Jorge franziu os lábios, com resquícios de hesitação relampejando em seu olhar. Por fim, sob o contínuo coro de "um beijo", aproximou-se devagar dos lábios rubros de Sabrina.
Ela fechou os olhos e ergueu a cabeça, como uma princesa à espera do beijo salvador de um príncipe.
A agitação se acalmou, e a suave melodia romântica começou a tocar.
Todo o ambiente do casamento parecia afundar-se em um oceano de romance.
E foi exatamente nesse instante que uma salva de palmas inoportuna irrompeu, interrompendo tudo.
— Excelente! Magnífico! Um beijo! — Alice avançou batendo palmas, seus saltos ecoando em batidas sonoras pelo chão em direção ao altar.
E assim, ela emergiu das sombras para adentrar o brilhante e romântico altar.
O casamento despencou num estado de confusão total, com todos os olhares estarrecidos pousando sobre Alice, que brotara no palco.
O que estava acontecendo?
Quem era aquela mulher?
Como ousava ter tamanho desrespeito em meio a uma cerimônia de casamento alheia? O que ela estava fazendo lá em cima?
— Ei, você não era parente da família do Jorge? O que está fazendo no altar? Desça logo! — O Sr. Saraiva mudou drasticamente sua atitude com relação a Alice e a repreendeu com a expressão fechada.
Afinal, aquele casamento era a oportunidade de ele e de toda a família Saraiva ostentarem seu triunfo. Todos na cidade invejavam sua filha por ter arrumado um marido tão rico e influente. Ainda que ele tivesse um filho de seis anos, a criança adorava a Sabrina. Assim que se casasse, a moça viveria como uma verdadeira dondoca.
Sendo assim, ninguém estava autorizado a arruinar aquele evento.
Os funcionários da agência de casamentos também se aproximaram e tentaram puxar Alice para baixo.
— Senhora, a cerimônia ainda não acabou. Pessoas não autorizadas não podem ficar no palco.
Esquivando-se dos organizadores, ela deu mais alguns passos à frente, seu olhar cravado em Jorge:
— Eu não sou "não autorizada", e sim uma parente de Jorge Cavalcanti. Jorge, diga a eles: qual o nosso grau de parentesco?
Ao vislumbrar Alice, Jorge exibiu um brilho de pânico no olhar, que logo se transmutou em testa franzida, advertindo-a em voz gélida:
A filha da família Saraiva era amante!
A esposa legítima batera na porta do próprio casamento da amante?
Pálida como um espectro, Sabrina recuou trêmula até as costas de Jorge.
— Eu... eu não sabia...
— Não sabia o quê? Não sabia que era a terceira pessoa? Não sabia que Jorge Cavalcanti já tem uma esposa legítima? Ou você sabia perfeitamente de tudo isso e se deleita no fato de ser amante?
— Alice Almeida! — repreendeu Jorge, num tom cortante, crivando-a com um olhar sombrio.
— Eu... — Muito agitada, Sabrina lançou um olhar aos prantos a Jorge; em seguida, desmaiou rumo ao abraço dele. As lágrimas borravam a belíssima maquiagem em seu rosto, enquanto ela apenas cobria a boca, emudecida, desmoronando qual uma frágil flor destroçada.
— Ah! Mamãe! Não pode maltratar a tia Sabrina! — O pequeno Júlio correu até Alice, balançando os bracinhos para empurrá-la repetidas vezes. — Vá embora, mamãe! O casamento é do papai e da tia Sabrina! Vai embora daqui! Vai logo!
Imóvel, ela encarou o próprio filho, sentindo cada pequeno e fervoroso empurrão golpear seu peito feito um martelo de ferro.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!