Pensando bem, em toda Alvorada, exceto pelos magnatas bilionários como a família Santos, era quase impossível essas damas da sociedade quererem ver alguém e não conseguirem.
— Você... — Zélia sentiu uma vontade enorme de anunciar em público a grandiosidade de Alice. No entanto, percebeu que revelar as identidades da jovem naquela situação seria como cair na armadilha de ter que provar a si mesma, parecendo infantil. Além do mais, as madames não acreditariam nela e só achariam que estava se gabando.
Enquanto Zélia debatia internamente sobre a melhor maneira de se expressar...
Ao seu lado, Alice ergueu a mão para cobrir os lábios e imitou a leve risadinha que aquelas dondocas haviam acabado de dar.
A risada soou clara e leve, parecendo o tilintar de pequenos sinhos ao vento.
O olhar de Dona Glória Gouveia transferiu-se para Alice:
— Do que você está rindo?
Alice baixou a mão e separou suavemente os lábios vermelhos:
— Antes de chegar aqui, eu acreditava que o Círculo das Damas seria repleto de mulheres elegantes e intelectuais.
Dona Glória ergueu as sobrancelhas; de fato, elas eram o ápice da elegância e do intelecto.
Para a sua surpresa, Alice prosseguiu:
— Mas agora que estou aqui, percebo que essa suposta elegância e inteligência não passam de uma máscara para a maldade delas.
— Você! — A fisionomia de Dona Glória enrijeceu. E os sorrisos das que a haviam seguido há pouco também murcharam em reprovação.
Mas o rosto de Alice continuava calmo e impassível.
— A verdadeira elegância e intelecto residem na generosidade. Mas é evidente que as pessoas nesta sala, especialmente as que soltaram risinhos agorinha mesmo, não possuem nenhuma dessas virtudes.
Dona Glória tinha uma expressão carregada e ameaçadora, e sua boca se abria e fechava. Se dissesse qualquer coisa agora, só confirmaria sua falta de generosidade e sua natureza perversa.
No final, ela só pôde arregalar os olhos para Zélia e murmurar:
— Sra. Oliveira, sua sobrinha tem mesmo uma língua afiada.

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