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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 10

Clara não deveria estar ali.

Mas estava. Bem ali. De pé na entrada do salão, como se fosse dona do lugar. Ombros retos, sorriso pronto, olhos percorrendo tudo com calma de predadora.

Olivia a reconheceu no segundo em que o salto tocou o mármore. Nem precisou ver o rosto: bastava a maneira como andava. Como quem sempre soube onde pisa, mesmo quando pisa em cima dos outros.

O perfume doce veio primeiro. A lembrança depois.

As risadas abafadas vindas do próprio quarto. O som do zíper sendo fechado com pressa quando ela abriu a porta e encontrou ela. Clara, de lingerie, ajeitando o cabelo com a cara mais calma do mundo, sem pressa, sem culpa.

Tudo voltou. E voltou no meio daquela maldita festa.

Clara parou perto do bar. Pegou uma taça como se estivesse em casa. Olhou ao redor, procurando alguém com os olhos. Encontrou. Não Benjamin. Mas Olívia.

Quando os olhos delas se cruzaram, não foi surpresa. Foi um aviso. Como se soubesse que encontraria Olivia ali. Olivia deu um passo atrás. O peito apertado. Ar não entrava. Era o passado voltando com força brutal.

Clara virou-se de leve e sorriu. Um sorriso calculado. Quase imperceptível. Depois, como se estivesse satisfeita com o estrago, se misturou entre os convidados.

— Olivia? — A voz de Ian a puxou de volta. — Você está bem?

Ela nem respondeu. Não sabia como.

Agora, não era só Benjamin. Agora era Clara também. O retrato completo do seu pior pesadelo.

Olivia olhava Clara cruzar o salão como se flutuasse. O vestido vermelho arrastando atenção por onde passava. Ian insistiu:

— Você conhece essa mulher?

Olivia piscou, tentando juntar os pedaços da própria calma. Só conseguiu soltar:

— Conheço.

Ian franziu a testa, mas não teve tempo de perguntar mais. Porque Clara já estava diante de Benjamin.

Ele estava cercado de homens engravatados, rindo alto. Até vê-la. O riso morreu no mesmo segundo.

— Benjamin, amor — Clara disse, alto o bastante para ecoar no salão, a voz melosa.

O grupo parou de falar. Olivia sentiu o sangue gelar.

Benjamin girou devagar, surpreso. O copo quase escorregou da mão dele. A sobrancelha arqueou primeiro, depois o corpo inteiro pareceu se ajustar a nova presença.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou, baixo, a voz carregada de insatisfação.

— Vim por nós. — Ela pousou a frase como quem deixa uma bomba no meio da mesa.

E, com um gesto ensaiado, colocou a mão no próprio ventre. Liso, mas agora carregando a palavra mais velha do mundo: gravidez.

A reação foi instantânea. Conversas cortadas. Cabeças virando.

Benjamin piscou, tropeçando nas sílabas:

— Eu... Você... está falando sério?

Clara fez que sim. Um brilho falso inundando os olhos.

— Você vai ser pai, Ben.

A expressão dele mudou. Primeiro dúvida, depois receio e, por fim, algo parecido com orgulho. Quase ternura.

Um buraco se abriu debaixo de Olivia. Ficou ali, perto da mesa de doces, observando.

O som da festa virou chiado. Tudo sumiu, menos a cena: Benjamin sorrindo. Um sorriso cheio, largo, exibido. O tipo de sorriso que nunca foi pra ela. Ele segurou Clara pela mão e a trouxe para o centro do salão como quem exibe um troféu. Orgulho estampado.

O burburinho explodiu como faísca em gasolina.

— Você viu isso?

— Grávida?

Olivia deu dois passos sem perceber. Mãos fechadas. Pulso latejando.

Clara mentia. Sempre mentiu. Mas agora estava fazendo isso diante de todos.

Olivia sequer ouviu quando Ian chamou seu nome novamente, ela só pensava em uma coisa: confrontar. Não era mais apenas sobre Leo. Era sobre ela. Sobre justiça. Sobre sanidade. Clara não iria ganhar de novo. Não ali. Não agora.

Antes que atravessasse o salão, ouviu uma voz perto demais, alta demais para ser cochicho:

— Essa é a ex? Vai ver nem é golpe, é guerra. Quem perde primeiro? — riu uma convidada de verde, sem nem disfarçar.

Risos abafados se espalharam.

Olivia respirou fundo. E seguiu. O som dos saltos batendo firme no chão parecia tiro ecoando no salão.

Clara não a viu chegando. Continuava no centro, sorrindo para os olhares, vendendo uma mentira embrulhada em seda.

Mas Olivia não ia parar. Não ia engolir aquilo mais uma vez.

E, quando as duas ficaram a poucos passos de distância, um garçom quase trombou em Olivia. Ela nem piscou. Passou reto. Olhos nos olhos dela.

O salão inteiro ainda murmurava diante da notícia da gravidez.

Benjamin sorria. Clara brilhava.

E Olivia deu um passo à frente.

Só um passo.

Mas foi o suficiente para o sorriso de Clara desaparecer.

Porque, naquele instante, ela soube: Olivia ia abrir a boca. E ninguém ali estava pronto para ouvir o que viria.

— Você... — Clara murmura, já aguardando o tapa que seguiria.

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