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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 85

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Acordei com o som abafado do oceano. Era um som constante e rítmico, como se toda a ilha respirasse em sintonia comigo.

Por um momento, fiquei deitada imóvel na cama larga e macia, enquanto as cortinas leves balançavam com a brisa salgada que entrava pelas portas abertas da varanda. Do lado de fora, Musha Cay brilhava com a luz do sol matutino e o horizonte estava pintado em tons de coral e rosa.

A risada do Daniel na noite anterior continuava a ressoar na minha mente, clara e brilhante como sinos ao vento. A lembrança me fez sentar, mesmo com os ombros pesados de sono, e me senti aquecida pelo pensamento de passar o dia com o meu filho.

O jantar da noite anterior foi... estranho. Os pais do Kieran tentaram demais jogar conversa fora e o Kieran permaneceu sombrio por trás de uma polida contenção. A única luz, como sempre, era o Daniel, tagarelando sobre surfe, sobre a villa, sobre como os cocos daqui eram muito mais gostosos do que em qualquer outro lugar do mundo.

Se o Daniel estava feliz, então eu estava feliz. Esse mantra me sustentou em noites piores do que a última. Ainda assim, o ar na sala de jantar era denso e senti os olhos do Kieran sobre mim muitas vezes, gerando um calor incomodo na minha nuca. Forcei-me a focar na alegria do Daniel, dizendo a mim mesma que o sorriso dele era mais importante do que o meu desconforto.

Saí da cama e vesti um robe de seda, cujo toque frio deslizou sobre a minha pele, e fui ao banheiro. Depois de um banho, trancei o cabelo ainda úmido despretensiosamente sobre um dos ombros e vesti shorts de linho azul claro e uma blusa branca solta antes de sair para o corredor.

A villa era extravagante em todos os aspectos: nos pisos de madeira teca polida, nas paredes caiadas, nas orquídeas florescendo em vasos... mas a beleza não escondia o frio que permeava os corredores.

"Cadê o Daniel?" perguntei a uma das Ômegas, uma jovem que passava carregando uma bandeja de frutas frescas. Ela sorriu, inclinando a cabeça levemente. "Na praia com o Alfa Kieran, Senhora. Eles saíram logo após o amanhecer."

Algo dentro de mim oscilou, uma mistura de alívio e inquietação em partes iguais. O Daniel estava seguro, sim, mas com o Kieran. Se eu quisesse passar um tempo com o meu filho, teria que passar um tempo com o pai dele também. Maravilha.

Segui o caminho sinuoso e rodeado de hibiscos até que a areia aquecesse os meus pés. A luz da manhã brilhava sobre o mar, com as ondas rolando em um ritmo hipnótico.

Então eu os vi.

Daniel hesitante, mas determinado, em pé em uma prancha de surfe, com o Kieran segurando-o firmemente e com uma mão nas costas dele. Daniel soltava gargalhadas enquanto balançava, quase caindo antes de recuperar o equilíbrio. Kieran também ria, com um som surpreendentemente caloroso ecoando pela água.

Parei no limite das palmeiras e prendi a respiração. Eles pareciam... uma família.

Eu deveria sentir apenas alegria, mas a inveja torcia dolorosamente no meu peito. Não pela felicidade do Daniel, que também era a minha, mas pela facilidade que o Kieran parecia ter com ele. A facilidade que ele nunca teve comigo.

Daniel foi o primeiro a me ver. "Mãe!" Sua voz saltou de empolgação e ele levantou o braço em um aceno que quase o fez cair na água. "Vem ver! Tô mostrando ao Papai os meus truques no surfe!"

Alguém deveria inventar um termo diferente para os filhos chamarem os pais divorciados. Ouvir o Daniel nos chamar de 'papai' e 'mamãe' como se fôssemos uma família feliz me deixava desconfortável.

Então, o Kieran se virou e o seu olhar cruzou com o meu sobre a água. Por um instante, o mundo se reduziu apenas aos seus olhos e à lembrança da boca dele na minha no iate, que ainda estava gravada na minha mente.

Desviei o olhar, forçando um sorriso enquanto o Daniel pulava da prancha e corria na minha direção, espalhando água para todos os lados.

"Você tem que tentar," ele insistiu, com a água escorrendo dele enquanto puxava a minha mão. "Vamos, mãe, você vai adorar. Eu posso te ensinar!"

Eu ri, embora sentisse um nervoso no estômago. "Você? Vai me ensinar?"

"Claro," Daniel disse, orgulho, estufando o peito. "O Pai diz que eu tenho um talento natural."

A voz do Kieran se fez ouvir através das ondas. "Ele não tá errado."

Ignorei a sensação de arrepio que o tom despreocupado dele me causava e deixei que o Daniel me arrastasse para o mar.

A água fria subia ao redor dos meus tornozelos, depois dos joelhos.

Reprimi o meu medo da água, tentando me concentrar na areia molhada sob os meus pés, na voz do Daniel e na presença do Kieran, por mais desconfortável que fosse. Basicamente, me concentrei em qualquer coisa, menos na imensidão de água que se estendia sem fim à minha frente.

Daniel empurrou uma prancha menor na minha direção, claramente dimensionada para iniciantes.

"Ok, mãe," ele disse, sério como um pequeno soldado, "você tem que deitar primeiro. Assim." Ele demonstrou com uma seriedade exagerada, depois se levantou rapidamente. "E, quando a onda vier, você se apoia com os braços e levanta. Fácil."

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