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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 15

Nicolau entrou no escritório sem dizer uma palavra. Olivia o seguiu, estava seguindo em frente para onde só Deus sabe.

A porta se fechou com um estalo seco atrás dela. Ela ficou de pé. Nicolau também. Nenhum dos dois se moveu.

O escritório era grande, arejado e meticulosamente organizado. Estantes com livros impecáveis, troféus discretos de uma vida bem-sucedida. Um cofre no canto. Um relógio antigo que fazia mais barulho do que devia.

Mas o que mais pesava era o silêncio. O tipo de silêncio que afoga.

Nicolau não ofereceu cadeira. Não perguntou se ela queria água, ou café. Foi até o bar ao lado da estante, serviu whisky só para si, girou o líquido no copo e voltou a observá-la. Como se estivesse avaliando uma peça de arte... ou um réu no tribunal.

— Palavras não resolvem muitas coisas, mas precisamos conversar. Sente-se, se quiser. — disse, por fim, sem realmente dar a opção.

Ela não se sentou. Ficou ali, em pé em sua dor.

— Você não parece surpresa com o convite. — ele continuou, a voz baixa, polida. Como aço limado.

— Convites, normalmente, vêm com gentileza. Isso aqui parece mais uma intimação. — Foi sincera.

Os olhos dele se apertaram num traço de algo próximo à diversão. Ou respeito. Era impossível dizer.

Olivia olhou para o marcador do ar-condicionado, estava baixo. Deveria estar frio. Mas ela sentia como se ali estivesse uns 100 graus, suando.

— Você sabe, Olivia... A nossa família tem um código. Não é escrito, nem falado em jantares. Mas existe. — Ele girava o copo na mão. — É sobre lealdade. Sobre entender a importância do nome que se carrega. Ou se desafia.

Ela não respondeu. Ele se aproximou da escrivaninha e apoiou o copo com força controlada sobre o tampo.

— Sabe o que mais me decepciona nas pessoas, Olivia? Não são as mentiras. É quando tentam vesti-las de virtude.

A frase flutuou no ar como uma armadilha. Olivia se manteve em pé, firme, tentando controlar o desconforto na barriga. Não responderia primeiro. Sabia que Nicolau queria medir a resposta dela, a firmeza. O medo.

— A lealdade é uma moeda rara. Mas quando existe... é inegociável. O legado de uma família é construído em cima disso. Lealdade. Verdade. E a capacidade de olhar um homem nos olhos e dizer tudo que precisa ser dito.

Ele se virou, finalmente, olhando direto para ela.

— Há muita gente que quer entrar para esta família. Gente disfarçada. Gente com sorrisos, com intenções. Por isso, eu mando investigar. Quando desconfio, eu confirmo. Quando vejo uma rachadura, eu cavoco.

Ele fez uma pausa. Longa o suficiente para testá-la. Longa o suficiente para o coração de Olivia acelerar consideravelmente. Ela sabia exatamente onde isso tudo levaria, mas ficou ali, vendo Nicolau dar voltas e voltas.

— Fiz isso com Clara. Descobri algumas coisas. Nada relevantes demais. Mas... encontrei... Algo interessante.

Ele fez mais uma pausa, bebendo um gole do whisky. Olhos cravados nela. Olívia sentiu o estômago virar. Mas não piscou.

— Uma mulher do passado de Benjamin. Uma mulher que desapareceu. Que sumiu da cidade pouco tempo depois da traição dele. Que nunca processou, nem denunciou, nem pediu nada.

Olivia não respondeu. Apenas sustentou o olhar. Mas Nicolau viu o microsegundo em que ela travou a respiração.

— Me perguntei se essa mulher teria noção de onde se meteu... ou se foi pega no meio de um jogo maior.

Ela levantou o queixo, respirou fundo, mesmo que sentisse que estava com falta de ar. Estava prestes a falar, quando Nicolau fizera questão de reivindicar.

— Então me diga, Olivia. O que você era dele?

Ela respirou devagar, tentando manter a postura. Finalmente, falou:

— Eu fui casada com Benjamin, seu bisneto. Anos atrás. — Sua voz estava firme, mas o coração parecia rangir. — Mas não sabia disso na época. Nunca ouvi falar da família Moretti. Quando conheci Ian, já fazia anos que eu havia deixado o passado para trás.

Nicolau ficou em silêncio por um segundo, a revelação caindo como uma peça em um tabuleiro. Ele se mexeu levemente, como quem esperava ouvir isso... mas queria ver como ela diria.

— Um casamento ruim, então. — Nicolau incita.

— Foi um casamento difícil. — Olivia confirmou. — Tóxico. Acabou muito mal. E eu... eu tive muitos motivos pra guardar ressentimentos. Você viu alguns deles, no almoço.

Silêncio. Só o som do gelo se derretendo no copo.

Nicolau assentiu uma vez, com a cabeça.

— Clara teve algo a ver com isso?

Olivia hesitou. Pensou em mentir. Mas algo naquele homem fazia parecer inútil. Era como se ele já soubesse de tudo e só tivesse a testando.

— Sim. Ela foi o estopim; ela era minha amiga. Até o dia em que se deitou com meu marido.

A sinceridade seca, sem floreios, mexeu com Nicolau. Ele não demonstrou, mas sentiu.

— Mas esse não foi o único problema. Benjamin já era uma bomba antes dela. — Olivia completou, relembrando das noites que suas lágrimas não importaram para ele.

Nicolau assentiu, como se tudo só estivesse se encaixando.

Ele também perdeu alguém? Quis perguntar quem ele havia perdido. Um filho? Seria o pai de Ian? Ou aquele que seria o pai de Benjamin? Eram tantas perguntas.

Mesmo assim, ela não perguntou. Mas as perguntas ainda a invadiam por dentro:

Quem Nicolau Moretti perdeu?

Onde estava o pai de Ian?

Onde estava o irmão dele, pai de Benjamin?

Nicolau, enfim, deu um passo. E pela primeira vez, a voz dele ficou levemente... humana.

— Obrigado por não me tomar por idiota. Irei mantê-la aqui. Mas não por pena. Por respeito. Porque mentiroso não fazem isso que você fez hoje. Só quem sofreu assim consegue segurar a dor nos olhos. Você vai precisar ser forte.

Olívia não sorriu. Apenas assentiu. O seu coração estava aos gritos. Mas o rosto calmo. Havia conseguido sobreviver a tormenta que era Nicolau Moretti.

E agora, ela estava dentro. Do núcleo. Do jogo. Da linha de fogo.

Olívia já estava prestes a virar pelo corredor e ir embora, quando da porta do escritório Nicolau a chamou novamente. Ele não ergueu a voz. Mas cada sílaba veio cravada em aço:

— Ah, mais uma coisa, Olivia.

Ela parou. Virou o rosto devagar, tentando manter a postura.

Ele continuou, com a calma de quem nunca pergunta, apenas afirma em forma de pergunta:

— Quando pretende se mudar para a mansão?

Olívia congelou. Ela pensava que depois daquela maldita festa, tudo acabasse, que sairia invisivel, como se não fosse real. Mas agora, estava bem no olho do furacão.

Como poderia viver naquela mansão? De repente, os corredores pareceram mais estreitos. Mais vigiado. Como poderia fingir e aguentar Ian 24 horas por dia?

Olivia estava prestes a negar aquela convocação, quando a voz de Ian lendo as clausulas do contrato, gritou em sua mente:

Residência conjunta obrigatória.

Oh, droga!

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