A Tia Sabrina também cuidava dele e o ajudava com os experimentos e os trabalhos manuais da escola. Não era como a sua mãe, que o obrigava a fazer tudo sozinho, sob o pretexto de que precisava desenvolver as próprias habilidades motoras.
A Tia Sabrina também contava coisas novas para ele. Embora não entendesse quase nada e, mesmo quando ela explicava, continuasse sem entender, isso ainda assim o deixava feliz.
Além de tudo, a Tia Sabrina ajudava o pai dele. Os dois passavam todas as noites trabalhando até tarde no escritório, e há muito tempo não havia gritos ou brigas pela casa.
Muito diferente de quando sua mãe estava em casa: o seu pai ficava irritado a todo momento e, em certas ocasiões, até deixava de voltar para casa.
Por essas e outras, a sua mãe nem devia voltar!
Sabrina lançou a Jorge um olhar angustiado, mas não disse nada.
— Papai, deixa a Tia Sabrina morar com a gente para sempre, por favor? — Ele adorava a companhia da Tia Sabrina.
Jorge interrompeu seus movimentos mais uma vez, erguendo o olhar para encarar Júlio.
— Júlio Cavalcanti, crianças não devem fazer caprichos.
O olhar de Sabrina tremeluziu imperceptivelmente; ela esticou os lábios, forçando um pequeno sorriso.
— É isso mesmo, Júlio. A tia não tem como morar aqui para sempre.
— Mas papai, eu quero que...
— Júlio Cavalcanti. — Jorge pousou o garfo no prato. — Vai terminar de comer ou não? Se não vai, vá fazer a lição de casa!
Após proferir isso, Jorge levantou-se e deixou a mesa, suas longas pernas dirigindo-se até o escritório.
Foi só quando o clique sutil da porta do escritório, no segundo andar, ecoou pelo ar que o peito de Júlio finalmente explodiu em um choro estrondoso de mágoa.
O maior infortúnio com o qual ele vinha sofrendo, desse modo, esvanecia; sentia as costas desopiladas de uma grande angústia. Ele era, no limite de seus afazeres, também professor adjunto; naquele ano fora eleito o orientador de inúmeros tesistas em fase de conclusão; sendo o encarregado da instrução, não havia alternativa a não ser dispor-se às tarefas inerentes à pesquisa, sobremodo quando naquele mesmo calendário nutria fortes expectativas a ser efetivado como catedrático, igual a um tal professor de currículo notável.
De repente, da porta da frente do escritório, vieram três pancadinhas quase imperceptíveis.
Ele prosseguiu inabalável em focar nas dissertações, sem desviar a atenção:
— Entre.
A porta entreabriu-se num rodopio, e a figura entrou num passinho cadenciado; o som era apenas farfalhante. Num pestanejar, percebeu em relance a ponta de um tabuleiro emoldurado pousando docilmente no alto à sua direita.
Ali se contornava em sombras ralas a taça fumegante da bebida de estimação, acompanhada por pequenas guloseimas que amava.
Alice Almeida?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!