PERSPECTIVA DA CELESTE
"Alfa Thomas," Sera o cumprimentou com um sorriso educado e os seus olhos piscaram entre nós, curiosos. "Posso ajudar em alguma coisa?"
Eu sabia que deveria relaxar os ombros e esconder o horror no meu rosto, mas estava ocupada demais tentando manter o meu coração no peito.
"Ah, não," aquela voz familiar respondeu, com uma pitada de escárnio na formalidade. "Acho que conheço a sua... amiga. Celeste, é você, né?"
Sera arqueou uma sobrancelha e eu respirei fundo. Estava na hora de acabar com isso antes que eu desse mais uma arma para aquela vaca usar contra mim.
Virei, forçando um sorriso indiferente no rosto. "Você deve estar enganado," disse rapidamente, com palavras afiadas como vidro e sem conseguir olhar diretamente para ele. "Eu não te conheço."
Antes que ele pudesse responder, dizendo que, de fato, me conhecia, e antes que pudesse listar tudo o que sabia sobre mim e me condenar, dei meia-volta e fugi na noite.
Covardia? Talvez. Mas melhor uma saída rápida do que a ruína que a presença dele ameaçava trazer.
Mal me lembro de como fui da porta daquele café até o meu carro.
Meus saltos batiam rápido demais no asfalto, minha respiração estava rasa e a minha mão tremia enquanto eu segurava o puxador. Bati a porta, me trancando dentro do carro. O ar estava sufocante e quente contra a minha pele.
A voz da Sera ainda estava grudada em mim como uma sanguessuga: 'prova'.
No fundo, eu ainda não acreditava. E, ainda assim, os olhos dela... não, droga, eu não conseguia esquecer da sensação de que ela realmente tinha algo contra mim.
E então ele apareceu.
De todas as pessoas que podiam sair das sombras, tinha que ser o maldito Thomas Bane?
Pressionei as palmas das mãos com força contra o volante, tentando manter a respiração controlada.
Estava tudo bem. Nada estava perdido. Com certeza, ele só estava de passagem. Com certeza...
Um batida firme na janela destruiu esse pensamento frágil e eu me sobressaltei violentamente, virando a cabeça na direção do som.
Lá estava ele, o seu rosto iluminado pela luz âmbar da rua e o seu sorriso sarcástico tão zombeteiro quanto eu me lembrava.
"Performance terrível, Celeste," Thomas disse com desdém, sua voz abafada pelo vidro. "Pensei que uma raposa astuta como você teria habilidades de atuação melhores."
Meu estômago afundou e os meus dedos procuraram inutilmente pela ignição, mas, antes que eu pudesse ligar o motor, ele fez um gesto preguiçoso com a mão. "Relaxa. Não vim aqui te desmascarar. Só parei pra dar um oi."
Forcei uma risada irônica, abaixando um pouco a janela. "Que... cortês da sua parte." Minha voz estava firme, ao contrário do resto do meu corpo, e o meu coração martelava violentamente na garganta.
A risada dele foi curta e cortante. "Não se ache. Você nunca mereceu cortesias da minha parte." E então a voz dele abaixou e o sarcasmo desapareceu como fumaça, sendo substituído pelo desprezo familiar. "Assim como você nunca mereceu o Brett."
O nome me atingiu como um tapa.
Minhas unhas cravaram no volante de couro, mas inclinei a cabeça, colocando uma expressão sobre a máscara que eu usava desde a infância.
"Ah, Thomas, você acha mesmo que trazer à tona velhas histórias vai me ferir?"
Dei de ombros e reparei que eles doíam com a tensão que se acumulava. "Foi melhor assim. O Brett e eu não combinávamos. Companheiros devem ser compatíveis, incluindo quando se trata da família e do legado. Ele também sabia disso."
"Engraçado," Thomas disse, com o olhar fixo em mim, "porque ele não sabia até você esfregar isso na cara dele. Ele teria continuado a te amar até o último suspiro se você não tivesse cortado o laço por conta própria."
