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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 124

PERSPECTIVA DO KIERAN

Encontrei a Celeste andando de um lado para o outro, com os cabelos desgrenhados como se tivessem sido puxados. Ela tinha trocado de roupa e agora vestia uma camisola de seda que grudava no corpo como se fosse uma armadura.

A lareira estava acesa e a luz destacava as suas feições. Era uma rainha pronta para a guerra, não para o descanso.

Ela se virou ao ouvir o som da porta abrindo, e eu vi esperança e acusação passando pelo rosto dela ao mesmo tempo.

"Não pode ser," ela disse, o tom carregado de sarcasmo. "A que devo a honra da sua presença?"

Ignorei o tom mordaz. Eu mal tinha dormido no meu quarto desde que ela se mudou. Ou dormia na casa da Alcateia, ou passava a noite no meu escritório ou me enroscava na cama do Daniel.

Mantive minha voz estável: "Queria te avisar que estarei ocupado por um tempo. Há... assuntos que preciso resolver."

Seus olhos se estreitaram. "Ocupado," ela repetiu, com amargura escorrendo da palavra. "Ocupado com o quê, exatamente?"

Suspirei. "Vou te recompensar assim que puder. Vou te levar pra jantar."

Sua risada foi cortante, tão frustrada quanto irritada. "Jantar? Essa é a sua recompensa? Você nem sequer me marcou quando eu implorei, quando eu me ofereci pra você, e agora você quer me apaziguar com uma refeição?"

"Celeste..."

"Não!" Ela atirou um vaso, que ela mesma tinha colocado na mesinha de cabeceira, contra a parede, fazendo os pedaços se espalharem pelo chão.

O cheiro de lírios inundou o ambiente, pesado e enjoativo, enquanto a água penetrava no tapete. Outro estrondo seguiu quando ela empurrou uma luminária para o lado. As sombras dançavam violentamente com a luz do fogo.

"Não me venha com esse 'Celeste' como se eu fosse uma criança histérica! Você acha que eu não sei? Acha que não sinto você se afastando, usando o trabalho e os seus deveres da Alcateia como desculpas esfarrapadas?"

Ela agarrou um copo d'água e o arremessou contra a parede. O vidro se estilhaçou ao meu lado e fragmentos afiados se espalharam aos meus pés.

A respiração dela estava irregular e o peito subia e descia sob a seda. "Você acha que vai me deixar de lado assim tão facilmente?" ela gritou. "Depois de tudo?"

Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço se instalar profundamente.

As palavras dela perfuravam, mais profundas porque não eram totalmente falsas.

Mas, agora, eu estava exausto e carregava o eco das palavras duras do meu pai e a empolgação inocente do Daniel. Eu não conseguia dar a ela a segurança que ela tão desesperadamente precisava de mim.

"Falo com você depois", eu disse, virando-me para sair do quarto.

Ela riu novamente, uma risada fria e furiosa, com um som similar ao do vidro partido se espalhando atrás de mim.

Não olhei para trás.

***

As celas de água estavam mais frias do que o habitual e o ar úmido grudava em mim como uma segunda pele. Sombras dançavam pelas pedras enquanto as tochas chiavam fracamente, suas chamas tremendo na corrente de ar.

Jack estava acorrentado à parede e o seu corpo era uma tela de hematomas. O maxilar dele estava manchado de roxo e verde e os seus lábios rachados, mas a sua expressão carregava algo próximo à arrogância.

Ele levantou o olhar quando entrei. "Voltou, Alfa? Não consegue ficar longe de mim?"

Observei-o por um momento, notando a arrogância que fervia sob a sua pele machucada.

Ele tinha aguentado mais do que a maioria aguentaria e ainda assim zombava.

Isso já me dizia o suficiente: o Jack não estava lutando por orgulho próprio, ele estava preso a algo mais sombrio, algo que lhe dava uma falsa proteção contra o medo.

"Você vai embora daqui em breve," eu disse a ele.

Ele inclinou a cabeça, a zombaria iluminando os seus olhos. "Então, o meu pai conseguiu, foi? Sabia que vocês iam ceder, NightFang," ele desdenhou. "Cão que ladra, não morde."

Esperei até que os últimos passos sumissem antes do Gavin sair das sombras.

"Tá tudo pronto," reportou o Gavin, com um tom seco. "A restrição tá no lugar. Ele não vai perceber até o momento em que mais precisar. Designei sombras pra segui-lo. Ele não vai fazer nada sem que eu saiba."

"Bom," eu disse. Minha voz parecia áspera na garganta.

Os olhos do Gavin brilharam. "Você acha que ele vai correr direto pros renegados?"

"Que corra. Ele pensa que é tão esperto, mas vai nos levar direto a eles."

Por um instante, o silêncio se estendeu pesado como as pedras ao nosso redor. Então, um uivo interrompeu a noite, distante e lamentoso, se infiltrando pela janela gradeada no alto da parede.

Virei-me em direção ao som e a luz da lua banhou as minhas mãos. Minhas garras flexionaram contra as palmas, ansiando por sangue.

"Tô cansado de covardes que prosperam nas sombras," murmurei. "Se forem estúpidos o suficiente pra mirar em mim, eu mesmo vou arrastá-los pra luz."

O sorriso do Gavin era afiado. "E quando estiverem na luz?"

Mostrei os dentes num sorriso sem humor. "Então vamos queimá-los. Cada um deles."

Porque eu não ia, não poderia, tolerar qualquer ameaça ao legado dos lobos.

Não à minha Alcateia.

Não ao Daniel.

Não à Sera.

Nunca mais.

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