PERSPECTIVA DO KIERAN
Não importava a tempestade que a Celeste estava tentando criar ao meu redor, tudo se dissipava quando eu pensava no meu filho.
"Daniel," respondi, com a voz amolecida apesar da tensão que ainda pairava no ar.
"Pai!" As palavras dele saíram apressadas e animadas. "Preciso da sua ajuda. Tô na cozinha e acho que quase acertei desta vez, mas... bom, falta uma coisa."
Pisquei e deixei que a confusão franzisse as minhas sobrancelhas. "Falta o quê?"
"O elixir!" ele declarou, como se eu já devesse saber, e gesticulou com as mãos para dar ênfase. O cabelo dele estava despenteado de tanto que ele passa os dedos. "Aquele das anotações do Dr. Ainsworth, a bebida energizante para lobos. Encontrei a receita na biblioteca do Vovô. Ele era famoso por fazer poções poderosas, até mais fortes do que as do Alcanor."
Uma risada escapou de mim e eu nem pisquei quando uma porta bateu no andar de cima, cortesia da Celeste, sem dúvida.
"Deixa eu ver se entendi, Danny. Você tá me dizendo que tá tentando fazer um dos lendários elixires do Alcanor?" perguntei, os lábios se mexendo involuntariamente.
Ele revirou os olhos exageradamente. "Do Alcanor não, Pai. Do Dr. Ainsworth. Os elixires dele eram bem mais fortes do que os do Alcanor."
Assenti, tentando fingir seriedade para igualar a dele. "Certo. Entendi."
Ele assentiu. "A Mamãe tem trabalhado tanto ultimamente que eu pensei que, se eu conseguisse fazer o elixir pra ela, então ela não se sentiria tão cansada."
Sua sinceridade me atingiu em cheio.
Deuses, a maneira intensa e profunda com que ele adorava a mãe... Se ao menos eu tivesse dado a ela metade dessa consideração.
Recostei-me no sofá, tentando aliviar um pouco do peso do dia para saborear a pureza e o conforto da ligação do meu filho.
"E então, o que tá faltando?" perguntei, entrando no jogo dele.
"Raiz de angélica," ele disse imediatamente, abaixando a voz como se estivesse revelando um segredo proibido. "Vasculhei os armários duas vezes e perguntei pro Chef, mas não temos."
Raiz de angélica. Uma erva inofensiva, dificilmente algo lendário.
Ainda assim, ao vê-lo ali na cozinha, com as mangas arregaçadas e uma determinação teimosa brilhando nos olhos, mal consegui conter o riso.
"Você já tentou fazer?" perguntei.
Houve uma pausa. Então, meio envergonhado, ele respondeu: "Duas vezes."
Quase soltei uma risadinha e balancei a cabeça. "E aí?"
"A primeira ficou com um gosto de chulé fervido," ele admitiu. "A segunda explodiu. Acho que o Chef vai ficar cheirando a ovo podre por um tempo. Ele se recusou a continuar me ajudando."
Deixei escapar uma risada baixa e calorosa. "Daniel..."
"Eu vou acertar," ele insistiu. "Se eu conseguir encontrar o último ingrediente, sei que vai funcionar."
Eu queria dizer a ele que lendas eram apenas lendas e que nenhuma raiz ou erva poderia renovar as forças da Sera.
Mas as palavras morreram na minha boca. Eu não suportaria destruir a crença obstinada dele.
Em vez disso, me inclinei para frente, apoiando o antebraço no joelho. "Escuta aqui, Campeão. Raiz de angélica não é fácil de encontrar por aí, especialmente tão tarde. Mesmo que eu quisesse, não poderia garantir que chegaria a tempo."
O silêncio dele estava carregado de decepção, e eu senti o peso.
"Mas," acrescentei rapidamente, "eu tenho uma ideia melhor."
Ele ergueu a cabeça, com os olhos brilhando. "Melhor do que o elixir do Dr. Ainsworth?"
"Bem melhor," eu disse solenemente. "Porque, em vez de confiar nos rabiscos de um médico velho, não criamos um elixir nós mesmos? Com uma receita que só nós dois saberemos? Uma receita secreta, só pra sua mãe."
Ele prendeu a respiração e vi a empolgação renascendo. "Sério?"
