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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 127

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

A Maya mal tinha fechado a porta do carro quando caiu em uma risada incontrolável. O som ecoou no espaço fechado, selvagem e desenfreado, até as lágrimas escorrerem pelo rosto dela. Ela bateu no painel, ofegante, entre risadinhas.

"Ah, minha deusa, Sera, você viu a cara dela?" Ela conseguiu dizer, quase sufocando entre as risadas. "Parecia um gato que caiu na banheira."

Recostei-me no banco de couro e um sorriso escapou dos meus lábios apesar de tentar conter. "Sorte a sua que o Ethan precisou resolver uns assuntos da Alcateia, porque se ele estivesse aqui com a gente e te pegasse rindo assim da irmã dele, talvez reconsiderasse te chamar de companheira."

A Maya se virou para mim, arregalando os olhos com falsa indignação. "Ora, tenha paciência! Eu sou um tesouro de companheira." Ela estufou o peito. "Sou digna. Madura."

Levantei uma sobrancelha. "Madura? Você quase caiu embaixo da mesa quando o dono mandou a Celeste pedir desculpas, sob pena de ser banida."

Ela explodiu em risadas novamente, uma erupção que a fez segurar a barriga.

Não consegui resistir mais. Uma risadinha escapuliu de mim, leve e despreocupada. E se uma satisfação triunfante me percorreu ao pensar na humilhação da Celeste... Paciência.

Quando a risada diminuiu, um silêncio mais calmo se instalou entre nós, apenas interrompido pelo ronco do motor e o movimento da cidade passando pelas janelas.

Meus pensamentos voltaram para o restaurante. O clima pesado, a respiração afiada do Kieran, o seu olhar descontente quando a Celeste deu aquele tapa na pobre garçonete e o momento que a voz do dono cortou a confusão como uma faca.

Pela primeira vez, não era eu quem estava no centro da zombaria. Eram eles, o Kieran e a Celeste, saindo envergonhados, de cabeças baixas, a Celeste agarrando o vestido manchado de suco como se fosse um ferimento.

O Kieran não disse uma palavra para ela, nem sequer olhou na sua direção quando a guiou para fora. Aquela imagem permaneceu na minha mente, vívida e extremamente satisfatória.

Maya quebrou o silêncio com um olhar curioso: "Posso dizer o quanto eu tô impressionada?"

Minha testa franziu levemente. "Com o quê?"

"Com você, querida," ela respondeu. "Você realmente não se abalou nem por um segundo. Nem quando ela interrompeu o nosso jantar, nem quando lançou aquelas provocações disfarçadas, nem quando tentou se meter entre você e o Ethan. Você simplesmente permaneceu calma e completamente imperturbável."

Soltei um suspiro longo, observando o borrão neon de uma placa desaparecer no espelho retrovisor. "Não dou mais esse poder a eles. À Celeste, ao Kieran. Por muito tempo, achei que evitá-los era a melhor solução." Dei uma risadinha. "Mas isso se mostrou praticamente impossível. E eu estava cansada de me sentir mal toda vez que entrava em confronto com eles." Dei de ombros, tamborilando os dedos levemente no meu colo. "Então decidi que não deixaria mais que eles ditassem como eu me sinto."

Maya acenou com a cabeça, compreendendo. "E então, você simplesmente... ignora ela? Finge que nada disso importa?"

Balancei a cabeça. "Não é fingir. Eu reconheço que ela existe, mas não dou importância. A Celeste pode fazer o seu teatro até ficar rouca, o Kieran pode lançar olhares ameaçadores como se fosse ele quem manda no mundo. Mas eu não preciso me importar com o que nenhum deles faz. Na grande perspectiva do que agora importa pra mim, eles são tão insignificantes que chega a ser hilário."

Por um momento, ela ficou em silêncio, absorvendo as minhas palavras. Depois soltou um assobio baixo. "Isso é impressionante pra caramba, Sera, sério. Invejo essa sua calma. Eu? Tô a uma provocação da Celeste de arrancar cada fio de cabelo dela."

O tom áspero dela me fez sorrir. "Por isso que você é o meu equilíbrio, Maya. Se ela passar dos limites, talvez eu só aponte na sua direção."

"Por favor," ela resmungou, com um brilho malicioso nos olhos.

Quando chegamos à minha casa, a noite estava fresca e um leve cheiro de chuva pairava no ar.

Maya estacionou na minha garagem, espreguiçando-se ao sair. Eu a segui, ajustando a alça da bolsa no ombro... apenas para parar o movimento com a visão à espera na minha porta.

Lucian.

Ele estava casualmente apoiado na porta, com os braços cruzados e o cabelo escuro captando o brilho fraco da luz da varanda.

Mesmo nas sombras, sua presença era inconfundível como um âncora, uma força estabilizadora. Meu peito apertou em uma surpresa silenciosa. Ele tinha mencionado que estaria ocupado por esses dias, indisponível até para ligações.

Vê-lo aqui, agora, parecia um alívio inesperado.

"Olha só," Maya cantarolou, me cutucando antes que eu pudesse falar. "E eu achando que você ia dormir sozinha esta noite. Acho que me enganei."

Lancei um olhar para ela, mas ela só abriu um sorriso maior e recuou. "É melhor eu ir, então."

"Você pode..."

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