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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 115

PERSPECTIVA DO KIERAN

Fiquei parado, congelado, olhando a figura da Sera se afastar até que o balanço do cabelo dela e a subida medida dos ombros desapareceram atrás do arco de entrada do parque.

A dor no meu peito não era uma pontada aguda, era do tipo lento e corrosivo, que se infiltrava e esvaziava tudo.

Era dor, sim, mas uma dor que eu não conseguia qualificar direito.

A parte mais cruel era que não deveria doer, não quando ela havia deixado claro repetidamente que não havia espaço para mim no mundo dela.

E, depois daquele telefonema na noite em que eu bebi um pouco demais, após a voz seca do Lucian praticamente me mandar sumir e parar de atrapalhar a vida deles, eu percebi: não havia volta para nós.

Se é que algum dia houve um 'nós' de verdade.

Talvez fosse isso que mais me atormentava: perceber que a Sera e eu nunca tivemos verdadeiramente um passado juntos, pelo menos não um que valesse a pena lembrar.

Desde o começo do nosso casamento, eu nunca realmente a enxerguei. Eu olhava através dela, passava por ela, ao redor dela, como se ela não passasse de uma sombra inconveniente.

O fantasma dos meus erros.

Meu ódio, nascido da minha própria cegueira e das minhas afeições mal direcionadas, era a lente pela qual eu via tudo o que ela fazia. E, através dessa lente distorcida, ela sempre parecia pequena, invisível.

Eu me deixei acreditar nessa mentira porque era mais fácil do que admitir o quanto de mim estava preso a alguém que eu me recusava a conhecer.

Se não fosse pelo ataque no enterro do pai dela, o sangue, os gritos, o terror profundo de quase perdê-la, eu teria continuado assim indefinidamente, ignorando-a, negligenciando-a, fingindo que ela não era mais do que a mãe silenciosa e sem brilho do meu filho, presa à minha vida apenas por dever.

E, então, me perguntei, encarando o espaço vazio onde ela estivera momentos antes: 'o que exatamente eu estava perdendo agora? O que eu estava lamentando?'

Eu poderia chamar a causa dessa dor no meu peito de amor? Eu tinha o direito de usar tal palavra depois de todas as formas como eu estraguei tudo?

O eco da risada do Daniel pairava tenuemente na minha mente e me vi atraído de volta para o banco. Este lugar era dele, o que ele sempre reivindicava quando viemos aqui, e ao me sentar ali, segurando as ripas de madeira, uma lembrança floresceu vividamente na minha cabeça.

Ele devia ter uns sete anos, era muito novo para fazer perguntas introspectivas. Mesmo assim, ele subiu ao meu lado e, com aqueles olhos grandes e inocentes, me perguntou: "Pai, o que é amor?"

Naquela época, meus pensamentos foram diretamente para a Celeste. Com certeza, o nosso relacionamento era o melhor exemplo. Afinal, não era isso que todos diziam? Que a Celeste e eu éramos o exemplo perfeito de amor?

Mas, mesmo naquele momento, algo em mim se conteve. Algo em mim sabia mais. Então, contei para ele sobre os meus pais, dois lobos predestinados que superaram todas as dificuldades, escolheram um ao outro e ficaram juntos por muitos anos. Falei sobre a estabilidade deles, a lealdade, a admiração com que o meu pai olhava para a minha mãe mesmo após décadas juntos. Contei como ele exaltava o chão que ela pisava e seria capaz de queimar o mundo por ela.

"Isso", eu disse ao Daniel, "é amor". Era o que eu achava que me faltava, o que eu pensava que a Sera havia tirado de mim.

Mas agora, com a Celeste de volta na minha vida, me vi questionando tudo. O amor que eu achava que tinha com ela não era o que eu tinha imaginado.

Sim, uma dia fomos o casal perfeito: o herdeiro Alfa e a princesa Lockwood. Juntos, éramos invejados, admirados, elogiados. Namorar a Celeste satisfazia cada pedaço do meu ego.

Ela era graça e beleza e acendia um fogo em mim. Fomos jovens e selvagens um dia e tivemos as nossas noites furtivas e os nossos beijos ardentes que prometiam mais, mas nunca cruzavam a linha final.

Edward Lockwood deixou bem claro que não toleraria que a sua filha ficasse grávida antes do casamento, especialmente sendo menor de idade. Eu respeitava isso, ou pelo menos seguia essa regra, acreditando que o nosso final de conto de fadas era apenas uma questão de tempo. O casal perfeito, pronto para sua coroação.

Eu achava que a Celeste e eu éramos predestinados e que nada poderia nos separar. Mas então, aquela noite fatídica aconteceu e tudo saiu dos trilhos.

Lembrando do que aconteceu, me surpreende que o Edward não tenha cravado as suas garras no meu coração depois de tudo. Afinal, pode ter sido com a filha errada, mas eu quebrei a regra dela,.

Capítulo 115 1

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