Capítulo 293 – Se me afastar de você
Enzo
Nenhuma das mulheres recebeu bem a notícia de que iríamos e elas não. Só que, de repente, todas elas decidiram não se importar mais, aceitar, e ponto final.
O que gerou um alerta em mio amico Alex e, para ser sincero, em mim também. Ainda não contei para mia bambina que vou passar um tempo fora. Decidi contar somente na hora de viajar, para evitar arrastar o sofrimento dela e o meu. Porque vou sentir muita falta de mia donna, mas de mia bambina… é como se um pedaço do mio cuore estivesse ficando.
Como todos os dias, mia principessina não conseguiu dormir em sua cama. E acordei com ela em cima de mim.
— Buongiorno, amore mio — disse a Maria enquanto ela coçava os olhinhos, tentando acordar.
— Bomgiano papai — Eu ri da sua tentativa de italiano e dei um beijo em sua cabecinha.
A tirei com cuidado de cima de mim e a deitei entre mim e Elena, que ainda estava dormindo.
— Papai… — ela falou baixinho.
— Sì, mia principessina.
— A tia Lena ainda tá dormindo.
— Eu sei, amore mio — respondi, dando um beijo em sua testa.
— Mas a Maria queria comer panquecas, e a Girassol também.
Girassol é a boneca que Elena comprou para Maria. Sua roupinha é cheia de girassóis, o que levou mia bambina a dar esse nome à sua companheira.
— Então vamos levar mia bambina Maria, e mia bambina Girassol para comer panquecas.
Nós dois levantamos, e fui até o closet separar uma roupa para ela e uma para mim. Olhei para a mala que Elena havia feito para minha viagem e suspirei, me lembrando que teria que contar a Maria. Peguei sua roupinha e a levei ao banheiro, porque ela diz que é uma “mocinha” e não precisa da tia Lena para trocá-la.
Aproveitei e voltei ao closet para me trocar, e assim que terminei, caminhei até o banheiro.
— Maria? — a chamei dando duas batidas na porta.
— Já estou trocadinha — ela me respondeu, e abri a porta.
A peguei no colo e a sentei na pia, e comecei a pentear seu cabelo. Eu era péssimo nisso, e mia donna sempre ria das minhas tentativas. Mas depois do enterro de Dimas, Maria disse que o papai Dimas separava sua roupa, penteava seus cabelos e depois fazia panquecas.
E eu não daria à mia bambina menos que isso.
Nós dois fizemos nossa higiene, e ela estava toda orgulhosa porque agora faz isso sozinha. Depois passamos perfume e nos olhamos no espelho, pois todo italiano que se preze está sempre bem vestido e cheiroso.
Quando saímos do banheiro…
— Bom dia, meus amores — Elena nos disse, e Maria correu até a cama para abraçá-la.
— Bomgiano tia Lena — Mia bambina disse, arrancando uma risada de mia donna.
Caminhei até ela e a dei um beijo rápido, murmurando entre nossos lábios.
— Buongiorno, mia vita.
— Bom dia, amor — Elena disse, colocando a mão em meu rosto.
— Tia Lena, vamos comer panquecas! — Maria disse, toda empolgada.
— Que delícia. Vou me trocar para ir com vocês.
— O papai pode pegar sua roupa, igual ele pega a da Maria.
— Ah, é, papai? Quer pegar a roupa da tia Lena e ajudá-la a se trocar? — Elena me perguntou, arqueando uma das sobrancelhas e com um sorriso malicioso nos lábios.
Abaixei até seu ouvido.
— Adoraria, amore mio… — Disse dando um beijo em seu pescoço.
Ouvimos batidas na porta, e mia bambina correu para atender.
— Bom dia, meu amor! — Evie disse a Maria.
— Bomgiano tia Evie! — ela disse, depois pegou na mãozinha da bebê.
— Bomgiano, Bebê da Maria — mia bambina disse à piccola Rachel com a mesma voz que Alexander usa. O que fez todos nós rirmos.
— Enzo! — o som do meu nome escapando de sua boca fez meu sangue ferver.
Comecei um ritmo forte, rápido, cada investida carregada de posse, como se quisesse me gravar nela. O quarto se encheu de gemidos, respirações irregulares e o bater frenético de dois corpos que não sabiam ser contidos.
Ela se contorcia debaixo de mim. Quando soltei seus punhos, suas unhas arranhavam meus ombros por cima da camisa. Seus olhos se perderam nos meus, eles ainda estavam marejados, mas agora eu sabia que eram de prazer, implorando por mais, mesmo quando eu já a levava ao limite.
— Te amo, mia vita — eu disse no seu ouvido. Mesmo sendo uma declaração de amor, minha voz saiu grave, dominadora, e acelerei minhas estocadas. Levaria mia donna ao paraíso, mesmo que depois eu fosse para o inferno.
Senti seu corpo estremecer, se perder em ondas de prazer. E foi a visão dela rendida que me levou junto. Enterrei-me fundo, me derramando dentro dela com um gemido rouco, possessivo, como uma marca ainda mais profunda que a que deixei em sua pele.
Caí sobre ela, ofegante, espalhando beijos suaves pelo rosto dela enquanto ainda a sentia pulsando em volta de mim. Segurei seu queixo, forçando-a a me olhar, mesmo em meio ao turbilhão.
— Viajar sem você vai ser a coisa mais difícil que vou fazer.
— Então não faz… ainda dá tempo.
Não consegui responder. Me levantei de cima dela e saí da cama, ajeitando minha roupa. Elena permaneceu deitada e se apoiou nos cotovelos. Ela ainda estava ofegante, uma consequência do que havíamos compartilhado. Mas seus olhos estavam determinados.
— Elena, não quero discutir. Não depois do que acabamos de fazer.
Foi sua vez de se levantar, se aproximou de mim.
— Tá vendo isso aqui, Enzo Mancini? — Ela colocou a mão no lugar onde eu a tinha marcado. — Em alguns dias, ela some, e a gente esquece. Me afastar de você dessa maneira te torna como ela.
Sem dizer mais nada, ela foi ao banheiro. E eu a segui.
— O que quer dizer com isso? — Elena me encarou através do espelho.
Por alguns segundos, ela não respondeu, só manteve seus olhos presos nos meus. Ela se virou lentamente, apoiando as mãos na pia.
— Descubra sozinho, senhor Mancini. — Caminhou até a porta e a fechou, me deixando ali, com o gosto amargo que suas palavras causaram.
Isso foi uma ameaça? Pensei que ela tinha entendido meus motivos…
Foi nesse momento que entendi o significado de suas palavras. Elena me encurralou, me fazendo pensar bem no que vou fazer. Porque é essa decisão que vai determinar se serei uma marca permanente… ou a que some, e ela irá esquecer.

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