Entrar Via

Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 82

Surpreendida por ter sido notada, os ombros de Catarina deram um solavanco. Visivelmente envergonhada, ela adentrou o recinto.

— Diretora Almeida, me desculpe, antes o meu comportamento em relação à senhora foi muito...

Muito desrespeitoso.

Alice sabia perfeitamente o que Catarina iria dizer e o motivo por trás daquela repentina mudança.

— Tudo bem, eu compreendo.

Catarina lançou um olhar estupefato para Alice, os olhos marejados, e prometeu:

— Diretora Almeida, doravante farei o meu máximo para auxiliá-la!

Como alguém que sempre admirou o talento e a força, naquele instante, Catarina rendia-se completamente, transbordando admiração e reverência por Alice.

— Certo, obrigada. — agradeceu Alice, calmamente.

Catarina não se sentiu desencorajada pela frieza habitual de Alice; pelo contrário, aquela postura imperturbável lhe parecia extraordinária.

Ela amava trabalhar com uma líder como aquela!

Ao ver que Catarina continuava na porta, sem a menor intenção de ir embora, Alice elevou o olhar, piscando os lindos olhos com uma ponta de estranhamento.

— Há mais alguma coisa?

Catarina pareceu voltar de um transe. Mais envergonhada e com um leve rubor no rosto, balbuciou:

— Bem... Diretora Almeida... a senhora é mesmo a K-07?

Achando que a garota ainda duvidava de sua identidade, Alice preparou-se para responder, mas então viu Catarina erguer um exemplar antigo, com bordas amassadas, da Revista de Metrologia e Sensores.

— Diretora Almeida, a senhora poderia me dar um autógrafo? É o meu ídolo! Foi depois de ler o seu artigo que me convenci a trilhar este caminho! A senhora sempre foi a luz que me guiou!

Luz... que a guiou?

Alice ficou atônita. Ela estava perfeitamente preparada para a indiferença e hostilidade, mas ser tratada como a luz guia e grande musa inspiradora, como Catarina fazia agora, era uma novidade absoluta.

O constrangimento lhe causava arrepios na pele; não estava nada habituada àquilo.

No entanto, sob aquele olhar tão ansioso e cheio de expectativas, Alice simplesmente não foi capaz de proferir uma recusa. Mesmo com relutância, pegou a caneta e escreveu "K-07, Alice Almeida" nas páginas da revista.

Com a assinatura em mãos, Catarina sentiu uma vontade incontrolável de gritar de alegria, mas reprimiu o impulso, abraçando a revista como se carregasse o maior tesouro do mundo.

— M-mais alguma coisa? — questionou Alice, tentando mascarar o desconforto.

— Não! — Catarina balançou a cabeça de imediato. — Se a Diretora Almeida precisar de qualquer favor, basta chamar!

— Ahn... Di... Diretora Almeida... — A expressão do Dr. Vieira transbordava hesitação, sua postura notavelmente retraída. — A respeito dos resumos que a senhora publicou hoje pela manhã, há algumas dúvidas que eu gostaria de esclarecer, seria possível?

Agradada com a oportunidade de consolidar os vínculos com a equipe de pesquisa, Alice fechou prontamente a tela do computador, acenando para que entrasse:

— Claro.

...

Na hora do jantar, à mesa, Júlio Cavalcanti pegou uma costelinha agridoce com o garfo, deu uma mordida e a deixou no prato, recusando-se a comer mais.

Embora a costelinha agridoce preparada por Dona Ester fosse deliciosa, naquele momento, ele ansiava, inexplicavelmente, por sentir o gosto daquela feita pela mãe.

Fazia tanto tempo que ele não via sua mãe, que não saboreava os cafés da manhã e as refeições que ela preparava.

Mergulhado nesses pensamentos, Júlio sentiu um aperto repentino no peito.

Ele virou o rosto em direção ao lugar onde Alice costumava se sentar durante as refeições, mas agora quem ocupava aquela cadeira era Sabrina Saraiva.

Foi a primeira vez que sentiu tristeza ao ver a Srta. Sabrina ali, em vez de Alice.

— Papai... quando a mamãe volta?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!