Entrar Via

Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 12

Olivia ficou parada no jardim, o ar gelado da noite fazendo seu corpo se arrepiar. As luzes da festa brilhavam atrás dela, mas tudo parecia distante, como se um túnel se formasse entre ela e o resto do mundo. O sangue pulsava forte nas têmporas, e o gosto de raiva, amargo e incontrolável, a fazia engolir em seco.

Clara havia ido embora com Benjamin, mas o estrago estava feito. A mentira deles agora tinha nome, roupa cara e olhos de serpente. Olivia sabia que a mulher faria de tudo para convencer Benjamin a usar aquilo como arma contra ela.

Mas, bem... eles não sabiam que Olivia já estava no meio do jogo deles.

“Se eles mentem... eu escolho quando expor.”

O pensamento se repetia, virando mantra. Ela não era mais a mulher que fugia de confrontos. Não hoje. Mas não seria a que criaria um escândalo ali, na festa. Ainda não.

Essa verdade seria exposta na hora certa. No palco certo.

Com passos rápidos, ela voltou para dentro da mansão.

Encontrou Ian perto do bar, sem o paletó, com as mangas dobradas até os antebraços. O copo de whisky em suas mãos estava vazio, mas a expressão dele estava carregada de algo que Olivia conhecia bem: a percepção de que algo tinha acontecido.

Ela não perdeu tempo.

— Eu vou embora. Chega para mim hoje.

Ian demorou a responder, tomando o resto da bebida em um gole só. Olhou para ela, com o maxilar tenso, e deu um passo em sua direção.

— O que aconteceu?

— Nada que eu queira discutir agora. Só... preciso ir para o hospital.

Ele hesitou, o olhar passando de Olivia para o movimento da festa, mas assentiu.

— Vou pedir para o motorista levar você.

— Eu chamo um carro.

— Olivia...

Ela o olhou, os olhos queimando de raiva, não dele, mas de tudo o que ela tinha sido forçada a carregar nas últimas horas.

— Eu já tive o suficiente dessa família por uma noite.

Antes que ele respondesse, Nicolau se aproximou. Sem pressa, sem sorriso, como se ele fosse a última pessoa no mundo a ter algum interesse verdadeiro nas questões superficiais ao redor.

— Estava procurando por vocês dois.

Ian se endireitou, imediatamente mais atento. Parecia um garoto quando o avô se aproximava, como se um velho hábito de respeito ainda estivesse vivo.

— Amanhã, às 11:00, almoço em casa. Estritamente familiar. Você também, Olivia.

Ela respirou fundo, tentando engolir a resposta ácida que estava prestes a sair.

— Vou ver o que posso fazer.

Nicolau não insistiu. Apenas levantou uma sobrancelha e se afastou, mantendo seu andar decidido.

Olivia não quis ouvir mais. Caminhou rapidamente até a saída, ignorando as conversas e olhares que a seguiam.

O carro chegou rapidamente. Quando ela finalmente chegou ao hospital, o cheiro de desinfetante e o som abafado das luzes frias fizeram seu estômago revirar, mas ela não parou. Ela sabia que Leo estava lá, e ali estava o único lugar que a fazia sentir algum tipo de alívio.

No corredor do hospital, ela esperou, sentada, até que o restante da noite passasse. Não pregou os olhos. Só via as últimas 24 horas se repetindo em sua mente. Cada palavra de Clara, cada gesto de Benjamin, cada mentira no ar. Ela ignorou as mensagens e ligações de Ian, desprezando tudo que o envolvesse. Estava cansada. Cansada demais. E no fundo, só queria estar perto de Leo. O único que a fazia respirar.

O sol já havia nascido quando uma enfermeira se aproximou, com uma fatura nas mãos. Olivia sentiu um aperto no peito.

— Senhora Belmonte, eu estava procurando por você.

Aquela mulher, sempre tão calma, agora parecia ter um peso nas mãos. Olivia engoliu o medo e pediu, já sentindo o peso da notícia.

— O que aconteceu?

A enfermeira hesitou, entregando o papel.

— O convênio foi suspenso. A empresa que vinha cobrindo os custos... cancelou. O acordo foi revogado hoje.

Olivia ficou paralisada. Não sabia o que dizer.

— Não pode ser. Era parte do... não importa. Eu pago. — Ela forçou as palavras, sentindo a pressão subir pela garganta.

A enfermeira suspirou e falou com a voz que mais parecia um eco.

— O problema é que a vaga na UTI é altamente concorrida. Se não houver pagamento até às 19:00, vamos ter que liberar.

— Liberar? O Leo não pode sair. Ele precisa de observação! — Olivia sentiu a voz se arranhar.

— Eu sei. Mas não é decisão minha. — A enfermeira virou as costas.

O chão de Olivia parecia desaparecer. Ela sabia que algo estava errado. Ian tinha pago todo o tratamento. O que diabos estava acontecendo?

Ela seguiu até a diretoria do hospital. Sentou-se em uma sala, os minutos se arrastando enquanto esperava a resposta.

Quando a coordenadora entrou, apressada e com os papéis na mão, Olivia sentiu o nó na garganta.

— Oi, senhora Belmonte. Tentamos entrar em contato mais cedo por email, você não visualizou. O plano de saúde do Leo foi suspenso por falta de pagamento.

Silêncio. Ele não respondeu. Porque a resposta era sim.

Ela fechou os olhos. Um segundo só. O orgulho lutava dentro dela. Mas a imagem de Leo entubado era maior. Mais forte. Mais urgente.

— Tá bem. — Ela mordeu cada palavra. — Você quer presença? Vai ter. Eu vou no maldito almoço.

Ian não disse nada. Mas algo no rosto dele suavizou. O músculo do queixo relaxou. Um tipo de alívio discreto.

— O pagamento será feito ainda hoje. Em uma hora no máximo, o hospital terá a confirmação.

Ela virou as costas antes que ele continuasse. Se ficasse ali, ela ia gritar. Ou chorar. Ou quebrar alguma coisa.

No carro, encostou a cabeça no vidro e deixou os olhos abertos. Queria chorar, mas estava vazia. Só sentia o gosto da derrota se espalhando pela boca.

Na memória, flashes:

Leo comendo gelatina vermelha com a mão.

Leo deitado com a cabeça no colo dela, dizendo que o mundo era melhor ali.

Leo, no dia em que tudo desabou, segurando seu dedo e dizendo:

— Mamãe, só fica. Fica comigo.

Ela apertou os olhos com força.

“Eu vou ficar com você. Até o fim.”

E faria pior. Muito pior. Fingiria um casamento. Sorriria para Nicolau. Aturaria Clara e Benjamin. Mas não abriria mão do que era de Leo.

Ela pensou na cara de Nicolau quando soubesse da mentira de Clara.

Pensou na cara de Benjamin quando ouvisse a verdade, dita diante de todos.

Pensou, por fim, na sua própria cara, quando tudo explodisse.

E então, num sussurro de vingança engolida, prometeu:

— Ninguém mais vai decidir o que acontece comigo. Nem com o meu filho.

E mais tarde, naquele maldito almoço… Olivia contaria tudo.

Inclusive sobre o filho que Benjamin fingiria ter.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido