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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 125

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Três dias seguidos cumprindo deveres como anfitriã me esgotaram mais do que eu queria admitir. Sorrir até a minha mandíbula doer, fazer reverências, apertar mãos, dar as boas-vindas a um Alfa cheio de si após o outro... Era exaustivo de uma maneira que nem mesmo o treinamento conseguia igualar.

Mas agora, finalmente, as últimas Alcateias visitantes estavam acomodadas. Pelo menos esta noite, eu teria o meu tempo de volta. Depois de ver todos os meus possíveis concorrentes, eu estava determinada a dedicar essas horas ao treinamento. Depois de dar aquele soco surpreendente na Maya, eu não queria perder o ímpeto.

Quando entrei na sala de treinamento privativa, ela já estava se alongando, seu rabo de cavalo trançado balançando atrás dela como um chicote. O chão tinha um leve cheiro de resina e couro e os tapetes estavam gastos depois de tantas horas de lobisomens treinando uns contra os outros.

Meus músculos vibravam com a ansiedade, embora um cansaço pesado ainda me acompanhasse por causa de todas as formalidades que fui obrigada a cumprir.

"Pronta?" Maya ergueu uma sobrancelha, já assumindo uma postura de combate.

Assenti e rolei os ombros. "Mais do que pronta."

Começamos. Mas, em poucos minutos, o nosso ritmo se desfez. Eu não conseguia acertar os movimentos e a Maya queria que eu usasse o meu ímpeto de forma diferente, com menos força e mais ângulo, mas todas as tentativas acabavam em fracasso.

Ela me corrigiu uma, duas vezes, então suspirou, a frustração transparecendo por trás da sua paciência.

"Não, Sera, você não tá redirecionando. Você tá avançando. Veja." Ela repassou o movimento, suave e precisa. "Você deixa a energia dos adversários continuar. Não a enfrenta diretamente."

"Tô tentando," murmurei, voltando à posição. Minhas palmas ardiam de bater no tapete de forma errada. "Você faz parecer simples, mas o meu corpo não vai..."

"Pare de lutar contra a corrente," ela interveio, estalando a língua. Em seguida, deu um peteleco na minha testa. "Você tá pensando demais de novo."

Olhei feio para ela, esfregando o local dolorido. Ela apenas sorriu de canto de boca. "De novo. E, desta vez," ela bateu na lateral da própria cabeça, "deixe isso aqui vazio, pelo amor dos Deuses."

Tentei de novo e falhei mais uma vez.

O som do meu corpo batendo no tatame ecoou alto demais na sala.

Senti o calor subir pelo meu pescoço. Mesmo com todo o progresso que eu tinha feito nas últimas semanas, esse pequeno detalhe parecia impossível de dominar.

A porta de vidro deslizou e nós duas olhamos ao mesmo tempo.

Ethan estava encostado no batente da porta, com braços cruzados e o cabelo caindo despreocupado na testa.

"Estão se divertindo?" ele perguntou, com um tom seco.

Maya gemeu enquanto eu me retorcia. "Não começa." Ela me lançou um olhar de frustração. "Ela tá se recusando a entender um redirecionamento simples."

"Não tô me recusando," retruquei. "Eu só..." Parei, pressionando os lábios. Meu orgulho ferido não precisava de mais uma testemunha naquela noite, especialmente não o meu irmão mais velho.

Ethan entrou na sala de qualquer forma, ignorando o meu olhar. "Mostra pra mim."

Pisquei. "Como é?"

"Faz o movimento," ele disse, acenando com a cabeça em direção à Maya. "Vai lá."

Maya deu de ombros para mim. "Melhor fazer. Ele até que é um lutador razoável."

Ethan soltou uma risada. "Você esqueceu o quanto é fácil te derrubar, querida?"

Maya deu um sorriso maroto, se aproximando dele. "Apaguei essa lembrança pra dar espaço a todas as outras... formas de você me derrubar."

Ethan mordeu o lábio inferior. "É mesmo? Que tal mais tarde..."

"Ok!" exalei com força, levantando de um pulo enquanto a cabeça do Ethan começava a se inclinar com um brilho sugestivo nos olhos.

Eu apoiava o relacionamento deles, mas definitivamente não queria ser testemunha ocular dos carinhos.

Maya piscou para ele e moveu os lábios dizendo 'Mais tarde' antes de se virar para mim.

Revirei os olhos e me posicionei de frente para ela.

Refizemos o movimento. Eu girei, tentei redirecionar, e falhei tão espetacularmente quanto antes.

O resultado foi: eu deitada de costas, olhando para as luzes fluorescentes no teto, com o meu cabelo espalhado no tatame como uma auréola.

"Viu?" Maya murmurou.

Ethan se agachou ao meu lado antes que eu pudesse me levantar e balançou a cabeça devagar. "Você tá resistindo no ponto errado. Você tem que empurrar, não segurar. Veja."

Sem pedir, ele me puxou para cima como se eu não pesasse nada, então fez um gesto para que a Maya avançasse nele.

Sem hesitar, ela avançou, rápida e precisa, mas o Ethan se moveu de um jeito diferente.

Ele capturou o impulso dela de maneira fluida, quase preguiçosa, mudou a sua postura e, de repente, era a Maya que estava com as costas no chão.

"Isso," ele disse, se endireitando, "é o que ela tá tentando te ensinar."

Maya piscou, levantando-se com elegância. "Você… na verdade fez melhor do que eu."

"Não fique tão surpresa." Ele deu um leve sorriso, então voltou o seu olhar para mim.

"Você tá tentando enfrentar a força com força, Seraphina. Não é assim que nossos instintos funcionam. O sangue dos Lockwood não ataca só de frente. Ele se adapta."

Algo despertou no fundo da minha mente. "Sangue dos Lockwood?"

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