PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Três dias seguidos cumprindo deveres como anfitriã me esgotaram mais do que eu queria admitir. Sorrir até a minha mandíbula doer, fazer reverências, apertar mãos, dar as boas-vindas a um Alfa cheio de si após o outro... Era exaustivo de uma maneira que nem mesmo o treinamento conseguia igualar.
Mas agora, finalmente, as últimas Alcateias visitantes estavam acomodadas. Pelo menos esta noite, eu teria o meu tempo de volta. Depois de ver todos os meus possíveis concorrentes, eu estava determinada a dedicar essas horas ao treinamento. Depois de dar aquele soco surpreendente na Maya, eu não queria perder o ímpeto.
Quando entrei na sala de treinamento privativa, ela já estava se alongando, seu rabo de cavalo trançado balançando atrás dela como um chicote. O chão tinha um leve cheiro de resina e couro e os tapetes estavam gastos depois de tantas horas de lobisomens treinando uns contra os outros.
Meus músculos vibravam com a ansiedade, embora um cansaço pesado ainda me acompanhasse por causa de todas as formalidades que fui obrigada a cumprir.
"Pronta?" Maya ergueu uma sobrancelha, já assumindo uma postura de combate.
Assenti e rolei os ombros. "Mais do que pronta."
Começamos. Mas, em poucos minutos, o nosso ritmo se desfez. Eu não conseguia acertar os movimentos e a Maya queria que eu usasse o meu ímpeto de forma diferente, com menos força e mais ângulo, mas todas as tentativas acabavam em fracasso.
Ela me corrigiu uma, duas vezes, então suspirou, a frustração transparecendo por trás da sua paciência.
"Não, Sera, você não tá redirecionando. Você tá avançando. Veja." Ela repassou o movimento, suave e precisa. "Você deixa a energia dos adversários continuar. Não a enfrenta diretamente."
"Tô tentando," murmurei, voltando à posição. Minhas palmas ardiam de bater no tapete de forma errada. "Você faz parecer simples, mas o meu corpo não vai..."
"Pare de lutar contra a corrente," ela interveio, estalando a língua. Em seguida, deu um peteleco na minha testa. "Você tá pensando demais de novo."
Olhei feio para ela, esfregando o local dolorido. Ela apenas sorriu de canto de boca. "De novo. E, desta vez," ela bateu na lateral da própria cabeça, "deixe isso aqui vazio, pelo amor dos Deuses."
Tentei de novo e falhei mais uma vez.
O som do meu corpo batendo no tatame ecoou alto demais na sala.
Senti o calor subir pelo meu pescoço. Mesmo com todo o progresso que eu tinha feito nas últimas semanas, esse pequeno detalhe parecia impossível de dominar.
A porta de vidro deslizou e nós duas olhamos ao mesmo tempo.
Ethan estava encostado no batente da porta, com braços cruzados e o cabelo caindo despreocupado na testa.
"Estão se divertindo?" ele perguntou, com um tom seco.
Maya gemeu enquanto eu me retorcia. "Não começa." Ela me lançou um olhar de frustração. "Ela tá se recusando a entender um redirecionamento simples."
"Não tô me recusando," retruquei. "Eu só..." Parei, pressionando os lábios. Meu orgulho ferido não precisava de mais uma testemunha naquela noite, especialmente não o meu irmão mais velho.
Ethan entrou na sala de qualquer forma, ignorando o meu olhar. "Mostra pra mim."
Pisquei. "Como é?"
"Faz o movimento," ele disse, acenando com a cabeça em direção à Maya. "Vai lá."
Maya deu de ombros para mim. "Melhor fazer. Ele até que é um lutador razoável."
Ethan soltou uma risada. "Você esqueceu o quanto é fácil te derrubar, querida?"
Maya deu um sorriso maroto, se aproximando dele. "Apaguei essa lembrança pra dar espaço a todas as outras... formas de você me derrubar."
Ethan mordeu o lábio inferior. "É mesmo? Que tal mais tarde..."
"Ok!" exalei com força, levantando de um pulo enquanto a cabeça do Ethan começava a se inclinar com um brilho sugestivo nos olhos.
