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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 13

A confirmação veio uma hora depois. A assistente do hospital ligou, a voz seca e objetiva:

— O pagamento foi feito pela manhã. Valor integral. Com prioridade de urgência.

Olivia ficou um segundo em silêncio, o celular ainda colado ao ouvido. A informação afundou como pedra.

Então Ian tinha pago antes mesmo da conversa. Antes da chantagem.

Ou seja: ele só queria ver até onde ela iria. Se iria continuar fazendo sua parte naquele maldito acordo.

Aquilo doeu mais do que qualquer ofensa. Ian tratava a saúde de Leo como cláusula contratual. E ela… aceitou. Não sabia mais o que deveria esperar daquele homem.

Mas agora, nada mais importava. Porque ele estava acordado.

No quarto, o cheiro de desinfetante com lavanda ainda revirava o estômago, mas Olivia nem sentia. Leo estava desperto. Os olhos pequenos, negros, piscando devagar sob as pálpebras inchadas.

— Mamãe?

A voz dele saiu fraca, mas viva.

Os olhos pequenos e negros se abriram devagar, e ele sorriu do jeitinho torto de sempre. Olivia sentiu os joelhos falharem, pensou que jamais veria aquele lindo olhar outra vez.

Sentou-se ao lado da cama e pegou a mão dele com cuidado, sentindo o calor da sua pele. Da sua vida.

— Oi, meu amor... — ela encostou a testa na dele, fechando os olhos, respirando o ar rarefeito daquela pequena vitória. — A mamãe está aqui.

Leo apertou seus dedos com toda pequena força que ainda tinha.

— Eu tive um sonho. — ele diz devagar. — Tinha um dragão. Ele era gigante. Me protegia de tudo. E você tava em cima dele. Tipo... uma guerreira.

Ela riu, com os olhos marejando.

— Claro que eu tava. Sempre vou estar. Pra te proteger de todos os monstros. Mesmo quando não sou tão forte assim.

Ele piscou de novo, sonolento.

— Você é forte. Eu lembro... quando eu vomitei no seu vestido e você só falou: "tá tudo bem, guerreiro." E me abraçou mesmo assim.

— Porque nada no mundo me faz mais feliz do que você respirar.

Ele piscou devagar. Ainda cansado. Mas vivo. Aquilo bastava. Olivia sentiu algo dentro dela se reorganizar. Não ia cair. Não ia deixar o mundo esmagar ela enquanto Leo ainda precisava dela forte. Se fosse preciso, engoliria o próprio orgulho com farofa.

Assim que o horário de visita acabou, ela correu para manter sua parte do acordo em dia.

Na casa dos Moretti, a mesa estava posta como se fosse dia de casamento: toalhas de linho, pratos de porcelana, taças de cristal. Tudo muito branco, muito caro, muito falso.

Nicolau na cabeceira. Ian à direita. Benjamin mais à frente, Clara ao lado, como se tivesse cadeira cativa.

Olivia entrou com postura. Vestido preto simples. Cabelo preso. Rosto limpo. Não era dali, mas andava como quem pertencia.

Ian se levantou ao vê-la, como se quisesse dizer algo, talvez desculpas. Ela passou por ele sem parar.

— Olá — disse. Fria, mas com um leve sorriso de conveniência. — Me desculpem o atraso. Estive resolvendo coisas do trabalho.

— Fico feliz que tenha vindo. — Ian respondeu, contido, só para ela. Ele sabia que havia ultrapassado limites. Sabia que ela sabia disso também.

Olívia se sentou ao lado de Ian, mas não dirigiu seu olhar pra ele. Nicolau percebeu aquilo, desconfiado. Mas tudo que ele disse foi:

— Que bom que se juntou a nós essa tarde, Olívia.

Ela sorriu e engoliu em seco logo em seguida, não era como se ela realmente tivesse escolha.

O almoço então se seguiu, e tudo parecia estar leve, já encaminhando para o fim. Olívia estava dando tudo de si para ignorar aqueles dois em sua frente e só ir embora logo.

Benjamin empalideceu. Clara travou.

— Isso é um absurdo! — ela se levantou. — Você tá me acusando de quê?

— De mentir. Como sempre. Sobre tudo. — Olivia encarou Benjamin. — Inclusive, você também sabe da farsa.

Nicolau se levantou também. A cadeira arrastou com força.

— Você tá mentindo pra mim sobre um herdeiro? Sobre sangue? É assim que quer herdar o meu império?

Benjamin engasgou.

— Vai acreditar nela? Ela nem é dessa família!

— Mas eu não sou uma farsa — Olivia disse, se levantando. — Não precisei inventar um filho pra conseguir lugar na mesa.

Benjamin riu, nervoso. A voz subiu meio tom:

— Ah é? E eles já sabem do seu filho bastardo?

Silêncio.

Um segundo de vácuo.

Nicolau virou o rosto devagar. Ian também.

Ambos olhando fixamente para ela.

— É isso mesmo, Olivia? — Nicolau perguntou, a voz cortante. — Você tem um filho? Onde está o pai da criança?

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