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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 94

PERSPECTIVA DA CELESTE

"Isso é mesmo necessário?"

"Não tenho certeza se sei do que você tá falando."

Ethan estava parado na entrada da sala de estar com os braços cruzados e a luz da manhã se projetando atrás dele, transformando a sua expressão em uma silhueta de julgamento.

"Ligar pra Sera. Pedir pra ela encurtar a visita ao Daniel." Sua voz estava baixa e perigosamente controlada. Era a voz que ele usava para liderar a nossa Alcateia como Alfa. Uma voz que ele raramente usava comigo.

"E daí?" Passei a mão pelo cabelo, mantendo o tom despreocupado. "A Mamãe tá no hospital, lembra? Ou você não se importa mais?"

Ele deu um passo mais para perto de mim e eu apertei o meu celular com mais força.

Eu tinha acabado de encerrar a ligação com o Kieran e, mesmo agora, a memória da sua voz pairava nos meus ouvidos, áspera, relutante, desconfiada.

Como todas as vezes que conversamos enquanto ele estava naquela Ilha.

"Ah, eu me importo," Ethan disse, me observando com uma sobrancelha levantada e aqueles olhos inquietantes acompanhando os meus. "Por isso corri pro hospital quando fiquei sabendo. E os médicos nos disseram que o estado dela não é grave. Ela desmaiou, só isso. Estresse, exaustão, tristeza pela morte do Pai. Você fez parecer que ela tá à beira da morte, não recebendo uma massagem na ala de bem-estar do hospital."

Meu pulso acelerou, mas eu ergui o queixo, fingindo não estar abalada.

"Tanto faz. Tô apenas dando à Sera a chance de ser uma boa filha e ajudar a mãe em um momento de dificuldade. Por que isso é tão errado?"

Os olhos do Ethan se estreitaram e uma onda de irritação passou por mim. Que droga, por que ele estava me analisando tão minuciosamente? Não era ele que sempre lamentava a falta de união da nossa família? Como se algo assim um dia tivesse existido entre os Lockwoods.

"Admita, Celeste," ele disse, firmemente. "Você só queria tirar a Sera daquela Ilha."

Dei uma risada irônica. "Por que eu ia querer isso?"

"Me diga você. Ela não via o Daniel há meses e agora tá voltando por uma hipérbole."

Revirei os olhos. "Me condene por estar preocupada, Ethan. Eu só tô tentando ser uma boa filha e uma boa irmã, qual é o problema?"

"Tem certeza de que você não tava só tentando separar o Kieran dela?"

Eu congelei e o calor subiu pelo meu pescoço.

"Eles já estão naquela Ilha há tempo suficiente," rebati antes de conseguir me controlar. "Você ao menos imagina o que pode acontecer? Ela tá lá sozinha com ele. Sozinha com o meu Kieran." Minha voz falhou ao pronunciar o nome dele e disfarcei como se fosse raiva. "Você acha que a Sera não vai aprontar nada? Que não vai tentar seduzir ele? Depois de tudo que ela já fez?"

Ethan apertou a ponte do nariz. "Deuses, Celeste..."

"O quê?" Exigi.

A mão dele caiu e os olhos se estreitaram. "Você se ouve? Isso é a paranoia falando, não a razão. A Sera e o Kieran estão divorciados, a única coisa que os mantém próximos é..."

"O Daniel, sim, como todo mundo insiste em me lembrar!" Cruzei as pernas e os braços, tentando segurar o tremor do corpo.

O silêncio do Ethan me acusava mais do que qualquer palavra. Eu odiava quando ele me olhava assim, como se visse direto através de mim, até os lugares que eu mantinha trancados.

Eu queria que o meu irmão simplesmente fosse embora, que fosse ver a Mãe no hospital ou voltasse para tal companheira rude, arrogante, maldita dele.

"Você não ligou porque se importa com a Mãe ou com o relacionamento dela com a Sera," ele afirmou com ênfase, e insistiu, "Você ligou pra tirar a Sera daquela Ilha. Não me minta, Celeste. Você a odeia desde que éramos crianças."

Eu ri, liberando um som frio e cortante, mas esperando que parecesse um riso de divertimento em vez de um riso gélido. "Ódio é uma palavra forte. Eu não a odeio."

A mentira tinha um gosto amargo.

Eu odiava a Sera.

"Tá bom, talvez você não a odeie, mas obviamente trata ela muito mal. Desde que éramos crianças, parece que você tem algo contra ela, um enfoque, sei lá. Francamente, Celeste, é cansativo de ver."

As palavras foram como um tapa. Dei um passo para trás, mas o orgulho me obrigou a zombar. "Ah, então agora você é o defensor dela? É isso mesmo? A Maya te influenciou? Ela já sussurrou veneno suficiente no seu ouvido pra te cegar e te jogar contra a sua própria irmã?"

A menção à companheira impulsiva dele acendeu uma faísca no Ethan. O maxilar dele se apertou e notei o seu lobo à flor da pele.

Eu conhecia aquele olhar, era o que ele tinha quando alguém feria o seu orgulho. Supus que, atualmente, o orgulho se estendia a... Ah! Ela.

"Você vai respeitar a minha companheira." As palavras dele soaram como uma ordem e a voz como ferro.

"Você acha que foi a única que sofreu injustiças no mundo," ele insistiu, agora mais suave, quase suplicando. "Mas o mundo não funciona assim. E a Sera..."

"Não diga o nome dela!" Eu gritei.

O som saiu de mim me rasgando cruamente e o meu corpo tremeu como se eu tivesse me rompido por dentro. O Ethan estremeceu, mas eu não me importei.

"Você não entende," eu cuspi. "Você nunca vai entender até encontrar a Maya na cama com o seu irmão. O Kieran é meu. Ele era meu antes mesmo da Sera aparecer rastejando na história. Ela o roubou de mim. Ela roubou tudo de mim!"

"Deuses," Ethan sussurrou, com os olhos se arregalando de horror. "Escute a si mesma. Você consegue ouvir a loucura na sua voz?"

Eu avancei na direção dele, apontando o dedo com força no ar. "Saia!"

"Celeste..."

"SAIA!" Minha garganta queimava e os meus olhos estavam embaçados. "Você não sabe de nada! Você acha que a sua companheira perfeita abriu os seus olhos? Ela te cegou, assim como a Sera cegou todo mundo. Mas eu vejo a verdade. Sempre vi. E nunca, jamais, deixarei que a Sera tire qualquer coisa de mim novamente!"

A sala caiu em um silêncio tenso após os meus gritos. Meu peito arfava e a minha pele estava coberta de suor.

Ethan hesitou por um momento, com a decepção e a raiva persistente marcadas profundamente na sua expressão, então se virou e saiu. A porta se fechou atrás dele com um som de finalidade que parecia abandono.

Afundei no sofá, tremendo.

Meus olhos caíram no meu pulso, onde estava tatuado o desenho... Dois lobos circulando sob a lua cheia.

Escolhi aquele símbolo para marcar a minha pele enquanto o nome do Kieran estava gravado no meu coração.

Meus dedos seguiram as linhas do desenho, repassando a memória daquela noite, daquela promessa, reforçando mais uma vez a minha determinação.

O Kieran era meu, sempre foi, sempre será. E eu o reivindicaria antes que alguém tivesse a chance de descobrir o que eu estava escondendo.

Não importa o quanto custasse.

E, se alguém se atrevesse a ficar no meu caminho, a Sera, a Maya, o Ethan, até mesmo o destino, eu asseguraria que esse fulano nunca mais ousasse fazer o mesmo.

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