Eu apoiava o relacionamento deles, mas definitivamente não queria ser testemunha ocular dos carinhos.
Maya piscou para ele e moveu os lábios dizendo 'Mais tarde' antes de se virar para mim.
Revirei os olhos e me posicionei de frente para ela.
Refizemos o movimento. Eu girei, tentei redirecionar, e falhei tão espetacularmente quanto antes.
O resultado foi: eu deitada de costas, olhando para as luzes fluorescentes no teto, com o meu cabelo espalhado no tatame como uma auréola.
"Viu?" Maya murmurou.
Ethan se agachou ao meu lado antes que eu pudesse me levantar e balançou a cabeça devagar. "Você tá resistindo no ponto errado. Você tem que empurrar, não segurar. Veja."
Sem pedir, ele me puxou para cima como se eu não pesasse nada, então fez um gesto para que a Maya avançasse nele.
Sem hesitar, ela avançou, rápida e precisa, mas o Ethan se moveu de um jeito diferente.
Ele capturou o impulso dela de maneira fluida, quase preguiçosa, mudou a sua postura e, de repente, era a Maya que estava com as costas no chão.
"Isso," ele disse, se endireitando, "é o que ela tá tentando te ensinar."
Maya piscou, levantando-se com elegância. "Você… na verdade fez melhor do que eu."
"Não fique tão surpresa." Ele deu um leve sorriso, então voltou o seu olhar para mim.
"Você tá tentando enfrentar a força com força, Seraphina. Não é assim que nossos instintos funcionam. O sangue dos Lockwood não ataca só de frente. Ele se adapta."
Algo despertou no fundo da minha mente. "Sangue dos Lockwood?"
O restaurante que a Maya escolheu era acolhedor, ficava no limite do bairro, tinha luzes baixas, madeira polida e o ar perfumado com ervas e manteiga derretendo.
Era o tipo de lugar que fazia você esquecer do mundo lá fora por um tempo.
Encontramos uma mesa perto da janela. A Maya imediatamente pediu um prato de pão de alho com bastante queijo. Ela sorria de orelha a orelha e falava animadamente, como se estivesse determinada a manter o clima leve só na base da força de vontade.
Quando o pão chegou, ainda fumegante, a Maya foi a primeira a atacar. Já o Ethan se recostou na cadeira, me observando com uma expressão tranquila que eu não conseguia decifrar.
"Você mudou," ele disse após um momento.
Se eu ganhasse uma moeda de um centavo toda vez que ouvisse essa frase...
"O que quer dizer com isso?" Levantei uma sobrancelha.
"Você não tá mais... arredia. Ou talvez eu só esteja percebendo tarde demais."
Maya lançou um olhar de aviso na direção dele, mas ele não recuou. As palavras dele não eram cruéis, apenas reflexivas. Eu podia sentir que ele estava tendo cuidado comigo naquela noite.
Parti um pedaço de pão, dando de ombros. "Você tá atrasado pra muita coisa, Ethan."
Isso arrancou uma risada da Maya. Até mesmo Ethan sorriu, resignado. "Justo."
Por um tempo, a conversa ficou mais leve.
A Maya contou sobre uma sessão de treinamento desastrosa com um ex-aluno, envolvendo excesso de confiança e uma janela quebrada.
O Ethan respondeu com histórias hilárias dos seus primeiros dias de treinamento e os incontáveis hematomas que ele mesmo se causou. Eu me peguei rindo de verdade, com a tensão se desfazendo como nós que se desatam devagar.
Talvez fosse isso que significava estar entre família, sem o veneno dos antigos ressentimentos sufocando o ar constantemente.
Mas, então, a porta do restaurante se abriu.
O som do sino acima da porta era delicado, quase perdido no burburinho, mas eu senti a mudança no clima antes mesmo de olhar.
Quando eu olhei, quase caí na risada.
Porque alguém estava definitivamente brincando com a minha vida e esse alguém tinham esgotado as jogadas inéditas, então só continuava a repetir a mesma palhaçada de sempre.
Lá estavam eles, como uma maldita irritação que simplesmente não desaparecia.
A Celeste e o Kieran.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...