Samuel Lima sentou-se diante de Alice, os olhos cheios de admiração e alívio.
— Maravilha. Senti como se estivesse vendo minha jovem colega de anos atrás. A mesma energia, embasada e firme em suas convicções. Alice, você nasceu para brilhar. Se o nosso mentor pudesse vê-la hoje, com certeza ficaria orgulhoso.
As palavras de Samuel trouxeram lágrimas aos olhos de Alice. Ela rapidamente fungou e abaixou a cabeça.
— Obrigada, meu amigo.
E ao seu mentor...
Se não fosse pela insistência do seu colega, que nunca desistira dela ao longo dos anos, ligando sem parar para pedir que voltasse ao instituto... Graças a ele, ela soube que sempre havia um caminho alternativo a seguir. Caso contrário, após a traição sofrida, ela poderia muito bem ter sucumbido novamente à mesma confusão, desespero e dúvida que enfrentara sete anos antes.
Claro que ela tinha consciência de que, sem a aprovação e o apoio de seu antigo mestre, mesmo que Samuel quisesse muito ajudá-la, ele ficaria de mãos atadas.
Com um gesto amplo de mão, Samuel retrucou:
— Já te disse que entre nós não há necessidade de agradecimentos. Além disso, a sua volta tira um enorme peso dos meus ombros e é uma bênção para o instituto. Se alguém deve agradecer aqui, sou eu.
Com os ânimos apaziguados, os dois trouxeram o assunto de volta às questões do instituto, e o coração de Alice voltou a se acalmar.
— Samuel, sem consultar você, decidi usar a Ximena como exemplo publicamente. Isso vai causar problemas para você e para o instituto?
Muito antes de seu retorno, ao ouvir os conselhos e as cautelas de Samuel Lima, Alice já deduzira que algumas pessoas ali dentro possuíam forte aversão a ela. Para que fofocas chegassem aos ouvidos de alguém tão atarefado como Samuel, era sinal de que os rumores haviam sido intencionalmente espalhados e já haviam ganhado uma proporção considerável.
Ignorar as fofocas e deixá-las correr soltas não era a solução.
O ditado "boatos morrem nas mãos dos sábios" não passava de uma frase inútil para consolar os fracos.
Alice nunca acreditara nisso; sua filosofia sempre fora de golpear a cobra em seu ponto vital e prender o líder antes dos subordinados.
Foi por isso que, logo ao pisar no instituto, começara a observar o ambiente, as reações e o comportamento de todos.
Uma repercussão como essa seria, de fato, péssima para o instituto.
— Eu entendo, Samuel. Por isso, prefiro não me intrometer na condução do caso. Deixo tudo em suas mãos. — O cargo de Diretora do Centro de Pesquisa exigia dela apenas a gestão das inovações; as deliberações de ordem administrativa e pessoal competiam exclusivamente ao Diretor Lima.
— Combinado. — Samuel concordou e, ao olhar no relógio, sua expressão tornou-se ansiosa: — Alice, tenho mesmo que correr agora, estou em cima da hora! Se precisar de qualquer coisa, é só me ligar, está bem?
— Certo, Samuel. — Alice levantou-se e acompanhou-o com o olhar até a porta.
Antes de voltar a se sentar, notou Catarina Yunes espreitando a entrada de forma furtiva, querendo entrar, mas claramente constrangida.
Alice, notando a atitude e decidindo não mencioná-la, manteve o semblante habitual.
— Precisa de mim para alguma coisa?

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