PERSPECTIVA DE KIERAN
A masmorra da NightFang não foi feita para ser confortável.
As paredes de pedra transpiravam umidade e o ar era denso por causa do mofo e do cheiro metálico de sangue.
O gotejar da água, o tilintar das correntes, o arrastar de botas sobre a pedra... Cada som ecoava com uma vida ameaçadora própria.
As tochas projetavam sombras longas e tremulantes nas paredes, transformando o estreito corredor em algo que parecia vivo.
Eu já havia percorrido este corredor centenas de vezes antes e, naquela noite, as palavras do Gavin ainda ressoavam nos meus ouvidos: 'Pegamos o mentor. Ele tá sob custódia'.
Eu não tinha certeza do que esperava encontrar. Um bandido sem nome? Algum saqueador sem rosto que finalmente havia ido longe demais?
O que eu não esperava era o homem sentado algemado na sala de interrogatório.
Jack Draven.
Fiquei imóvel na porta, a incredulidade me prendendo momentaneamente ao chão.
"Impossível," murmurei, minha voz caindo para um rosnado.
Mas era ele. Seu cabelo desgrenhado estava mais comprido, manchado de sujeira, mas aqueles olhos cinza gelado e afiados com escárnio eram inconfundíveis.
Seu sorriso se alargou quando me viu, como se estivesse esperando por este momento há muito tempo.
"Alfa Kieran," Jack ironizou, recostando-se preguiçosamente na cadeira apesar das algemas de ferro apertando os seus pulsos. "Que recepção calorosa. Você parece surpreso. Não achou que me veria novamente?"
"Gavin." Eu não tirei os olhos do Jack. "Que porra é essa?"
Gavin se mexeu inquieto ao meu lado. "Também me surpreendi, mas verificamos a identidade. É ele mesmo."
Cerrei os punhos ao lado do corpo. As memórias voltavam com força, duras e implacáveis. Jack era o filho do Alfa Marcus Draven, da Alcateia Silverpine, um herdeiro promissor com arrogância demais, que chegava a atrapalhar a sua vida.
Até que ele violou uma das nossas leis comuns mais antigas e sagradas.
'Nenhum lobo deve derramar sangue humano inocente sem justa causa.'
A lei não era apenas um protocolo, existia para manter o frágil equilíbrio entre a nossa espécie e os humanos, para evitar suspeitas e caçadas sangrentas.
Jack tinha massacrado dois jovens campistas humanos a sangue frio, dois adolescentes que tinham se aventurado por engano no território da Silverpine. Sem provocação. Sem defesa. Apenas carnificina.
Fui eu quem o caçou e o arrastou de volta à fronteira da Alcateia dele. Eu inda me lembrava claramente daquela noite, da maneira como ele zombou, mesmo com as minhas garras na sua garganta, como se nada pudesse atingi-lo.
O Alfa Marcus implorou por clemência, mas o Edward permaneceu firme ao meu lado.
Uma violação como aquela não podia ser perdoada. Jack foi destituído de seu título, banido, e seu nome foi apagado dos registros.
E, agora, anos depois, ele estava aqui, o responsável pelo sequestro da Sera.
Meu sangue fervia nas veias.
Entrei e a porta pesada se fechou com um rangido atrás de mim. "Por quê?" Minha voz saiu baixa, perigosa. "Por que ela?"
Jack inclinou a cabeça, como se saboreasse a tensão no ambiente. "Direto ao ponto, hein? Eu esperava um pouco de conversa fiada. Como vai a família, Alfa? Ah, espera..." Seu sorriso se alargou. "É sobre isso, né? Sua preciosa ex-esposa."
A palavra 'ex-esposa' me atingiu como uma lâmina. Ignorei a dor e cheguei mais perto até que a luz das tochas destacasse as linhas severas no rosto do Jack. "Responda pra mim."
Ele riu, o som irritante ecoando nas paredes de pedra. "Francamente, não entendo por que você se importa. E, honestamente, por que não ela? Ela é fraca. Não tem poderes. É conveniente. E além disso..." Seus olhos brilharam. "Não estávamos fazendo um favor a você? Você nunca a quis mesmo. Isso ficou bem claro pro mundo inteiro."
