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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 118

PERSPECTIVA DO LUCIAN

Eu nunca fui fã de paz e tranquilidade.

O grasnido de corpos batendo nos tatames, o som abafado das respirações, o comando firme dos instrutores... Esse era o meu refúgio.

Eu estava na arquibancada da Arena, metade da minha atenção focada nas dezenas de e-mails e relatórios que precisava organizar, enquanto a outra metade seguia o ritmo dos treinamentos da SDS.

Normalmente, nada aqui me surpreendia. Eu havia construído este lugar do zero, vi inúmeros lobos chegarem sequelados e lutarem para se tornarem mais fortes.

Mas, quando a Maya caminhou na minha direção com um sorriso praticamente rasgando o seu rosto, eu soube que algo fora do comum havia acontecido.

A Maya nunca sorria durante o treinamento. No máximo, esboçava um sorrisinho, um leve ar de satisfação quando desmontava um oponente. Mas isso... isso era diferente.

"Você não vai acreditar no que acabou de acontecer!" Seus olhos escuros brilhavam e o suor reluzia na sua pele dourada.

Ergui uma sobrancelha. "Ai, ai. Se você matou alguém, eu não quero saber. Negação razoável."

Ela revirou os olhos. "Confia em mim, você vai querer ouvir isso. A Sera acertou um golpe limpo. Em mim."

Por um instante, achei que tinha ouvido errado. "Em você?"

Maya era a Beta feminina mais forte que eu já tinha treinado, talvez a mais forte que já conheci.

Eu a vi reduzir homens, tanto Alfas quanto Betas, a destroços trêmulos. A velocidade e os instintos afiados dela eram como lâminas forjadas no fogo. Havia poucos guerreiros que eu conhecia que podiam competir com Maya Cartridge em pleno vigor.

"Sim." Ela tocou o maxilar com orgulho. "Acertou em cheio. Desta vez, ela não conteve o golpe. Me pegou de surpresa. Vou ficar com um hematoma!" ela declarou, feliz.

Olhei instintivamente para os tatames onde a Sera estava, segurando uma garrafa de água.

Ela estava corada, o suor grudando mechas de cabelo nas suas têmporas e o peito subindo e descendo em respirações rápidas e instáveis.

Seus olhos se levantaram naquele momento, encontrando os meus, mas ela rapidamente desviou o olhar, como se não tivesse certeza se merecia qualquer reconhecimento.

Maya se inclinou para mais perto. "Não deixe ela te enganar com esse ato de humildade. Ela tentou me convencer que só acertou porque eu tava distraída." Maya soltou uma risada aguda. "Eu nunca perdi o foco no treinamento, e ela sabe disso. Aquele golpe foi mérito dela, justo e merecido."

Engoli um brilho de espanto. Não foi o golpe em si que me pegou de surpresa, foi o que ele significava. Eu já tinha visto muitos lobos estagnarem e muitos sucumbirem diante do peso das suas metades ausentes, resignados à mediocridade. Mas a Sera… Ela estava progredindo com determinação.

"Interessante," murmurei, mantendo meu olhar fixo na Sera.

"Interessante?" Maya soltou uma risada alta. "Essa mulher vai acabar com a Jessica se continuar assim. E já tá na hora, aliás."

Ela deu um leve soco no meu braço e soltou um sorriso selvagem. "Você fez bem em trazê-la pra cá, Lucian. Agora ela é uma de nós."

Eu não respondi, não em voz alta, mas o pensamento circulava em mim como um falcão: 'uma de nós? Ela pode muito bem superar até isso'.

***

A Sera não reclamou quando fui até ela após o treino e a convidei para jantar.

Ao nosso redor, o restaurante brilhava com luzes âmbar suaves e taças de cristal captando o cintilar das velas. Uma música suave preenchia o ar, quase mais baixa do que o murmúrio das conversas das outras mesas.

Mas, para mim, o mundo se reduziu à mulher sentada à minha frente.

Sera.

A postura dela estava diferente essa noite, menos defensiva do que de costume.

Ela comia devagar, com calma, mas com uma leveza que eu tinha visto brilhar uma ou duas vezes desde que ela chegou na SDS. Agora, essa leveza a envolvia como se sempre tivesse estado ali, e ela parecia firme, equilibrada.

Quando seu olhar se levantou e cruzou com o meu, eu vi o brilho de algo que eu temia que ela nunca encontrasse: confiança.

Os lábios dela se entreabriram levemente, como se as minhas palavras a tivessem surpreendido.

"E agora," continuei, apertando a sua mão apenas o suficiente para dar ênfase, "vamos garantir que todos, seja no Torneio, seja em todas as Alcateias, vejam essa verdade. Ninguém mais vai confundir você com uma fraca."

Os olhos dela brilharam em um misto de gratidão e determinação e, naquele momento, eu não estava apenas olhando para uma sobrevivente. Eu estava olhando para uma mulher que tinha potencial de ser mais do que ela mesma imaginava.

A Sera tinha o coração de uma Luna.

Não do tipo ornamental, pendurada no braço de um Alfa só para ser exibida. Não. Ela seria o tipo de Luna que inspira, que se levanta das ruínas e faz os outros acreditarem que eles podem fazer o mesmo. O tipo de Luna que ficaria lado a lado com o seu Alfa e conquistaria respeito pelo seu próprio mérito.

Minha Luna perfeita.

A mão dela ainda estava na minha quando o sorriso dela se alargou, livre e desprotegido.

E pensei, não pela primeira vez, que se o destino tivesse sido mais generoso, se eu a tivesse conhecido sob outras estrelas...

Talvez eu não apenas a admirasse e respeitasse.

Talvez eu realmente a amasse.

Talvez até mesmo da mesma forma que eu tinha amado...

Mas guardei esse pensamento bem no fundo do meu peito, trancado a sete chaves.

Por agora, era suficiente vê-la se reerguer, era suficiente estar ao seu lado e garantir que o mundo aprendesse o que eu já sabia.

Seraphina Blackthorne não era mais uma sombra.

Ela estava se tornando uma força imparável.

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