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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 244

Talvez fosse por causa daquele empurrão de Júlio, mas a região lombar de Alice continuava doendo ligeiramente.

Ela não conseguia distinguir se era algo psicológico ou uma dor física genuína; só sabia que incomodava.

Não era um sofrimento avassalador, mas sim um incômodo torturante, uma fisgada constante que parecia penetrar nos seus ossos.

Essa sensação a deixou rolando de um lado para o outro na cama, incapaz de pregar os olhos.

Por fim, acendeu a luz, foi até o escritório, pegou um livro, mas sua atenção se recusava a focar nas palavras.

Através da janela, o farol familiar de um carro cortou a escuridão do vidro novamente.

Alice levantou a cabeça e espiou lá fora.

A pessoa daquele carro estava voltando tarde hoje.

Ela não tinha a mínima ideia de quem dirigia o veículo que frequentemente passava em frente a sua casa. Jamais chegara sequer a observar o modelo ou a placa do carro.

Porém, curiosamente, sentia uma estranha e inexplicável familiaridade com ele.

Mesmo sendo uma pessoa desconhecida que nem sabia de sua existência, havia algo reconfortante no simples fato do carro transitar por ali todas as noites.

Talvez porque, logo no começo, aquele carro a tirou da situação em que a sua autoestima estava se destruindo.

Alice deu um pequeno sorriso e voltou seus olhos para as páginas do livro.

Dentro do carro, Daniel Duarte olhou para o segundo andar da casa.

— Patrão, a Srta. Almeida ainda está acordada.

Sebastião Santos consultou a hora. Já passava da uma da manhã, e seu cenho franziu ligeiramente.

— A propósito, patrão, já segui as suas ordens e fiz uma doação no seu nome pessoal para a região serrana onde a Srta. Almeida estava em viagem de negócios. Também contatei uma equipe especializada para ajudar a comunidade na reconstrução após os estragos — relatou Daniel.

— Certo — assentiu Sebastião, mantendo seus olhos fixos na janela de Alice até que ela desapareceu de vista.

Acompanhando toda essa cena, Daniel não conseguiu segurar a língua:

— Patrão, se o senhor está tão preocupado com a Srta. Almeida, por que não vai atrás dela?

Qual seria o sentido de fazer tudo aquilo às escondidas se ela sequer desconfiaria do seu gesto?

— Com qual olho você deduziu que eu estou preocupado com ela? — O olhar de Sebastião escureceu, respondendo com um tom gélido.

Daniel encolheu os ombros e fechou a boca obedientemente. Ele, na verdade, já esperava esse tipo de resposta.

O patrão era orgulhoso e teimoso de cima a baixo!

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