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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 14

O silêncio depois da pergunta de Nicolau era quase sagrado, como o segundo antes da tempestade.

Olivia sentia o olhar de Nicolau sobre ela como um raio dissecando a pele. Ian ao lado estava tenso, quase imóvel. E Benjamin... Benjamin sorria como quem esperava pela queda.

Ela respirou fundo. Levantou o queixo. Cada célula do seu corpo gritava para correr, mas ela ia não mais.

— É isso mesmo, Olivia? — Nicolau repetiu, com o garfo ainda suspenso no ar. — Você tem um filho?

Ela demorou um segundo para respirar. O sangue zunia no ouvido. Não pela pergunta em si, mas por quem estava ali, observando. Benjamin sorria com a boca, mas os olhos diziam outra coisa. Clara, quieta, como uma cobra aguardando o bote. Ian, em suspenso. Esperando.

Olivia pousou o guardanapo com calma no colo. Ajeitou as mangas do vestido e respondeu com uma frieza que atravessou a sala.

— Tenho.

Clara soltou uma risadinha de escárnio. Benjamin cruzou os braços triunfante.

— E onde está o pai dessa criança? — Nicolau foi direto.

Olivia o encarou por dois segundos. Depois, os olhos deslizaram para Ian. Ele não disfarçava mais a expressão de descontentamento. Um homem que não gostava de surpresas. Nunca gostou.

— O pai está onde deve estar: longe do meu filho. — Disse com a voz firme, mas por dentro sentia a pulsação estourando nos tímpanos. Um calor amargo subia pela garganta, quase quebrando o tom controlado.

Nicolau franziu o cenho. Clara arregalou os olhos, quase decepcionada por não ter arrancado um escândalo maior. Benjamin murmurou algo como “típico”.

E assim, Olivia saiu daquela sala. Sem tropeçar na voz, sem tremer a mão. Como se não doesse. Como se fosse fácil. Como se não estivesse morrendo.

Por dentro, porém, uma guerra civil estourava no peito. Cada passo que dava em direção ao corredor era um grito que ela engolia. Precisava sair dali antes que o controle se desfizesse por completo.

Ian, porém, se levantou devagar. Limpou os lábios com o guardanapo e olhou para o avô.

— Acho que não é hora disso.

— E quando seria? — Nicolau retrucou.

— Ela está aqui por mim. Veio pela nossa família. O resto da vida é dela, não nosso.

Nicolau bufou, mas aceitou. Fez sinal para o mordomo recolher os pratos.

— Além do mais, não foi ela quem mentiu para você. — Ian acrescenta, olhando diretamente para Benjamin, deixando claro o foco da conversa o tempo todo.

Clara abriu a boca, fingindo ofensa. Benjamin não disse mais nada. Apenas encarou o lugar por onde Olivia saiu, como se ela tivesse ganhado um ponto inesperado.

Ian foi atrás de Olivia. A encontrou quando estava prestes a encontrar a porta da saída, foi quando ele a puxou e a levou para o seu escritório no corredor ao lado.

Ela sabia que ele viria. Não porque ela estava indo embora. Mas por que ele queria aquela maldita resposta.

Ian fechou a porta com mais força do que o necessário. O som ecoou como um alerta. O silêncio entre eles era espesso.

Olivia sentiu a espinha se arrepiar quando ele se virou, olhos fixos nela, não com raiva, mas com algo pior: desconfiança.

— Você quer me explicar o que foi aquilo? — a voz dele estava baixa, mas tensa.

Olivia virou o rosto, mas não o encarou.

— O quê? Eu não consegui manter minha fantasia perfeita? Não tenho que explicar nada pra você.

— Não tem? A gente tem um acordo. Eu banquei o hospital. Tirei seu filho da fila de espera de uma UTI. E você me esconde isso?

Ela virou o corpo, agora olhando direto nos olhos dele. O dela ardia.

— Eu não te escondi nada que fosse relevante ao nosso trato. Leo é meu filho. E minha vida antes disso não tem nada a ver com você.

— Não tem a ver comigo? — Ian deu um riso seco. — Benjamin é seu ex? Você conhecia a Clara antes de tudo isso? Quem é o pai do Leo, Olivia?

Eram tantas perguntas que Olivia sentia sua cabeça ficar zonza...

Ela fechou os olhos diante daquela última pergunta: Quem é o pai do Leo?

Aquela noite... A noite que viverá para sempre dentro dela, a noite que ela jamais poderia esquecer. Ou mencionar.

— Benjamin era meu ex. — disse, em um sopro e essa foi a única pergunta que ela respondeu.

Ela deu um passo para trás, com medo e raiva em doses iguais.

— Descubra. Mas saiba de uma coisa: ninguém tem o direito de arrancar meu passado de mim como se fosse lixo. E se você usar o Leo contra mim de novo, Ian, eu acabo com esse acordo.

— Se esconder o pai do seu filho é parte do seu jogo... parabéns, Olivia. Você j**a melhor do que eu imaginava.

Ela não respondeu. E pela primeira vez, duvidou se conseguiria manter essa mentira em pé por muito mais tempo.

Ele a olhou por uma última vez. Por um segundo, não disse nada. Depois apenas virou o rosto e saiu do corredor. Ela esperou a porta se fechar para finalmente respirar.

Sozinha, Olivia encostou na parede. Sentia os batimentos no maxilar. Seu coração idiota, sempre se despedaçando.

Leo. Sempre por ele. Sempre por ele. Pensava, enquanto lutava para suas lágrimas não escorrerem ali.

Mas quantas verdades a mais ela ainda conseguiria esconder antes de tudo desmoronar?

Vi o seu reflexo no espelho na parede em frente, cansada, desfeita, mas ainda de pé. Ela ajeitou os cabelos, endireitou os ombros e em seguida, girou a maçaneta com a ponta dos dedos.

Já era hora de sair. De seguir em frente.

Mas assim que cruzou a porta, parou.

Nicolau estava ali. Imóvel no corredor.

Parabéns pelo timing, não podia piorar!

Os seus braços cruzados, a expressão ilegível. Nenhum sorriso. Nenhuma raiva. Só algo pior: cálculo.

— No meu escritório. Agora — ele disse, com a voz baixa, firme, como quem não deixava espaço para réplica.

E então se virou, sem esperar resposta.

Olívia ficou parada por um segundo. O coração acelerando de novo. Dessa vez... por um motivo completamente diferente.

Ele havia descoberto tudo?

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