desculpa. Por não ter dito antes. Por não ter fugido antes…”

Ele sentou-se à beira da cama, segurou sua mão.

“Você fez o que pôde. E o que ninguém mais teve coragem de fazer.”

As lágrimas caíram sem resistência.

“Cuida da Ava. Ela vai se perder… por um tempo. Mas tem luz dentro dela. Como tinha na sua mãe. Como tem em você.”

Caroline se aproximou do outro lado da cama. Pegou a outra mão de Ana.

“Você salvou mais do que imagina.”

Ana sorriu.

E então, com um último olhar para o pai, os olhos dela se fecharam.

122.  A queda do rei 1

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