Alice demorava a sair. Jorge perdeu a paciência e chamou novamente um motorista.
O motorista já estava a postos. Ele olhou a hora. Franziu levemente o cenho e se levantou.
— Já vai? — perguntou Jonas Farias.
— Sim, tenho compromissos amanhã. — Jorge assentiu, pegando o paletó, com os olhos voltados mais uma vez para a direção do banheiro.
Justamente quando pegou o celular, prestes a ligar para Alice, recebeu uma chamada de Sabrina Saraiva.
— Professor, o laboratório ficou sem energia e estou trancada aqui dentro. Está tão escuro, estou com muito medo... — A voz de Sabrina tremia no fone, claramente apavorada.
— Como você está? — Jorge, que estava prestes a caminhar em direção ao banheiro, parou de súbito. — Não tenha medo, fique onde está, chego aí num instante.
— Certo... certo... Professor, venha rápido... eu realmente... Ah! — Após um grito estridente, a ligação caiu.
— Sabrina! Sabrina! — Por mais que Jorge retornasse a ligação, ninguém atendia.
— O que houve? Aconteceu alguma coisa com a Sabrina? — Jonas também se levantou, tenso.
Profissionalmente, Sabrina era uma funcionária importante da empresa.
Pessoalmente, era a aluna favorita de Jorge, e Jonas também mantinha uma boa relação com ela.
— Sim! O laboratório ficou sem luz e a Sabrina está presa lá dentro. — Jorge explicou a Jonas enquanto se dirigia à saída.
Ao ouvir que havia um problema no laboratório da empresa, Jonas não conseguiu mais ficar. Após se explicar com os demais à mesa, seguiu os passos de Jorge.
— Como assim acabou a energia de repente? O prédio não tem um gerador reserva? Por que não foi acionado? — Jonas estava bastante nervoso. O laboratório era o coração da empresa; qualquer problema lá seria um golpe duro para os negócios.
— Não sei, deve ter havido alguma falha. A Sabrina está sozinha lá agora, apavorada. Não sei o que aconteceu com ela. — Ao lembrar do grito antes de a ligação cair, Jorge acelerou o passo involuntariamente.
Nesse momento, o celular tocou novamente.
Mas bem quando Alice estava cheia de esperança, a voz de Jorge soou como um balde de água fria sendo despejado sobre sua cabeça.
— Alice, se conseguir sair, saia sozinha. Se não quiser, fique aí pelo resto da vida.
Em seguida, com um bipe, a ligação foi desligada impiedosamente.
— Jorge, Jorge Cavalcanti! — Alice retornou a ligação inúmeras vezes, mas não conseguia mais completar a chamada; havia sido bloqueada por ele novamente.
No mesmo instante, a porta da cabine foi arrombada com violência.
O que se seguiu foi um tapa brutal, desferido com força no rosto de Alice.
— Vagabunda! Isso é por não abrir a porta!
O corpo de Alice foi arremessado contra a divisória do banheiro. O celular escorregou de suas mãos, caindo no chão e estilhaçando a tela em instantes, enquanto um zumbido ensurdecedor perfurava sua mente.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!