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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 11

Antes mesmo que Olivia alcançasse Clara, a mulher já se afastava, como se sentisse a fúria que se aproximava por trás.

O salto de Clara ecoava no mármore do corredor lateral. Marchava como se estivesse entrando em cena no próprio espetáculo. Quadris rígidos. Queixo alto. Postura de rainha de mentira.

Olívia agarrou uma taça deixada na bandeja de um garçom, virou o conteúdo de uma vez, ignorou os olhares curiosos e foi atrás.

O corredor dava em um jardim lateral. Um quadrado de grama recortada milimetricamente, cercado por jasmins e lâmpadas pendentes. Uma mulher sentada mexia no celular, mas não prestava atenção em nada.

Clara estava ali. Perto da fonte. De costas, retocando o batom no espelhinho. Como se estivesse posando para uma revista.

— Vai fazer pose pra sua mentira também? — Olivia falou baixo, mas com veneno suficiente pra cortar o ar.

Clara parou. Respirou fundo. Mas não se virou. Era como se Olivia nem merecesse a sua atenção, o seu olhar.

— Você me seguiu?

— Você não devia estar aqui.

Ela se virou, devagar, com o batom ainda na mão. O sorriso veio antes da resposta.

— Ah, Olivia... sempre tão intensa. Ainda se acha a única traída do mundo?

Olivia cerrou os punhos. O sangue pulsava no pescoço.

— Você ainda é a mesma cobra. Só trocou de pele.

A verdade era que Olivia não queria estar ali. A ultima coisa que Olivia desejava naquele momento era reencontrar aquela mulher. Mas havia algo em seu orgulho ferido, na mágoa latente e na dor de uma traição tão devastadora que a obrigava estar ali. Cobrando explicações de alguém que só não se importava.

Clara sorriu, quase se divertindo.

— Eu vim por Benjamin.

— E ele sabe? — questiona. — Ele sabe que você apareceu do nada com esse teatrinho de gravidez?

Clara hesitou por uma fração de segundo. Pequena demais pra olhos comuns, óbvia demais pros olhos de Olivia. Era a prova.

— Que teatrinho? — rebateu, a voz aguda.

— Não finja isso comigo, Clara. — Olivia diz, firme. — Eu conheço você. E você repetiu hoje, na frente de todo mundo, a mesma frase que disse quando eu cheguei em casa e te encontrei na minha cama. Com ele. É tudo mais um plano doentio de vocês dois.

Clara estreitou os olhos. Por um segundo, o sorriso vacilou.

— Você está delirando.

— “Tudo que a gente quer, a gente arranca. Nem que seja da carne.” — Olivia recita, a voz subindo algumas oitavas. — Você disse isso naquele dia. E disse de novo hoje, na frente de Ian e Nicolau. E sabe o que é pior? A mesma entonação. Você nem se deu o trabalho de mudar o roteiro.

Clara piscou devagar. O sorriso vacilou. Mas voltou rápido.

— E daí? Quer fazer escândalo por causa de uma frase?

— Não. Quero escândalo por você usar “gravidez” como senha pra entrar nessa casa.

Ela deu um passo à frente. Clara não recuou. Mas os olhos tremiam.

— Vai me chamar de mentirosa?

— Se a carapuça serviu... — Olivia respondeu, sem desviar.

As duas estavam agora perto demais. Quase nariz com nariz. Uma brisa gelada passou por entre elas como se o próprio jardim estivesse desconfortável.

Clara deu um passo de lado. Riu, mas com os dentes travados.

— Quer saber, Olivia, eu não tenho tempo para seus dramas. Eu tenho exames. Não preciso provar nada a você.

Ela começa a dar volta, fazendo menção de voltar para festa, quando Olivia para em sua frente.

— Mostra.

Clara travou. Sua confiança vacilando por um momento.

— O que foi? Não trouxe? Ah, claro... — Olivia fez biquinho, irônica. — Porque não existe. Você inventou tudo!

Clara fechou os olhos por um segundo. Respirou fundo. Quando abriu, estava com o rosto duro.

— E se eu inventei? — disse baixo, com raiva mal contida. — Não sou a única aqui mentindo, não é?

Olívia arregalou os olhos. Como ela também sabia tanto?

— Você vai mesmo tentar inverter isso? — ela murmura.

— Você também vive uma farsa. Esse noivado é uma piada. Principalmente porque você não pertence a esse mundo, Olivia.

Olivia deu um sorriso sem humor algum, as mãos tirando os cabelos longos dos ombros.

— E você pertence? De onde tirou essa ideia?

— Do mesmo lugar que você: do desespero.

Aquela frase bateu como uma bofetada. Clara deu dois passos à frente. O tom agora era mais baixo, mais íntimo.

— Sabe o que me dá raiva em você? Essa sua mania de se fazer de mártir. De fingir que é forte, digna. Quando na verdade, você só sobrevive porque mente bem.

Olivia só respondeu com o olhar. Clara tentou pegar o braço dele.

— Eu só... precisava estar aqui. Ser ouvida. Você é tudo que eu tenho.

Benjamin soltou o braço com calma. Mas com repulsa.

— Você me usou.

— Não! Eu te amo...

Olivia cruzou os braços quando se intrometeu:

— Você ama o sobrenome dele. O mesmo que usou para tirar o meu chão.

Clara virou-se para ela.

— E você vai subir no altar com um cara que nem gosta de você.

Olívia respondeu sem hesitar:

— Talvez. Mas pelo menos eu não precisei inventar uma vida pra ter um lugar nessa família.

Silêncio. O tipo de silêncio que grita.

Benjamin largou o copo no banco de pedra, passou as mãos no rosto.

Clara tentou segui-lo, mas ele desviou.

— Sai da minha frente.

Clara ficou parada, os olhos fixos em Olivia.

— Você não ganhou.

Olivia respondeu, firme:

— Eu não comecei a jogar. Ainda.

Assim, Olivia virou e foi embora. Os saltos afundando na grama macia. O coração martelando no peito. Mas, pela primeira vez em muito tempo, sem medo.

No caminho de volta, seu celular vibrou de dentro da esposa. Uma mensagem do hospital.

Assunto: URGENTE – plano de saúde do Leo.

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