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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 159

O som da televisão parecia vir de muito longe, abafado, como se o ar ao redor tivesse se tornado denso demais para conduzir o som.

Mas Olívia via tudo.

As chamas lambendo o céu noturno. O reflexo do fogo nas poças de óleo. O nome “Moretti” ecoando em letras vermelhas no rodapé da tela.

E Ian; caminhando direto para o inferno.

O controle remoto caiu de sua mão.

— Desliga isso — Helena sussurrou, avançando.

Carla já se movia também, desligando a TV num gesto brusco. Mas era tarde demais.

Aquelas imagens já estavam gravadas na retina de Olívia, queimando mais fundo que qualquer cicatriz.

— Ele foi atrás dele. — A voz dela saiu baixa, mas havia uma convicção gélida nela. — Ian foi atrás do irmão.

Carla se aproximou rapidamente.

— Olívia, não. Você precisa descansar. Está mal, tem pontos, febre...

— Eu não vou ficar deitada enquanto ele se destrói — interrompeu Olívia, já tentando afastar o lençol.

Helena correu até ela, tentando impedi-la.

— Pelo amor de Deus, você quase morreu! E Ian é um homem feito, sabe o que está fazendo!

— Ele sabe matar, não se salvar! — gritou Olívia, a voz quebrando pela primeira vez desde o sequestro.

O quarto mergulhou em silêncio por um segundo.

Léo, assustado, olhou de um rosto para outro. Helena imediatamente o abraçou, conduzindo-o para o sofá.

— Shhh, amor... vai ficar tudo bem — murmurou, mas nem ela acreditava nisso.

Olívia respirou fundo, segurando o curativo no braço, a marca ainda ardia sob o tecido.

Ela olhou para Carla, o olhar firme, determinado.

— Ele foi atrás de mim. Mesmo quando todo mundo dizia que era impossível. — A voz dela tremia, mas o tom era de aço. — Agora é a minha vez.

Carla deu um passo à frente, quase em súplica.

— E se ele estiver lá pra matar? E se for tarde demais, Olívia?

— Então eu morro tentando impedi-lo. — Ela endireitou o corpo, cada palavra cortando o ar como uma lâmina. — Mas não vou deixá-lo lutar sozinho.

Helena a observava, dividida entre o medo e o respeito silencioso que só uma mulher decidida desperta.

Carla olhou para ela.

— Você tem certeza disso?

Olívia assentiu lentamente.

— Tenho. Porque se ele morrer lá dentro... — ela engoliu seco — ...parte de mim morre com ele.

Carla destravou o carro, e as duas entraram.

Enquanto o motor rugia e as luzes da cidade começavam a correr pela janela, Olívia fechou os olhos por um instante.

Podia ouvir o som das ondas batendo nas rochas, o mesmo som do lugar onde tudo começou.

Só que agora não havia medo.

Apenas um propósito feroz.

E, pela primeira vez, o fogo que ardia dentro dela não era destruição; era amor em sua forma mais perigosa.

Ian a salvara das águas.

Agora era a vez dela atravessar as chamas por ele.

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