PERSPECTVA DA SERAPHINA
Não tinha percebido o quanto sentia falta do ritmo do treinamento até estar de volta no tatame. O som sólido das minhas botas contra o chão, o estalo agudo no ar toda vez que os meus golpes encontravam os bloqueios do Lucian.
O complexo da SDS pulsava com a sua costumeira confusão controlada. A luz da manhã entrava pelas amplas janelas, derramando ouro pelo chão onde a Maya tinha montado uma série de novos obstáculos desenhados especificamente para mim.
Eu já não treinava nas salas privativas e minhas sessões não eram mais de exercícios genéricos. Agora, eram ajustadas para alguém entre humana e loba.
‘A anomalia da transformação parcial’, como o Lucian chamava.
Acho que ele quis que soasse como um elogio.
"De novo," o Lucian disse, com a voz suave, mas imperativa.
Enxuguei o suor da testa e reposicionei a minha postura. Meus pulmões ardiam e os meus músculos tremiam pelo esforço, mas mais do que tudo, eu sentia uma determinação teimosa se solidificando dentro de mim e me recusava a parar.
Ele me circulava lentamente, como um predador avaliando o momento certo para atacar. "Você tá mais rápida," observou. "Mais afiada. Mas o seu foco ainda vacila quando a pressão aumenta."
"Não tô vacilando," retruquei, cerrando os punhos. Eu era uma maldita árvore.
Maya, que estava no canto com o seu tablet, riu suavemente. "Você diz isso, mas sua frequência cardíaca disparou, Sera."
Revirei os olhos. "Porque tô frustrada, não com medo."
Lucian sorriu de leve. "Então use isso. Frustração é uma emoção útil quando canalizada adequadamente."
Ele se aproximou e a sutil onda da sua aura densa e sufocante de Alfa passou por mim, pressionando como uma gravidade invisível.
Meus joelhos quase cederam. Cada nervo do meu corpo gritava para que eu me rendesse, mas travei o maxilar e mantive a posição, me recusando a curvar.
"Reaja," ele disse calmamente.
"Tô tentando."
"Tente mais."
Eu alcancei a Alina, que se mexeu levemente dentro de mim. Sua energia tremeluzia, ansiosa e inquieta, mas apesar de sua força renovada, algo ainda a bloqueava, uma barreira que eu não conseguia romper.
Meu peito se apertou quando o Lucian liberou mais do seu poder e os seus olhos arderam em um prateado intenso. Então, a Maya entrou na ação, a sua aura de Beta, menos esmagadora, mas mais afiada, como lâminas invisíveis cortando o ar, se misturando com a dele.
O domínio combinado deles encheu a sala até o ar parecer pesado o suficiente para fazer qualquer um se engasgar.
"Chega!" eu ofeguei, dobrando o corpo. "Droga, eu odeio vocês dois."
Eu respirei fundo enquanto a pressão diminuía. Já não parecia que a minha pele estava se apertando sobre os ossos.
Lucian riu suavemente. "Talvez devêssemos fazer um..."
"Não." Eu me endireitei. "Sem intervalos."
Maya se moveu. "Sera, não queremos que você..."
"Vamos," eu expirei, ficando na posição de combate.
Eles trocaram um olhar prolongado antes de suspirar.
"Tá bom," Maya disse entre dentes, ajustando a tira do seu bracelete. "Você vai pela esquerda," ela disse ao Lucian. "Eu empurro pela direita."
Lucian assentiu levemente. "Lembre-se: adaptação antes de defesa."
Mal tive tempo para reagir antes que eles viessem para cima de mim.
Os ataques do Lucian eram fluidos, controlados e cada movimento era um golpe calculado, feito para testar, não para destruir.
Maya, por outro lado, era uma tempestade. Ela vinha em rajadas, a sua energia de Beta ardia intensa e rapidamente, enquanto os seus chutes cortavam o ar.
Abaixe-me para escapar do giro dela, rolei pelo tatame e me levantei por trás do Lucian. Meu punho avançou, roçando o queixo dele antes que ele agarrasse o meu pulso no meio do movimento. O impacto vibrou pelos meus ossos.
"Melhor", ele disse, com um tom irritantemente calmo.
"Não se você ainda tá de pé," murmurei.
Ele girou e eu senti a mudança no ar um instante antes dele liberar a pressão de Alfa, que me atingiu como uma força da natureza.
Meus joelhos quase tocaram o chão. O ar ficou denso, cada respiração uma luta.
"Fique de pé," ele comandou tranquilamente.
Cerrei os dentes. "Fácil falar."
Maya adicionou a sua própria energia à mistura e a dominância Beta dela se entrelaçou com a dele, mais densa e restritiva. A combinação pressionou sobre mim até que os meus pulmões gritassem.
Alina agitou-se sob a minha pele, as garras raspando, desesperada para reagir.
Me preparei canalizando a energia que crescia em meu peito. Um instante depois, avancei. A velocidade pegou a Maya de surpresa e escapei da sua guarda, depois cortei à esquerda e tirei as pernas dela do chão.
Ela caiu no chão com um som de surpresa.
Lucian era o próximo. Mirei no centro do corpo dele, mas ele desviou com uma precisão inumana, me girando e me tirando do equilíbrio. Meu pé escorregou, mas consegui recuperar a postura antes de cair.
Ele arqueou a sobrancelha. "Sua recuperação melhorou."
"Assim como a sua arrogância," retruquei, ainda ofegante.
Ele sorriu de leve, com aquela calma irritante que nunca vacilava. "De novo."
Colidimos mais uma vez, a energia do choque ecoando na sala.
Agora, eu não apenas reagia, eu antecipava.
Meus reflexos pareciam mais apurados, mais aguçados do que eu lembrava. Interceptei o golpe dele no ar, girei para trás dele e prendi o meu braço contra o peito dele.
Por um segundo, senti a centelha da vitória no meu peito.
Então, ele exalou e o peso total da sua aura de Alfa explodiu.

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