Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 121

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Eu percebi que a Judy ainda estava muito tensa mesmo depois de termos deixado o hotel. No caminho até a SDS, ela andou rígida ao meu lado, com o maxilar travado e os ombros curvados, como se a sombra do Brynjar ainda pairasse sobre as suas costas.

"Vamos", eu disse suavemente, segurando o pulso dela antes que ela pudesse entrar no prédio e possivelmente se fechar no dormitório. "Não vamos terminar a noite assim."

Os olhos dela, grandes e incertos, encontraram os meus. "Sera, eu..."

"Sem discussões." Eu a puxei por um beco em direção a um pequeno café que ficava aberto até tarde para estudantes e turistas.

A luz do interior se espalhava pela calçada, quente e acolhedora. "Você precisa de um doce depois de uma experiência amarga como aquela." Dei um sorriso para ela, que ela devolveu, embora relutante. "É por minha conta."

Nos acomodamos em um banco próximo à janela. O cheiro de pão assado e caramelo permeava o ar, calmante e indulgente.

Judy hesitou um instante antes de pedir uma fatia de bolo de chocolate tão lindo que parecia um pecado. Eu escolhi o meu favorito absoluto, o cheesecake de morango, leve o suficiente para não atrapalhar a digestão à noite.

Por um tempo, comemos em silêncio. O açúcar fez o seu trabalho, relaxando o nó de tensão entre nós.

Quando a Judy finalmente repousou o garfo, suas mãos tremiam apenas levemente.

"Obrigada," murmurou, sem olhar para mim. "Se você não tivesse aparecido lá... Se você não tivesse interferido... Tudo teria dado terrivelmente errado. O Brynjar teria conseguido o que queria, e eu teria sido desclassificada. Todo o meu esforço teria sido em vão."

Eu odiava o quanto ela estava certa. Ninguém a estava defendendo quando entramos. Claro, o Brynjar era um idiota, mas ele tinha mais poder do que a Judy, e era isso que as pessoas realmente viam.

Eu me inclinei para frente, colocando uma mão sobre a dela: "Você também se saiu muito bem, foi impressionante."

Ela bufou, sem acreditar em si mesma. "Eu tava apavorada," ela confessou. "Eu considerei pra valer abrir mão e aceitar a culpa só pra que o pesadelo acabasse." Ela balançou a cabeça. "Aquele desgraçado me fez acreditar que foi um erro ter ingressado na SDS."

"Ei," eu disse suavemente, mas com firmeza suficiente para prender o olhar dela. "Você lutou muito pra chegar até aqui. Você merece essa chance, Judy. Não deixe ninguém, muito menos um brutamontes sem cérebro como o Brynjar, te convencer do contrário."

Ela engoliu seco, os olhos brilhando. "Minha família… Nós nunca tivemos muito. Espera-se que os Ômegas da nossa Alcateia sempre se curvem, sirvam, desapareçam na paisagem. Mas, se eu me sair bem nesse Torneio, mesmo sem vencer, isso pode mudar muita coisa pra eles. Pode melhorar a nossa posição. Talvez o meu irmão mais novo não seja maltratado no treinamento. Talvez a minha mãe não precise se sacrificar tanto."

As palavras dela me atingiram, afiadas e familiares. Eu conhecia bem aquela esperança desesperada. "Então vamos nos certificar de que você tenha essa chance," eu disse calmamente. "Ninguém vai tirar isso de você."

Ela olhou para cima e, pela primeira vez desde o incidente com o Brynjar, o leve sorriso que surgiu nos seus lábios foi genuíno.

Mas não durou muito. Sua expressão ficou conflituosa e ela retirou a mão da minha, retorcendo o guardanapo entre os dedos.

"Preciso confessar uma coisa."

Inclinei a cabeça, recostando-me na cadeira. "Pode falar."

"Quando você chegou," ela disse hesitante, "achei que não merecia estar aqui. Pensei que você tinha entrado por indicação, por causa do Lucian, ou dos Lockwoods, ou dos Blackthornes. A Jessica e o grupo dela..." Ela hesitou, a culpa passando pelo seu rosto. "Te pintaram como arrogante. Inútil. E eu acreditei neles."

Um sentimento familiar me cortou, mas mantive o rosto neutro.

