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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 95

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O hospital tinha aquele cheiro típico de antisséptico e lençóis fervidos, um aroma cortante e estéril que aflorou os meus nervos no instante em que passei pelas portas de vidro deslizantes e fui bombardeada com memórias dolorosas da última vez que fui chamada ao quarto de hospital de um dos meus pais.

Kieran colocou a mão suavemente no meu cotovelo quando parei a poucos metros da entrada, tentando recuperar o fôlego.

"Sera." A voz dele estava estranhamente suave e inquietantemente gentil. "Quer que eu entre com você?"

Balancei a cabeça, afastando-me dele. Durante a viagem toda, sustentamos uma trégua frágil e eu não queria que ele pensasse que, agora que estávamos de volta à Califórnia, isso tinha acabado.

Por mais que eu não quisesse enfrentar sozinha a possibilidade da minha mãe estar gravemente doente, também não queria depender do apoio do Kieran.

Especialmente porque ele não estava ali quando o meu pai faleceu.

"Eu tô bem," disse baixinho, antes de me dirigir ao balcão da enfermagem.

Cinco minutos depois, as portas do elevador se abriram no último andar.

Com toda a urgência com que o Kieran e eu tínhamos deixado a Ilha, eu meio que esperava encontrar o quarto da minha mãe cercado por médicos, máquinas apitando, enfermeiras saindo e entrando com expressões sérias.

Em vez disso, encontrei-a sentada ereta na cama, apoiada em muitas almofadas, com o cabelo bem penteado, um robe de seda clara sobre os ombros e um copo de água com pepino nas mãos cujas unhas tinham sido feitas recentemente.

O monitor marcava uma pulsação ritmada, tranquila, como se zombasse do meu próprio coração acelerado.

Meus pulmões relaxaram de repente. Um alívio intenso tomou conta de mim, tão agudo que quase me deixou tonta.

Ela não estava morrendo. Nem perto disso.

Na verdade, ela parecia até mais saudável do que eu, e eu tinha acabado de voltar do maldito Caribe.

De repente, a desconfiança se enroscou no vazio do meu estômago.

Claro. Celeste.

Eu deveria ter imaginado que não devia dançar conforme a música dela. Quando foi que tivemos uma interação que não tinha um motivo oculto?

Como pude acreditar nela de forma tão cega e ingênua?

Ainda assim, uma pitada de dúvida me corroeu quando a minha mãe levantou os olhos do livro no seu colo para encontrar os meus.

A expressão dela, com destaque para uma sincera surpresa que ampliava o seu olhar, não era a atuação calculada que eu esperaria se ela estivesse envolvida nas tramoias da Celeste.

"Sera?" A voz dela vacilou entre a descrença e algo mais suave, quase hesitante.

O som pressionou contra uma ferida interna que eu não queria examinar.

"Eu... tava preocupada", eu disse, as palavras saindo mais afiadas do que eu pretendia. "A Celeste disse que você tinha sido hospitalizada. Viemos direto da Ilha."

O olhar dela suavizou e ela pousou delicadamente o copo na mesinha ao lado da cama, perto de uma tigela de salada de frutas. "Você veio... por minha causa?"

Eu exalei lentamente e me aproximei. "Como você tá se sentindo?"

Ela alisou o robe, como se estivesse envergonhada pela atenção. "Foi um mal-estar, só isso. Os médicos disseram que não é nada sério. Cansaço, um pouco de desidratação... a idade tá avançando onde eu gostaria que não avançasse."

Um alívio me trespassou de novo, mas estava misturado com amargura.

Eu deixei para trás a risada e o amor do Daniel na areia ensolarada para isso?

Os esquemas da Celeste sempre me tiravam a paz, mas desta vez ela tinha extrapolado.

Margaret acenou para a cadeira ao lado da cama. "Sente-se aqui, Seraphina."

Eu hesitei, mas a gentileza, ou talvez o meu próprio cansaço, me guiou até o assento.

O silêncio entre nós era sufocante, estranho devido ao constrangimento. Minha mãe olhou para mim e depois desviou o olhar, como se não soubesse por onde começar.

"E o Daniel?" ela finalmente perguntou, com uma voz mais suave do que eu me lembrava. "Como tá o meu menino?"

Meu coração se acalmou. Eu nunca conseguiria guardar sentimentos ruins quando o assunto era o Daniel. "Ele tá muito bem. Cresceu nas últimas semanas, eu juro. E nunca se cansa da praia: coleciona conchas, constrói fortes na areia, surfa nas ondas..." Me contive antes de me perder em divagações.

Ela não precisava de uma lista das pequenas alegrias que eu guardava como pérolas raras. Minha mãe e eu não éramos de conversar assim, de falar de amenidades. Era estranho e desconfortável demais continuar.

Os lábios dela se curvaram levemente. "Ele sempre me lembrou o seu pai, animado e aventureiro." Ela riu suavemente. "Você podia deixar aquele homem em uma caverna de gelo no meio do nada e, quando voltasse, encontraria uma maravilha glacial."

Eu congelei.

Não foi tanto pela menção ao meu pai, mas como ela havia feito isso, como se fôssemos uma família normal, relembrando acontecimentos. Como se estivéssemos unidas no nosso luto.

Capítulo 95 1

Capítulo 95 2

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