Surpreendida por ter sido notada, os ombros de Catarina deram um solavanco. Visivelmente envergonhada, ela adentrou o recinto.
— Diretora Almeida, me desculpe, antes o meu comportamento em relação à senhora foi muito...
Muito desrespeitoso.
Alice sabia perfeitamente o que Catarina iria dizer e o motivo por trás daquela repentina mudança.
— Tudo bem, eu compreendo.
Catarina lançou um olhar estupefato para Alice, os olhos marejados, e prometeu:
— Diretora Almeida, doravante farei o meu máximo para auxiliá-la!
Como alguém que sempre admirou o talento e a força, naquele instante, Catarina rendia-se completamente, transbordando admiração e reverência por Alice.
— Certo, obrigada. — agradeceu Alice, calmamente.
Catarina não se sentiu desencorajada pela frieza habitual de Alice; pelo contrário, aquela postura imperturbável lhe parecia extraordinária.
Ela amava trabalhar com uma líder como aquela!
Ao ver que Catarina continuava na porta, sem a menor intenção de ir embora, Alice elevou o olhar, piscando os lindos olhos com uma ponta de estranhamento.
— Há mais alguma coisa?
Catarina pareceu voltar de um transe. Mais envergonhada e com um leve rubor no rosto, balbuciou:
— Bem... Diretora Almeida... a senhora é mesmo a K-07?
Achando que a garota ainda duvidava de sua identidade, Alice preparou-se para responder, mas então viu Catarina erguer um exemplar antigo, com bordas amassadas, da Revista de Metrologia e Sensores.
— Diretora Almeida, a senhora poderia me dar um autógrafo? É o meu ídolo! Foi depois de ler o seu artigo que me convenci a trilhar este caminho! A senhora sempre foi a luz que me guiou!
Luz... que a guiou?
Alice ficou atônita. Ela estava perfeitamente preparada para a indiferença e hostilidade, mas ser tratada como a luz guia e grande musa inspiradora, como Catarina fazia agora, era uma novidade absoluta.
O constrangimento lhe causava arrepios na pele; não estava nada habituada àquilo.
No entanto, sob aquele olhar tão ansioso e cheio de expectativas, Alice simplesmente não foi capaz de proferir uma recusa. Mesmo com relutância, pegou a caneta e escreveu "K-07, Alice Almeida" nas páginas da revista.
Com a assinatura em mãos, Catarina sentiu uma vontade incontrolável de gritar de alegria, mas reprimiu o impulso, abraçando a revista como se carregasse o maior tesouro do mundo.
— M-mais alguma coisa? — questionou Alice, tentando mascarar o desconforto.
— Não! — Catarina balançou a cabeça de imediato. — Se a Diretora Almeida precisar de qualquer favor, basta chamar!


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