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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 113

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Na manhã seguinte, acordei com uma sensação de peso que eu não conseguia explicar. A luz sendo filtrada pelas minhas cortinas parecia de alguma forma mais apagada, com as cores desbotadas, como se alguém tivesse colocado um véu cinza sobre o mundo.

No começo, pensei que era cansaço do dia anterior, ou talvez eu tivesse dormido mal. Mas, quando tentei olhar para dentro de mim, do mesmo jeito que tinha feito na noite anterior, quando tudo se acendeu e brilhou, não encontrei nada.

Sem clareza ampliada. Sem aquele zumbido da conexão. Sem o sussurro dela. A minha loba... estava sumida.

Um pânico doentio atravessou o meu corpo, frio e metálico. Me levantei rápido demais, sentindo a respiração tremer na minha garganta.

"Não, não, não," murmurei, apertando as palmas das mãos contra as têmporas. 'Isso não pode ser real,' pensei com desespero. 'Talvez eu ainda não tenha acordado. Talvez isso seja um sonho.'

Mas o silêncio dentro de mim era absoluto demais.

Ontem, o mundo tinha se tornado incrivelmente nítido e os sons se sobrepuseram como uma sinfonia oculta. Agora, tudo o que eu ouvia era o zumbido de um cortador de grama distante e o tique-taque do velho relógio ao lado da minha cama. Era como se alguém tivesse me transformado de volta em humana.

Quando cheguei na SDS, minhas mãos ainda não tinham parado de tremer. Fui direto para o Salão da Lua e exigi uma sessão de meditação com a Ilsa. Ela tentou me guiar através de exercícios de respiração e posturas destinadas a centrar os lobos.

Depois, chamou uma das curandeiras, a Laurel, que trouxe ervas com aromas penetrantes que tomaram conta do pequeno cômodo: sálvia, alecrim, zimbro triturado. Essas fragrâncias deveriam me acalmar, me ajudar a entrar no estado de espírito necessário para fazer a conexão que tinha sido tão fácil no dia anterior, mas apenas irritaram a minha garganta e os meus olhos.

Fechei os olhos e tentei. Repetidamente. Puxei o ar para dentro e joguei o ar para fora dos meus pulmões até ficar tonta, esperando aquele brilho da visão aguçada, aquele puxão delicado na minha audição.

Mas, cada vez que buscava internamente, só encontrava o vazio.

"Respire mais devagar, Sera," Ilsa pediu suavemente, a sua mão pairando perto do meu ombro, mas nunca o tocando. "Não a persiga. Deixe que ela venha." Minha voz se despedaçou e transpareceu a frustração.

"Eu deixei que ela viesse. Ela estava aqui ontem. Por que não está mais?"

Laurel comentou gentilmente: "Às vezes, o lobo desperta em fragmentos. É como um vislumbre antes do verdadeiro despertar. Não se desespere. Isso não é incomum."

Percebi a hesitação na voz dela. A pausa entre as suas palavras era longa demais e o seu sorriso esticado demais. Abri os olhos rapidamente e encarei-a. "Você nunca viu um caso como o meu antes, não é?"

O silêncio foi resposta suficiente. A frustração cresceu. Levantei-me de repente e a almofada em que eu estava sentada tombou para o lado.

"Então foi só um sonho? Uma pegadinha cruel?" Minha garganta se apertou e o desespero começou a se transformar em raiva. "Você não entende. Eu senti ela. Sei que ela era real."

Lucian, que tinha ficado esperando do lado de fora da sala, entrou ao ouvir a minha voz elevada. A presença dele geralmente me acalmava, mas hoje eu só senti o peso da sua decepção... com eles, comigo, talvez com o próprio destino.

"E aí, Sera?" Ele veio ficar ao meu lado, seu ombro tocando o meu. Entretanto, o calor e o conforto que eu esperava não vieram, e eu tive que me segurar para não me afastar dele.

"Ilse, você prometeu progresso," ele disse de forma neutra, a desaprovação clara no olhar que dirigia da Ilse para a Laurel.

"Não é culpa delas," retruquei, embora parte de mim soubesse que a minha raiva não era direcionada a ele. Na verdade, eu estava mais para envergonhada.

Ele me disse ontem que o que eu senti era prova do despertar da minha loba. O que isso significava agora? Prova do desaparecimento dela?

"No fim das contas, essa é uma batalha que eu tenho que lutar." Mesmo que parecesse que eu já estava perdendo.

O maxilar do Lucian se contraiu, mas ele se conteve. Ele tentou segurar a minha mão, mas eu a puxei de volta, balançando a cabeça. "Preciso de ar."

"Então eu te levo..."

"Não," interrompi. "Preciso ficar sozinha."

Antes que ele pudesse protestar, passei por ele e saí da sala.

***

A floresta me acolheu com a sua copa silenciosa. A terra úmida se afundava sob os meus tênis e as folhas sussurravam acima.

Corri, ligeiramente cega de desespero, até os meus pulmões arderem. E, então, gritei para as árvores: "Onde você tá?" Minha voz falhou, engolida pelas sombras. "Por que você veio se ia partir?"

Silêncio.

Tentei novamente, mais suave desta vez e com as mãos pressionadas contra minhas costelas como se eu pudesse fazê-la sair. "Por favor. Por favor, eu preciso de você. Só um sinal. Uma respiração. Qualquer coisa."

Mas tudo o que ouvi foi o eco zombeteiro da minha própria voz.

Um pensamento inquietante rastejou por mim: "Talvez nunca tenha sido real. Talvez fosse apenas o meu desejo ilusório."

Caí no chão, os joelhos afundando no musgo úmido. Meu peito parecia vazio, esfolado.

Eu poderia treinar o quanto quisesse, mas valia a pena se eu não conseguisse alcançar a parte de mim que eu tanto ansiava por sentir?

Talvez fosse melhor quando eu estava completamente desconectada dela. Pelo menos, naquela época, eu não sabia o que estava perdendo.

Mas agora...

Agora, eu sabia como era. Eu sabia o quão maravilhosa e fantástica e incrivelmente incrível a conexão podia ser.

E a ideia de nunca alcançar isso em sua plenitude era como uma faca adentrando o meu coração.

Um grito fraco cortou a minha névoa de autodesprezo e piedade.

"Socorro! Alguém... Por favor!"

Fiquei sobressaltada e enxuguei os olhos.

A súplica veio mais do fundo na floresta e o instinto sobrepôs tudo mais.

Levantei-me e segui o som até me deparar com uma encosta íngreme onde uma senhora tinha escorregado. Ela tinha se agarrado a uma raiz saliente e a sua cesta de ervas estava espalhada encosta abaixo.

"Calma, segura firme!" eu gritei. Sem pensar, desci rapidamente, com a lama sujando meu jeans.

Com cuidado, me abaixei, plantando as minhas botas contra uma pedra para manter o equilíbrio. Estendi a mão para ela, me firmando na inclinação enquanto a minha mão alcançava a dela.

Capítulo 113 1

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