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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 83

A pergunta de Júlio quebrou o silêncio que reinava à mesa.

Sentado rigidamente enquanto comia, Jorge Cavalcanti hesitou por uma fração de segundo com o garfo nas mãos, mas sua expressão permaneceu inalterada.

— Não sei.

Decepcionado com a resposta, Júlio insistiu:

— Mas eu não vejo a mamãe há um tempão! Papai, você pode ligar para ela e pedir para ela voltar, por favor?

Com uma postura impecável, Jorge continuou a comer, sua voz mantendo-se perfeitamente uniforme.

— Se quer que ela volte, ligue você mesmo.

Ele jamais ligaria para Alice implorando por seu retorno. Fazer isso apenas reforçaria esse péssimo hábito; do contrário, no futuro, à menor insatisfação, ela voltaria a encenar fugas de casa e ameaçar com o divórcio.

Além do mais, ele já havia instruído Yuri Valente a cancelar o cartão adicional e cortar o auxílio financeiro de Alice. Quando o dinheiro acabasse e ela não tivesse mais como se sustentar lá fora, voltaria para casa naturalmente.

Desta vez, ele faria questão de ensinar uma lição inesquecível a Alice.

— Mas papai...

— Coma. — O olhar de Jorge endureceu, e sua voz assumiu um tom sombrio.

Júlio fez um biquinho, prestes a chorar de tanta mágoa.

— Você está com saudade da mamãe, Júlio? — Sabrina Saraiva sentava-se bem ao lado do menino. Ela sabia perfeitamente que aquela era a cadeira de Alice.

Desde o início da refeição, ela havia percebido o abatimento de Júlio.

Afinal, era saudades da mãe.

Júlio levantou a cabeça e encarou o rosto de Sabrina.

— Não é tanta saudade, é só... que eu não estou acostumado...

— Júlio, não diga isso. Como sua mãe poderia não sentir sua falta? Você é o filho biológico dela! Nenhuma mãe ignoraria o próprio filho, isso seria um absurdo. As mães são pessoas maravilhosas, que fariam qualquer sacrifício pelos filhos.

Aquelas palavras, em vez de consolar, erradicaram o pouco de saudade que Júlio sentia de Alice, deixando apenas rancor.

Era verdade! As mães das outras crianças eram incríveis. Estavam sempre ao lado dos filhos, levando e buscando na escola todos os dias e preparando lanches deliciosos.

E a mãe dele?!

Por causa de um pequeno aborrecimento, tinha abandonado o próprio filho sem a menor cerimônia!

Então ela não era uma boa mãe!

A Tia Sabrina era muito melhor, pois estava sempre cuidando dele e o consolando!

— Quer saber? Eu não quero que ela volte! Se ela voltar, o papai vai ficar chateado, você vai ficar chateada, a vovó e a titia também vão ficar chateadas! — Júlio, com um medo terrível de que Sabrina o deixasse, agarrou a mão dela com força. — Tia Sabrina, não vá embora! Fique aqui comigo para sempre, pode ser?

A Tia Sabrina brincava com ele, não o obrigava a fazer a lição de casa o tempo todo e nunca dizia coisas chatas.

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