Quebrar as pernas da Srta. Alice?
Daniel Duarte balançou as mãos freneticamente.
— Claro que não! Patrão, aqui é Alvorada, não Porto Real. Temos que seguir a lei aqui...
Sebastião Santos não teve paciência para ouvir os murmúrios de Daniel. Soltou um riso anasalado e continuou caminhando em direção ao interior do sanatório.
As longas pernas de Sebastião davam uma passada equivalente a duas de qualquer pessoa comum.
Daniel se apressou para acompanhá-lo. Com seu um metro e oitenta, perto de Sebastião, ele parecia um chaveirinho animado que falava sem parar.
— O que quero dizer é que o senhor finalmente encontrou a Srta. Alice. Vocês deveriam sentar e conversar com calma, botar a conversa em dia, esclarecer os mal-entendidos. Como pôde simplesmente deixá-la ir embora?
Sebastião tirou os óculos escuros. Entre os traços profundos e belos de suas sobrancelhas, duas rugas severas se formaram.
— O que eu teria para botar em dia com ela?
Dizendo isso, o homem acelerou o passo, deixando Daniel para trás, entrou no elevador rapidamente e fechou as portas logo em seguida.
O atraso de alguns passos de Daniel garantiu que as portas se fechassem na sua cara.
— Patrão, espere por mim... — Daniel olhou desolado para os números subindo no painel, balançando a cabeça. — O patrão é ótimo em tudo, pena que é tão orgulhoso e teimoso.
No quarto do Sr. Alberto Almeida, a calmaria havia retornado desde a saída de Alice.
Quando Sebastião bateu na porta e entrou, o Sr. Alberto lia alguns documentos acadêmicos.
— Ah, chegou. — Ao ver Sebastião, o professor pousou a folha que segurava. — Chegou um minuto atrasado. A Alice acabou de sair.
Sebastião assentiu, puxou casualmente uma cadeira e sentou-se.
— Nos vimos lá embaixo.
— E vocês conversaram? — O idoso perguntou, surpreso.
— Nada de especial. — O homem começou a girar os óculos caros entre seus longos e elegantes dedos. — Assim que me viu, ela fugiu.
A expressão do Sr. Alberto continuou neutra, assim como seu tom em relação a Sebastião.
— Não me intrometo nos assuntos da Alice com vocês, da família Santos.
Dito isso, o professor esticou o corpo, abriu a gaveta, retirou o envelope com o acordo de divórcio de Alice e jogou no colo de Sebastião.
— Já que está aqui, não é muito apropriado que eu me envolva diretamente nisso. Trate disso para mim.
Sebastião olhou de soslaio para o velho e abriu o envelope.
Ao ler o título "Acordo de Divórcio", uma sobrancelha sua se ergueu.
Então, Daniel notou o envelope nas mãos do chefe.
— Patrão, o que é isso?
— Um divórcio. — Sebastião não diminuiu o ritmo e continuou caminhando na direção do elevador.
Os olhos de Daniel se arregalaram desproporcionalmente. Estupefato, ele correu atrás de Sebastião.
— Di-divórcio? Quem vai se divorciar? Você, patrão? Mas você nem é casado! Se divorciar de quem? Patrão...
— Cale a boca.
— Certo...
...
Após deixar o acordo nas mãos do mentor, o coração de Alice ficou consideravelmente mais sereno.
Uma vez que o professor aceitou ajudar, não havia dúvidas de que a questão estaria encerrada. Agora bastava esperar a emissão da certidão de divórcio.
Nos dias que se seguiram, a rotina de Alice fluiu de forma plena. Não precisava mais administrar as emoções e os humores de Jorge e Júlio, nem tolerar as grosserias e dificuldades impostas pela família Cavalcanti.
Todas as manhãs, ao abrir os olhos, ela só precisava se preocupar se estava com fome, cansada ou feliz.

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