Algo torceu dentro de mim. Um lampejo dos os olhos tempestuosos do Brett na noite em que brigamos e a sua voz áspera ao dizer: 'Tudo bem, Celeste. Se é isso que você quer, eu aceito.'
Eu ri dele, mesmo enquanto o meu estômago se revirava.
Achei que ele rastejaria para me ter de volta, mas ele nunca o fez.
Endureci. "Ele estava abaixo de mim. Fiz o que era necessário."
Thomas se aproximou do vidro com um sorriso frio. "Ele era bom demais pra você e você sabia disso. Eu agradeço à lua todos os dias pelo meu amigo ter escapado de você antes que você o destruísse completamente."
As palavras queimaram mais do que eu queria admitir. Levantei o queixo com orgulho. "Pense o que quiser. Eu já segui em frente. Logo, serei a Luna da Alcateia NightFang, a Luna de Kieran Blackthorne. E, então, veremos quem vai ser destruído."
Sua risada soou alta e cheia de desdém. "A princesa tóxica finalmente encontrou um novo trono pra envenenar. Vou mandar as minhas condolências para a NightFang. Que a Deusa os proteja."
Minha garganta doía, mas eu me recusei a dar a ele o prazer de ver o efeito das suas palavras. "Boa noite, Thomas." Subi o vidro devagar, aproveitando a sensação de encerramento.
Liguei o carro, forçando as minhas mãos a não tremer, e saí dirigindo.
Só percebi o quanto os meus cílios estavam molhados quando as luzes da cidade começaram a se desfocar ao meu redor.
Droga. Não.
Sem lágrimas por ele.
Meu olhar caiu, contra minha vontade, na tatuagem no meu pulso.
As sobrancelhas dele se franziram ainda mais e eu me acalmei, abaixando a voz, meu corpo tremendo com a verdade que nunca pude conter completamente. "Eu só... Eu preciso disso. Depois de tudo... Eu preciso sentir que você é meu e que nada pode te afastar."
O maxilar dele estava tenso e o seu silêncio era insuportável. "Celeste..."
Eu o beijei.
Com força, desesperada, esmagando os meus lábios contra os dele antes que ele pudesse me rejeitar de vez. Se ele me marcasse agora, seria definitivo. Não haveria volta.
Mas, mesmo com os meus lábios pressionados contra os dele, ele não reagiu como eu queria que reagisse, como eu precisava que ele reagisse.
As mãos dele subiram, não para me puxar para mais perto, mas para me afastar pelos ombros gentilmente e com firmeza.
"Celeste," ele começou, com a voz baixa e conflitante.
"Você não precisa me marcar agora," eu disse, odiando o desespero que tomava conta da minha voz. Droga, como eu me tornei tão patética? "Mas, Kieran, já faz meses que eu voltei e você não faz nada além de me beijar."
A mandíbula dele ficou ainda mais tensa. "Tô tentando respeitar os desejos do seu pai."
"Que besteira!" explodi. "Você não se importou com tradições e os desejos do meu pai quando engravidou a minha irmã!"
Os olhos dele se arregalaram e o aperto nos meus ombros se intensificou. "Celeste..."
E então o toque agudo do celular dele cortou o ar.
Ficamos paralisados.
O nome na tela piscou uma vez antes que ele pegasse o aparelho.
Daniel.
É claro.
O Kieran nem hesitou, apenas virou para atender a ligação. A voz do filho dele do outro lado da linha o afastou completamente de mim e o seu rosto se suavizou com uma preocupação paternal.
Eu fiquei ali, respirando pesado, com os lábios ainda formigando e a raiva me queimando por dentro. Mesmo agora, mesmo depois de tudo, a sombra da Sera ainda se intrometia entre nós, roubando o que deveria ser meu.
Mas não por muito mais tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...