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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 161

A fumaça queimava os pulmões.

O vento trazia cinzas e gritos.

Mas nada; nada faria Olívia parar.

— Senhora, não pode passar! — gritou um bombeiro, segurando-a pelos ombros.

Ela se desvencilhou com uma força que não sabia possuir. O hospital ainda estava em sua pele: o avental branco, os pés descalços, o curativo no braço queimado. Mas seus olhos, os olhos de uma mulher que já conheceu o inferno, ardiam mais do que qualquer labareda.

— Ele está lá dentro! — ela gritou, empurrando o bombeiro. — Meu marido está lá!

Carla vinha logo atrás, tossindo pela fumaça, os cabelos desgrenhados.

— Olívia, pelo amor de Deus! — ela tentou alcançá-la. — Você vai morrer aí dentro!

Mas Olívia não ouviu.

O ruído do fogo, o som distante de metal cedendo; tudo se misturava a uma única voz em sua mente: Ian.

O caos ao redor era quase irreal.

Mangueiras jorravam jatos de água que viravam vapor antes de tocar o chão.

O cheiro de gasolina e ferro derretido se misturava ao sal do mar.

Bombeiros gritavam ordens sobre explosivos, e a manhã pulsava vermelha.

Matheus surgiu, sujo de fuligem, o rosto tenso.

— Carla, volta pro carro agora! — ele agarrou o braço dela com firmeza. — Não entra, ouviu?

— Mas ela vai se matar! — Carla protestou, os olhos marejados.

— Então me deixa trazê-la de volta! — Matheus respondeu, correndo em direção às docas.

Olívia avançava entre vigas queimadas e fumaça densa.

A cada passo, sentia o chão tremer, mas não parava.

Até que o viu.

Ian estava de pé, ensanguentado, em meio ao fogo, um vulto de sombra e luz, o terno rasgado, o rosto marcado.

E logo à frente dele, o irmão, mais pálido agora, o olhar vazio e um sorriso arruinado no rosto.

— Você devia me agradecer — o homem disse, a voz distorcida pelo calor. — O fogo purifica. E agora ele vai mostrar quem você realmente é, Ian.

Ian cambaleou, as chamas refletindo em seus olhos.

— Acabou — ele disse, baixo. — Tudo acaba agora.

O irmão deu um passo para trás, o fogo o engolindo parcialmente.

— Acabou? — riu. — Nada acaba enquanto a verdade estiver enterrada com ele.

Ele apontou para o chão sob os pés de Ian, onde contêineres com o brasão dos Moretti ardiam. — O que eu sei sobre Nicolau... sobre você... pode fazer o mundo ruir. E só um de nós tem coragem de reconstruí-lo.

Ian tentou avançar, mas uma viga acima estalou e despencou.

O impacto o lançou ao chão com um estrondo.

O som foi tão forte que o ar pareceu ser sugado do ambiente.

— Ian! — Olívia gritou, disparando em sua direção.

O irmão olhou para ela, por um instante, algo quase humano atravessou seus olhos.

Depois, ele deu um passo para trás e desapareceu entre a fumaça, engolido pelo incêndio.

Olívia caiu de joelhos ao lado de Ian, empurrando pedaços de metal e madeira com as mãos nuas.

O calor era insuportável, mas ela não sentia dor, só o pavor gelado de perdê-lo.

— Não... não agora! — ela soluçava, puxando-o para o colo. — Você não pode me deixar!

Olívia se recusava a soltar Ian.

— Cuidado com ele! Ele tá ferido!

Ian tentou falar algo, mas o sangue nos lábios o impediu.

Ele apenas olhou para ela, e, por um breve instante, sorriu.

Um sorriso fraco, mas real.

Quando o puxaram para fora, o fogo consumia o teto atrás deles.

As labaredas se erguiam como muralhas, e o som metálico da estrutura cedendo ecoava pelo ar.

Carla, do lado de fora, chorava, coberta de cinzas, ao ver Olívia sair arrastando o corpo dele ao lado dos bombeiros.

O mar rugia, e o fogo refletia nas ondas.

Matheus olhou para o horizonte e soube, com a frieza instintiva de quem conhece o destino:

aquilo ainda não tinha terminado.

Olívia mantinha a mão de Ian entre as suas, mesmo quando o colocaram na maca.

Mesmo quando os médicos tentaram afastá-la.

Mesmo quando ele desmaiou.

Ela encostou o rosto no peito dele, o som do coração dele abafado entre sirenes e chamas.

— Você me escuta, Ian? — murmurou, a voz partida. — Se você morrer, eu juro que vou te odiar pra sempre.

E então, por um segundo, ela sentiu, o movimento fraco da mão dele apertando a dela.

Uma promessa silenciosa.

Um lembrete de que, mesmo cercados pelo fogo, o amor deles ainda respirava.

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