A expressão de Jorge congelou por alguns segundos, como se duvidasse do que tinha acabado de ouvir.
— O que você disse?
— Eu disse, divórcio! — Alice repetiu, com o coração apertado.
Ela já havia mencionado a palavra divórcio ontem, durante aquele banquete de casamento absurdo. Pelo visto, Jorge se importava tão pouco com ela a ponto de sequer lembrar o que ela tinha dito.
Vendo que a situação estava prestes a sair completamente do controle, Dona Ester rapidamente se aproximou com as marmitas já embaladas.
— Sr. Cavalcanti, a comida já está nas embalagens. Leve logo para a Srta. Sabrina enquanto está quente, não vai ficar bom se esfriar.
Jorge pegou as marmitas e lançou um olhar frio e penetrante para Alice.
— Vou te dar um tempo para pensar melhor. Alice, eu não vou tolerar a sua teimosia mais uma vez.
Dito isso, saiu de casa segurando a comida, envolto em uma aura gélida.
Dona Ester o acompanhou até a porta e, logo depois, virou-se para reclamar com Alice.
— Senhora, pare de ser tão teimosa. Escute o Sr. Cavalcanti, vá pedir desculpas à Srta. Sabrina e tudo isso fica para trás. A Srta. Sabrina é uma pessoa tão boa, você realmente não deveria...
Alice lançou um olhar cortante para Dona Ester e caminhou direto para fora da cozinha.
Dona Ester ficou plantada onde estava, genuinamente assustada com aquele olhar. Era uma faceta de Alice que ela jamais tinha visto.
...
Ao voltar para o quarto, Alice viu as duas malas que já estavam prontas.
Ela precisava encontrar um lugar para ficar o mais rápido possível, a fim de poder sair dali de uma vez por todas.
Pela manhã, havia combinado com o veterano Dr. Lima de irem visitar o professor deles. Vendo que a hora se aproximava, Alice reuniu suas forças, deu um trato rápido na aparência, vestiu uma roupa qualquer e saiu.
Na sala do primeiro andar, ela encontrou Dona Ester, que fez um gesto para falar. No entanto, Alice simplesmente a ignorou, sem nem ao menos olhar em sua direção.
Seguindo o endereço que o Dr. Lima lhe dera, Alice chegou à casa de repouso onde o Sr. Alberto Almeida estava instalado. A instalação ficava atrás do Hospital Central de Alvorada e era exclusiva para altos funcionários e especialistas de renome nacional.
— Só nos resta um último caminho agora. — Jorge olhou para Jonas. — O instituto do Sr. Alberto Almeida.
— Sr. Alberto? — Jonas obviamente conhecia aquela lenda da área. — Mas dizem que a saúde dele está fragilizada e que ele já se afastou da linha de frente.
— É verdade. — Jorge concordou com a cabeça. — Agora quem comanda o instituto é o aluno dele, o Dr. Lima. O Dr. Lima disse que o Giroscópio de Cristal Quântico do centro de pesquisa deles tem grandes chances de ser compatível com o nosso sistema. No entanto, os parâmetros exatos só são conhecidos pelo Sr. Alberto e pelo fundador desse projeto.
— Mas o Sr. Alberto nem recebe visitas hoje em dia, não é?
Jorge assentiu com um tom de voz pesado.
— Por isso, o Dr. Lima prometeu tentar contato com o tal fundador. O problema é que, até agora, a pessoa não respondeu.
— Quem é essa pessoa? Que tipo de gênio arrogante é esse? — Havia angústia no olhar de Jonas, afinal, bastaria a intervenção do dito fundador para a crise da empresa deles ser resolvida num piscar de olhos.
Jorge balançou a cabeça.
— Ninguém sabe. Ele nunca apareceu publicamente. A única coisa que se sabe é que já foi o aluno favorito do Sr. Alberto, dotado de um talento ímpar. — Jorge olhou para o céu azul pela janela, com o tom carregado de certeza. — Não importa o meio, nós precisamos entrar em contato com ele. Desde que ele concorde com a parceria, ele pode ditar os termos que quiser.

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