"Sério." Deixei um sorriso curvar os meus lábios e ele espelhou o gesto. "Vamos trabalhar nisso quando você voltar e faremos um elixir tão bom que ela vai acreditar que é uma das receitas lendárias do Alcanor."
"Sim!" Sua voz explodiu de alegria. "Pai, isso é genial! Vamos chamar de... Vamos chamar de Poção Blackthorne!"
Dei uma risada. "Cuidado, isso soa como algo que deveria vir com um rótulo de aviso."
Ele riu, e o som aliviou o peso no meu peito.
Por um tempo, conversamos seriamente sobre ingredientes, se o mel anularia o ginseng, se a canela era óbvia demais.
Ele rabiscava anotações como um pequeno estudioso e o seu entusiasmo era contagiante.
Por alguns minutos, o mundo lá fora não existia. Não havia renegados, ameaças, nem mulheres rabugentas agarrando os meus ombros, apenas o meu garoto e o seu sonho impossível de dar à mãe a lua em uma garrafa.
"Certo, Campeão," eu ri, quando um bocejo o interrompeu no meio da frase. "Acho que você devia ir pra cama."
Ele assentiu. "Ok. Ah, Pai, a propósito, o Vovô disse que queria falar com você."
Eu me enrijeci. Eu tinha ignorado discretamente as ligações do meu pai o dia todo. Mas, se ele tinha mandado o Daniel me avisar, eu sabia que não podia mais evitar a conversa.
"Certo," eu disse, após uma pausa. "Obrigado, Campeão. Vou ligar pra ele agora."
Trinquei os dentes. "Achei que a Mãe estava mais do que feliz em desempenhar o papel de Luna."
"Não venha com astúcias pra cima de mim," ele rebateu. "Os renegados estão se reunindo, o Marcus tá rosnando, e você tá por aí sem uma verdadeira Luna ao seu lado. Acelere o seu casamento com a Celeste. Selem o laço. Dê aos seus lobos algo sólido antes que isso exploda em guerra."
As palavras dele pressionaram contra o desconforto já enroscado dentro de mim.
Celeste. A loba dela ainda estava frágil e a sua mente estava cada vez mais instável.
Pensei nos olhos desesperados dela mais cedo, suas mãos agarrando-se a mim com algo próximo à loucura.
Pensei na possibilidade muito real de que ela tenha se jogado na frente de um veículo em movimento.
Ela não estava pronta, nem para o laço e, com certeza, nem para a responsabilidade.
E, ainda assim...meu pai não estava totalmente errado. A Alcateia precisava de mais do que a minha força. Precisava de fé. Unidade. Uma Luna.
Minha voz abaixou, pesada como ferro. "Ela não tá pronta."
"Ela não precisa estar pronta. Ela precisa estar ao seu lado. Todo o resto vem depois."
"Não." A palavra saiu mais cortante do que eu pretendia. "Não é assim que funciona. Se eu me unir a alguém que não aguenta o tranco, eu não a fortaleço, eu enfraqueço a Alcateia."
O silêncio foi denso, então ele disse: "Você tá deixando o sentimentalismo nublar o seu julgamento de novo. Sempre esse sentimentalismo, Kieran. Mesmo com a Sera..."
Meus dentes se cerraram. "Não."
Eu não suportaria pensar na Sera agora. Não suportaria andar pela trilha perigosa de comparação de qual das duas seria uma Luna melhor.
"Então me prove que estou errado," meu pai rosnou. "Resolva a situação com o Marcus. Contenha os renegados. Faça tudo isso sem manchar o nosso nome com o seu temperamento. Caso contrário, espero ver preparativos pra um casamento dentro de quinze dias."
A linha ficou muda.
Fiquei sentado naquele silêncio pesado com o telefone ainda encostado no meu ouvido. As palavras do meu pai ressoaram como trovão.
Algumas verdades incontestáveis eu tinha que encarar: o Marcus era perigoso, o Jack era imprudente e os renegados estavam nos rodeando como urubus.
E, em meio a todos os pensamentos que se aglomeravam, a voz inocente do meu filho ecoava na minha memória.
Fechei os olhos, forçando o ar pelos pulmões. Qualquer que fosse o caos que estivesse se formando, eu não deixaria que tocassem no Daniel. Ou na Sera.
Eu não permitiria que o mal alcançasse a minha família.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...