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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 128

Depois de trocar de roupa, Alice Almeida chegou ao Bistrô L'Escale, onde Sebastião Santos estava, em exatos trinta minutos.

Como não era de surpreender, não havia nenhum outro cliente no restaurante além dele.

Guiada pelo garçom, Alice Almeida foi até a mesa de Sebastião e sentou-se à sua frente.

Daniel Duarte, demonstrando perspicácia, ficou na porta do restaurante para impedir que Catarina Yunes entrasse para atrapalhar os dois.

Naquela noite, Sebastião vestia um terno sob medida que caía perfeitamente em seu corpo. Os diamantes na gola e nas abotoaduras emitiam um brilho deslumbrante, realçando ainda mais a elegância e a nobreza daquele rosto já belo e requintado.

— Pode servir — disse o homem ao garçom.

Pouco tempo depois, as entradas chegaram. Alice Almeida levantou-se da cadeira e, sob o olhar confuso de Sebastião, caminhou até o lado dele. Ela pegou o guardanapo da mesa e, como uma garçonete, estendeu-o sobre o colo do homem.

— O que você está fazendo? — O olhar de Sebastião escureceu e ele questionou em um tom gélido.

Alice não respondeu. Após ajeitar o guardanapo, começou a servir-lhe vinho tinto.

O garçom, cujo "trabalho" havia sido usurpado, permaneceu parado, sem saber como reagir.

— Alice Almeida, o que você está fazendo? — Sebastião aumentou o tom de voz. — Eu a chamei aqui para jantar, não para ser garçonete!

— Ah, é mesmo? — Alice parou o que estava fazendo, levantou os olhos e olhou para ele com um tom de escárnio. — Não foi você mesmo quem disse, Sr. Santos, que servi-lo bem também fazia parte da compensação?

Sebastião fechou a cara, seu peito subindo e descendo. Ele claramente estava furioso.

Parado na porta, Daniel Duarte mal ousava respirar.

A única pessoa capaz de deixar o patrão com tanta raiva assim era a Srta. Alice.

Alice Almeida colocou a garrafa de vinho na mesa e voltou para o seu assento, sem demonstrar o mínimo interesse na deliciosa entrada à sua frente.

— Isso é o suficiente, Sr. Santos? Como mais você quer me humilhar? Diga de uma vez. Farei tudo agora, e depois as nossas contas e favores estarão acertados.

— Eu, te humilhando? — Sebastião soltou uma risada amarga, pegou a taça de vinho que ela havia enchido até a metade, tomou um grande gole e a bateu com força na mesa. — Alice Almeida, onde você está com a cabeça? Acha que estou te humilhando?

Sem olhar para trás, Alice Almeida saiu do Bistrô L'Escale e entrou diretamente no elevador.

Dentro dele, ela olhou para os números subindo. Seu coração estava firme e tranquilo.

Ela não precisava de explicações, não precisava saber quais dificuldades ele enfrentara. Quem não tinha suas dificuldades?

E mesmo que ele as tivesse, isso mudava alguma coisa? Ele poderia suportar a dor que ela sentiu há sete anos no seu lugar?

Não apenas não podia, como, há sete anos, o próprio Sebastião havia sido a lâmina que a ferira mais profundamente.

Ao voltar para o quarto, Alice Almeida arrumou as coisas e deixou o resort com Catarina Yunes naquela mesma noite. Quanto ao que Sebastião pensava, ela não se importava nem um pouco.

Ainda menos ela sabia que, pouco depois de sua partida, todo o resort explodira com uma notícia terrível.

O iate que levava Jorge Cavalcanti e Sabrina Saraiva havia encontrado a forte correnteza simultaneamente com a chuva torrencial e ficara preso no mar, impossibilitado de ser resgatado.

Segundo relatos, o desastre já havia resultado em um morto e três gravemente feridos!

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