O tom zombeteiro dele me feriu mais fundo do que garras. Minhas mãos tremeram ao lado do meu corpo, mas me obriguei a ficar imóvel.
"Ela não significa nada pra você, né?" Jack se inclinou para a frente, as correntes chacoalhando ao mantê-lo preso. "Então por que a indignação? Você não deveria estar me agradecendo? Tirei o peso das suas costas." Ele riu, um som áspero e repugnante que quase desfez o meu autocontrole. "Se for assim, você me deve uma. Eu te ajudei com o seu… problema de pragas."
Algo dentro de mim estalou.
Avancei e a minha mão agarrou a garganta dele, jogando-o de volta contra a cadeira com tanta força que arranhou o chão de pedra.
Seu sorriso vacilou apenas um pouco, mas o pulsar da sua artéria sob o meu aperto traía o seu pânico.
"Fale o nome dela de novo com essa boca suja," eu rosnei, com o Ashar surgindo perigosamente perto da superfície, "e arranco a sua língua e te sufoco com ela."
Jack engasgou uma risada, mesmo quando seu rosto ficou vermelho sob a pressão. "Ah, não," ele arfou. "Parece que toquei em um ponto sensível." Seu sorriso se alargou, feroz. "Será possível, Alfa Kieran, que essa insignificante seja, no fundo, a sua fraqueza?"
Eu empalideci, rapidamente lutando para recuperar a compostura. Mas aquele breve momento de fraqueza foi suficiente para o Jack soltar outra risada. "Interessante. Vou garantir que os outros saibam. Na próxima, Alfa, não vai ser só um sequestro. Vamos esculpir a nossa mensagem na pele dela. Aposto que os gritos dela são deliciosos."
Minha visão ficou vermelha e a raiva rugiu nos meus ouvidos.
Sem pensar, joguei o Jack no chão, despedaçando a cadeira com a força.
Passei a mão no rosto e soltei um suspiro pesado. Minha raiva ainda fervia, quente e crua, mas, por baixo dela, girava uma confusão que não conseguia afastar.
Por que a Sera?
As palavras do Jack ressoavam na minha cabeça, cada uma delas como uma agulha cravada no meu cérebro. Ela é fraca. Não tem loba. É conveniente.
Não fazia sentido. Se os renegados queriam influência sobre o Edward, por que não mirar no Ethan?
Se eu fosse o alvo final deles, por que não atacar o Daniel?
Eles eram os herdeiros, o símbolo do futuro dos nossos clãs. Atacá-los teria enviado uma mensagem mais clara e mortífera.
Mas a Sera? Ela não tinha loba, nem status. Já não pertencia à Frostbane há anos e, desde o nosso divórcio, não era da NightFang também.
Por anos, eu mesmo a desprezei como se ela não fosse nada além de uma sombra na periferia da minha vida. Então, por que eles a viam como valiosa o suficiente para sequestrá-la?
Encostei-me na parede fria, com o maxilar travado.
"Ela não é alguém sem valor," disse Gavin de repente, com uma voz tranquila, mas firme.
Minha cabeça se ergueu e os meus olhos estavam semicerrados. "O que você tá dizendo?"
Ele encontrou o meu olhar, firme. "Se fosse sobre a conexão dela com o Edward ou com você, há alvos mais valiosos do que ela. Acho que subestimamos o valor dela. Se os renegados estão atrás dela, eles enxergam algo que nós não vemos. Algo que nos recusamos a enxergar."
As palavras dele caíram pesadas e mais afiadas do que ele imaginava.
Subestimamos…
Esse era um fenômeno com o qual eu estava dolorosamente me familiarizando.
Por muito tempo, eu vi a Sera apenas como uma obrigação que precisava cumprir.
Eu subestimei o quanto ela significava para mim.
Queria negar, empurrar essa informação para longe como fiz por tantos anos. Mas a lembrança do riso do Jack e a forma como ele me provocou por causa da minha reação ainda mexiam comigo.
Sera. O meu ponto fraco.
Pela primeira vez, percebi o quanto isso era verdade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...