A pergunta de Júlio quebrou o silêncio que reinava à mesa.
Sentado rigidamente enquanto comia, Jorge Cavalcanti hesitou por uma fração de segundo com o garfo nas mãos, mas sua expressão permaneceu inalterada.
— Não sei.
Decepcionado com a resposta, Júlio insistiu:
— Mas eu não vejo a mamãe há um tempão! Papai, você pode ligar para ela e pedir para ela voltar, por favor?
Com uma postura impecável, Jorge continuou a comer, sua voz mantendo-se perfeitamente uniforme.
— Se quer que ela volte, ligue você mesmo.
Ele jamais ligaria para Alice implorando por seu retorno. Fazer isso apenas reforçaria esse péssimo hábito; do contrário, no futuro, à menor insatisfação, ela voltaria a encenar fugas de casa e ameaçar com o divórcio.
Além do mais, ele já havia instruído Yuri Valente a cancelar o cartão adicional e cortar o auxílio financeiro de Alice. Quando o dinheiro acabasse e ela não tivesse mais como se sustentar lá fora, voltaria para casa naturalmente.
Desta vez, ele faria questão de ensinar uma lição inesquecível a Alice.
— Mas papai...
— Coma. — O olhar de Jorge endureceu, e sua voz assumiu um tom sombrio.
Júlio fez um biquinho, prestes a chorar de tanta mágoa.
— Você está com saudade da mamãe, Júlio? — Sabrina Saraiva sentava-se bem ao lado do menino. Ela sabia perfeitamente que aquela era a cadeira de Alice.
Desde o início da refeição, ela havia percebido o abatimento de Júlio.
Afinal, era saudades da mãe.
Júlio levantou a cabeça e encarou o rosto de Sabrina.
— Não é tanta saudade, é só... que eu não estou acostumado...
— Júlio, não diga isso. Como sua mãe poderia não sentir sua falta? Você é o filho biológico dela! Nenhuma mãe ignoraria o próprio filho, isso seria um absurdo. As mães são pessoas maravilhosas, que fariam qualquer sacrifício pelos filhos.
Aquelas palavras, em vez de consolar, erradicaram o pouco de saudade que Júlio sentia de Alice, deixando apenas rancor.
Era verdade! As mães das outras crianças eram incríveis. Estavam sempre ao lado dos filhos, levando e buscando na escola todos os dias e preparando lanches deliciosos.
E a mãe dele?!
Por causa de um pequeno aborrecimento, tinha abandonado o próprio filho sem a menor cerimônia!
Então ela não era uma boa mãe!
A Tia Sabrina era muito melhor, pois estava sempre cuidando dele e o consolando!
— Quer saber? Eu não quero que ela volte! Se ela voltar, o papai vai ficar chateado, você vai ficar chateada, a vovó e a titia também vão ficar chateadas! — Júlio, com um medo terrível de que Sabrina o deixasse, agarrou a mão dela com força. — Tia Sabrina, não vá embora! Fique aqui comigo para sempre, pode ser?
A Tia Sabrina brincava com ele, não o obrigava a fazer a lição de casa o tempo todo e nunca dizia coisas chatas.

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