"Mas, depois de hoje," ela continuou rapidamente, "depois de ver como você lidou com o Brynjar, depois de observar como as pessoas te ouvem... Percebi que eles estavam errados. Você..." Ela hesitou, as bochechas corando. "Você atrai as pessoas sem nem tentar. Você conquista respeito de forma natural. Mesmo sem a sua loba. Isso é… magnético. E raro."

O calor subiu às minhas bochechas. Elogios ainda me deixavam desconcertada, especialmente quando me pegavam de surpresa. "Judy..."

Ela balançou a cabeça com firmeza. "Tô falando sério. Você me salvou hoje. E nem precisava."

Ela inclinou a cabeça para baixo. "Desculpe por ter te julgado sem te conhecer."

"Ei."

Ela olhou para cima e eu retribui o seu olhar, enquanto algo suave florescia no meu peito. "Talvez você tenha tido a impressão errada. Mas, se você tá disposta a deixar as primeiras impressões de lado e ver quem eu realmente sou..." Eu sorri. "É isso que mais importa."

O ar entre nós mudou, ficou mais leve, mais quente.

Uma semente havia sido plantada, algo que poderia crescer e se transformar em um sentimento mais forte do que apenas um coleguismo. Pela primeira vez, eu comecei a ver a Judy não apenas como outra aluna da SDS ou alguém com quem eu estava trabalhando, mas sim como uma amiga.

Quando finalmente nos preparávamos para seguir os nossos rumos na porta do café, ela me deu um abraço rápido.

"Obrigada de novo, Sera," ela sussurrou, antes de se afastar com uma determinação renovada no passo.

Eu desfrutei do ar da noite, sorrindo levemente para mim mesma.

Mas aquele calor não durou, porque foi então que eu ouvi a voz dela.

"Emocionante."

Meu sangue gelou.

"Falando em prova..." Ela se inclinou, fazendo o seu hálito roçar o meu rosto enquanto os seus olhos cintilavam com uma ameaça que me pegou de surpresa. "Eu tenho isso." Seus lábios se curvaram. "A prova de que o seu pequeno truque, o seu atropelamento encenado, não passou de uma performance. Se eu quisesse, poderia revelar amanhã, pro mundo todo, que a preciosa Princesa Lockwood não passa de uma manipuladora."

Meu peito se apertou.

Tudo tinha acontecido muito depressa. Não era possível que ela tivesse provas de que eu me joguei na frente daquele carro, o carro que a Abby dirigia na velocidade perfeita para garantir que eu não me machucasse gravemente.

A Sera estava blefando... Só podia ser um blefe.

Mas…

Todo o meu mundo foi construído com base na confiança e na adoração deles. Se isso se desfizesse, se ela me desmascarasse...

Ela sorriu. Um sorriso frio e ameaçador que fez um calafrio percorrer a minha espinha. "E o melhor de tudo? Todos acreditaram em mim mesmo sem provas. Eu não precisaria de muito pra expor a verdade sobre você, especialmente porque não é a primeira vez que você age como uma cobra, né?"

Minhas unhas se cravaram nas palmas das mãos. A raiva fervia a sob minha pele, densa e sufocante.

Como ela se atrevia? Como ela ousava achar que podia me ameaçar?

Eu queria retrucar, lembrá-la de que ela sempre viveu à minha sombra e que assim seria para sempre. Esse fato não mudaria, não importava quanto tempo passasse.

Mas, quando abri a boca, o medo me corroía, contendo a minha fúria.

Porque eu vi esta noite, não vi? O jeito como a multidão a observava. Até mesmo os lobos de outras Alcateias inclinavam as cabeças em direção à voz dela.

Se ela continuasse assim, se continuasse crescendo, não pararia no Kieran e no Ethan. Chegaria o dia em que o mundo todo acreditaria nela em vez de mim.

Jamais. Eu não permitiria isso. Preferiria morrer. Ou melhor ainda, matá-la.

"Celeste?" Uma voz masculina, familiar e indesejada me chamou.

O som me congelou, transformando a minha fúria em medo.

Os olhos da Sera passaram por mim, curiosos. Eu vi quando eles se arregalaram em reconhecimento e o meu coração saltou na garganta quando ela inclinou a cabeça respeitosamente e disse: "Alfa Thomas."

Droga, droga, droga.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei