Entrar Via

Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 84

PERSPECTIVA DO KIERAN

O nome Blackthorne significava algo em cada canto do mundo, mas aqui, na minha Ilha, significava posse.

Musha Cay se estendia diante de nós com as suas areias brancas reluzentes e águas cristalinas turquesa. Era o tipo de paraíso que as pessoas pagam centenas de milhares para alugar por um fim de semana.

As palmeiras se curvavam sob os ventos alísios, os caminhos bem cuidados brilhavam como uma paisagem de um folheto de resort e as câmeras discretas acompanhavam todos os ângulos.

Sentinelas que juraram proteger o meu filho com as suas vidas estavam parados em postos de controle invisíveis, misturando-se à vegetação, com uma presença silenciosa, mas absoluta.

O iate ancorou suavemente e a tripulação pulou para prender as cordas. Eu pisei no cais com a facilidade de quem já fez isso centenas de vezes, mas os meus olhos não estavam na paisagem ou nos funcionários alinhados com os seus uniformes impecáveis.

Estavam nela.

Seraphina.

Ela estava ajoelhada, com os braços do Daniel ao redor do seu pescoço como se nunca fosse soltá-la.

A risada brilhante e despreocupada do nosso filho ecoava sobre a água e mexia com algo profundo dentro de mim. Os olhos brilhantes dele a olhavam como se ela fosse todo o seu mundo.

Pela primeira vez, eu podia ver o impacto que a separação deve ter causado neles e a culpa apertou o meu estômago.

Eu sabia que deveria me juntar a eles, abraçar o Daniel e me reunir com a minha família.

Porém, algo me manteve parado até que a voz do Daniel me alcançou.

"Papai!"

Para ser honesto, eu estava um pouco... preocupado com a reação do Daniel ao me ver, considerando a tensão no nosso relacionamento nos últimos meses, mas essa preocupação se derreteu sob o calor do seu sorriso radiante enquanto ele se desvencilhava da Sera e corria direto até mim, sua risada ressoando ao fundo.

Eu o peguei no meio da corrida, levantando-o do chão enquanto ele envolvia os braços firmemente ao redor do meu pescoço.

Meu peito se apertou quando dei um beijo no cabelo dele, inalando seu cheiro aquecido pelo sol. "Que saudade de você, Campeão."

"Eu senti mais saudades!" ele declarou, afastando-se para me lançar um grande sorriso.

A Sera estava um passo atrás dele. Parecia composta, de queixo erguido, mas a leve rigidez na sua postura a entregava.

As mãos dela alisaram a camisa do Daniel enquanto ela nos observava e algo indecifrável passou pelo seu rosto.

Antes que eu pudesse me deter na expressão dela, o perfume familiar da rosas da minha mãe tomou conta do ar. "Kieran," ela suspirou, vindo na minha direção com os braços abertos.

Coloquei o Daniel no chão assim que a minha mãe chegou até mim. Ela me envolveu em um abraço que, apesar de sua elegância, ainda carregava a força inabalável de uma Luna. "Meu filho. Você parece…" Os olhos cinza e perspicazes dela se estreitaram. "…cansado."

"Eu tô bem, mãe," garanti, forçando um leve sorriso.

"Bem," meu pai repetiu, com a voz áspera e cética ao se aproximar de mim. Ele apertou o meu ombro com uma pegada que era tanto de apoio quanto de análise.

Os olhos afiados dele vasculharam-me como se lessem a verdade sob a pele. "Você emagreceu."

"Não emagreci," respondi suavemente. "O ar do mar não é gentil comigo, só isso."

Minha mãe segurou o meu rosto, franzindo a testa. "Diga-me, como estão as coisas na Alcateia? E..." a pausa dela foi proposital, extremamente proposital "e com a Celeste?"

Senti o olhar da Sera em mim, embora ela fingisse estar ocupada ajustando a gola do Daniel.

"As coisas na Alcateia estão... estáveis," eu disse, mantendo a voz calma. "Nada com o que vocês precisem se preocupar. Quanto à Celeste..." mantive o meu tom seco, comedido, não expondo mais do que a cortesia exigia, "ela tá bem."

Minha mãe arqueou uma sobrancelha, não satisfeita. Meu pai cruzou os braços e o seu silêncio pesou mais do que palavras.

Inclinei ligeiramente a cabeça, um pouco incomodado com as atitudes deles. Eles sempre apoiaram muito a Celeste, então por que estavam agindo de uma forma tão… estranha?

"Mãe!" Daniel exclamou de repente, pulando nos seus calcanhares enquanto segurava a mão dela. "Quero te mostrar tudo! Vem!"

O sorriso radiante e belo da Sera se abriu e o pensamento de que ela nunca havia me dirigido um sorriso assim fez o meu peito se apertar.

Ela permitiu que ele a puxasse pela mão, lançando-me um olhar breve e indecifrável.

Eu os observei enquanto se afastavam de mãos dadas, a vozinha do Daniel cheia de orgulho enquanto ele fazia o papel de guia de turismo. O aperto no meu peito ficou mais agudo e profundo.

Minha mãe seguiu o meu olhar, depois voltou os olhos para mim, agora mais afiados. "Ele adora ela," disse simplesmente. "Aquele menino não sorria assim há semanas."

"Ela é a mãe dele," respondi, com a voz saindo um pouco rouca.

Ela assentiu e comentou casualmente, quase como se estivesse jogando conversa fora: "A Seraphina criou ele muito bem. Ele é uma criança incrível."

"Ele é."

E eu sabia que não podia reivindicar nenhum crédito por isso. O Daniel era uma criança incrível porque a Seraphina era uma mãe incrível. Simples assim.

Ela deu a ele todo o amor e cuidado que ela mesma não teve. Ela não via a família que construímos como uma prisão ou algum tipo de punição pelo nosso erro. Ela genuinamente tentou fazer o melhor com o cenário que a vida apresentou pra ela.

E eu tornei essa vida um inferno gelado.

Agora que ela estava livre de mim, eu não tinha nem a decência de recuar.

Sonhei com ela na noite passada, com seu toque, seus lábios. Acordei com um desejo que eu não tinha direito de sentir e a beijei com uma imprudência que pertencia a outro homem.

E ela me mordeu e me empurrou, além de dizer, com firmeza na voz: 'Mantenha distância, Alfa.'

Minha mandíbula se apertou.

"Vou com eles", anunciei em voz baixa. "Por favor, verifique se as nossas malas serão deixadas nos nossos quartos."

Não esperei pela resposta da minha mãe enquanto me afastava pelo caminho, mas seu olhar conhecedor permaneceu em mim, tão tangível quanto o calor do sol no meu pescoço.

A Ilha se desdobrava em luxo enquanto o Daniel puxava a Sera de uma maravilha para a outra. Ele queria mostrar tudo para ela: a lagoa com fundo de vidro onde as arraias deslizavam, a piscina de borda infinita que se mesclava com o mar, as cabanas em forma de concha espalhadas pelas enseadas privadas...

Capítulo 84 1

Capítulo 84 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei