Capítulo 314 – Exatamente o que ouviu
Jordan
Chegou a hora de contar a eles o que tenho estudado desde a morte de Robert. O problema é que tenho muitas revelações, sobre os Anderson, Mancini, Khaled e até mesmo dos Sterling. Hoje conto a eles onde tudo começou, e também o que precisa ser feito para terminar.
Não contei nada a ninguém, nem mesmo ao Jack, que do jeito que é, contaria para o Alex ou, pior, para todos em um dos nossos cafés da manhã.
Trazer Amira foi uma jogada arriscada, pois sei bem os sentimentos que ela tem pelo meu irmão. Eles viviam juntos, principalmente quando Brandon me levou da Espanha para a Alemanha. Amira era mais presente do que até o próprio Brandon gostaria.
Ela tem esse jeito dela, mas a vida que teve até conhecer meu irmão foi carregada de dor e sofrimento. Não somos amigas, mas ela nunca gostou da forma que ele me tratava e, em alguns momentos, até mesmo me defendeu.
Mas tem mais uma coisa que Amira faz, e muito bem: é despertar no Brandon um lado que sei que ele não vai querer de volta. Ela sempre foi sua companheira, parceira e maior incentivadora, principalmente quando o assunto era destruir Robert.
E só hoje eu sei o motivo dela querer tanto que ele sofresse, que fosse destruído. Mas essa é a história dela, então… cabe a ela contar.
— Bem, agora que estão todos aqui, vou poder dizer o que descobri, e o motivo de ter chamado Amira — eu disse.
— E antes de nos dizer o motivo dela estar aqui, pode nos dizer quem é ela? — Elena perguntou.
— Quer fazer as honras, querido? Ou prefere que eu mesma me apresente? — Amira disse se direcionando a Brandon e eu sabia muito bem o que ela estava fazendo.
— Eu mesma faço isso — disse, me direcionando a ela. — Eu te trouxe, então as honras são minhas — dei uma olhada para ela, não dando margem para questionamentos.
— Como queira, pequena Jo — Amira me respondeu.
— Amira Khaled é sócia do Brandon. Ou era, agora que Jeff assumiu a Hydra.
— Não me daria somente o título de sócia… — ela disse de forma maliciosa.
Brandon iria responder, mas levantei a mão, o interrompendo.
— O relacionamento amoroso de ninguém está em pauta aqui, Amira. Todos aqui nessa sala já sacaram o que vocês eram. Então vamos manter o foco no que importa, e garanto que não é com quem você já foi ou não para a cama — respondi de forma ríspida.
— Essa é minha marrentinha — Jack disse, arrancando alguns risos controlados.
— Vejo que está cada dia melhor, acho que o sangue Sterling anda falando mais alto que o Anderson — Amira me disse com um sorriso.
— Vamos voltar ao que interessa — eu disse, voltando a atenção de todos para mim. — Que é contar o que descobri.
— E essas descobertas competem a nós? Ou estamos aqui como simples ouvintes? — Tommaseo me perguntou.
— Compete a todos que estão aqui, até mesmo aos novatos — eu o respondi, e levei meus olhos até as meninas que tínhamos contratado.
— O ideal não seria esperar os irmãos? — Enzo me perguntou.
Vi um sorriso nos lábios do Hugo, ele me conhecia e sabia que eu não deixaria pontas soltas, e ler as conversas, era uma delas.
— Lorenzo era o homem da máfia, o “portão de acesso” para que Robert entrasse no círculo da Cosa Nostra e também para lavar dinheiro dos negócios obscuros.
Caminhei até a mesinha onde estava meu notebook, eu havia deixado tudo preparado.
— Falando de forma resumida, Robert não teria tanto poder sem a influência e os contatos mafiosos de Lorenzo, e Lorenzo não teria tanto alcance sem a rede criminosa e mercenária de Robert. A parceria perfeita, ou quase.
— O que quer dizer com isso, piccola Jo? — Enzo me perguntou.
— Enzo, é nesse momento que entendemos que nossos caminhos, nossas famílias nunca se cruzaram por acaso, o único acaso aqui foi nós como filhos e netos nos voltarmos contra eles, porque de resto, eles sempre planejaram tudo — respirei fundo antes de continuar, porque o que eu estava prestes a revelar ia mudar muita coisa nessa sala. — Na verdade, no meu caso e dos meus irmãos, sim, filhos, já no de vocês… Enzo e Alessa… não.
— Jo, como assim? — Alessa perguntou enquanto se soltava do meu irmão.
Olhei entre ela e Enzo, até fixar meu olhar em Alessa.
— Netos, Alessa. No caso de vocês, não são netos.
— Cosa stai dicendo? — perguntou Enzo.
— Exatamente o que ouviu, Enzo. Lorenzo Mancini não é o nonno de vocês!

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