O som da televisão parecia vir de muito longe, abafado, como se o ar ao redor tivesse se tornado denso demais para conduzir o som.
Mas Olívia via tudo.
As chamas lambendo o céu noturno. O reflexo do fogo nas poças de óleo. O nome “Moretti” ecoando em letras vermelhas no rodapé da tela.
E Ian; caminhando direto para o inferno.
O controle remoto caiu de sua mão.
— Desliga isso — Helena sussurrou, avançando.
Carla já se movia também, desligando a TV num gesto brusco. Mas era tarde demais.
Aquelas imagens já estavam gravadas na retina de Olívia, queimando mais fundo que qualquer cicatriz.
— Ele foi atrás dele. — A voz dela saiu baixa, mas havia uma convicção gélida nela. — Ian foi atrás do irmão.
Carla se aproximou rapidamente.
— Olívia, não. Você precisa descansar. Está mal, tem pontos, febre...
— Eu não vou ficar deitada enquanto ele se destrói — interrompeu Olívia, já tentando afastar o lençol.
Helena correu até ela, tentando impedi-la.
— Pelo amor de Deus, você quase morreu! E Ian é um homem feito, sabe o que está fazendo!
— Ele sabe matar, não se salvar! — gritou Olívia, a voz quebrando pela primeira vez desde o sequestro.
O quarto mergulhou em silêncio por um segundo.
Léo, assustado, olhou de um rosto para outro. Helena imediatamente o abraçou, conduzindo-o para o sofá.
— Shhh, amor... vai ficar tudo bem — murmurou, mas nem ela acreditava nisso.
Olívia respirou fundo, segurando o curativo no braço, a marca ainda ardia sob o tecido.
Ela olhou para Carla, o olhar firme, determinado.
— Ele foi atrás de mim. Mesmo quando todo mundo dizia que era impossível. — A voz dela tremia, mas o tom era de aço. — Agora é a minha vez.
Carla deu um passo à frente, quase em súplica.
— E se ele estiver lá pra matar? E se for tarde demais, Olívia?
— Então eu morro tentando impedi-lo. — Ela endireitou o corpo, cada palavra cortando o ar como uma lâmina. — Mas não vou deixá-lo lutar sozinho.
Helena a observava, dividida entre o medo e o respeito silencioso que só uma mulher decidida desperta.
Carla olhou para ela.
— Você tem certeza disso?
Olívia assentiu lentamente.
— Tenho. Porque se ele morrer lá dentro... — ela engoliu seco — ...parte de mim morre com ele.
Carla destravou o carro, e as duas entraram.
Enquanto o motor rugia e as luzes da cidade começavam a correr pela janela, Olívia fechou os olhos por um instante.
Podia ouvir o som das ondas batendo nas rochas, o mesmo som do lugar onde tudo começou.
Só que agora não havia medo.
Apenas um propósito feroz.
E, pela primeira vez, o fogo que ardia dentro dela não era destruição; era amor em sua forma mais perigosa.
Ian a salvara das águas.
Agora era a vez dela atravessar as chamas por ele.

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