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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 162

O hospital nunca fora tão silencioso.

Nem mesmo durante as madrugadas frias, quando os corredores pareciam túneis de luz branca e ar reciclado.

Agora, o silêncio era diferente.

Era o tipo que nasce depois de uma explosão, o eco do que quase foi destruído.

Olívia estava sentada ao lado da cama, o corpo imóvel, os dedos entrelaçados aos de Ian.

A pele dele estava fria sob a dela, mas viva.

Viva.

Essa palavra soava como milagre e maldição ao mesmo tempo.

O cheiro de queimado ainda impregnava suas roupas.

O cabelo dela estava endurecido pelo sal e pela fuligem.

Mas nada disso importava, não enquanto o monitor cardíaco à sua frente continuasse a piscar em intervalos regulares.

Um bipe.

Outro.

Mais um.

— Você é teimoso demais pra morrer, Moretti — ela sussurrou, com um sorriso cansado, a voz rouca de tanto chorar. — Mesmo quando o mundo desaba em volta de você, você... simplesmente não cai.

As lembranças vinham em flashes desordenados: o fogo, o rosto dele coberto de sangue, o impacto do desabamento.

E a última coisa que ouvira antes de perder o fôlego:

"Você devia ter ficado longe."

Carla entrou em silêncio, trazendo uma xícara de café e uma expressão exausta.

— Ele continua estável. — a amiga disse baixinho. — O médico acha que o trauma craniano não foi grave. Só precisa descansar.

Olívia assentiu, sem tirar os olhos dele.

— Ele vai acordar. — Sua voz era firme, quase um voto. — Ele tem que acordar.

Carla pousou a xícara ao lado e suspirou.

— Você sabe que poderia ter morrido junto, não sabe? — Ela se sentou na poltrona em frente, cruzando os braços. — Isso foi loucura, Olívia.

— Eu já morri uma vez, Carla. — Olívia respondeu sem hesitar. — Na noite em que me tiraram de casa, quando achei que nunca mais veria meu filho. Tudo depois daquilo é só sobrevivência.

As duas ficaram em silêncio por um instante, o som do monitor marcando o tempo.

Até que Carla quebrou o momento, olhando pela janela do quarto.

— A polícia ainda não encontrou o outro.

— Ele vai aparecer. — Olívia murmurou, o olhar ainda fixo em Ian. — Gente como ele sempre aparece. Quando acha que você baixou a guarda.

Carla hesitou, então se aproximou um pouco mais.

— Eu não sei o que te dizer. Tudo o que aconteceu... esse casamento, o sequestro, o incêndio... você e Ian...

— Não tenta entender. — Olívia interrompeu suavemente. — Eu também não entendo. Só sei que... ele me tirou de lá.

— E você o tirou do fogo. — Carla completou. — Parece justo.

Um som metálico ecoou do corredor.

Helena entrou apressada, o rosto pálido.

— Olívia... — ela começou, sem fôlego. — O Sr. Nicolau...

Olívia se virou imediatamente.

— E se ele acordar e não te encontrar aqui?

Olívia olhou para Ian mais uma vez.

— Então ele vai saber exatamente onde eu fui.

Enquanto isso, nos corredores mais escuros do hospital, um guarda noturno terminava de revisar as câmeras de segurança danificadas pelo apagão da noite anterior.

Uma gravação piscava na tela.

Horário: 03h47.

Local: docas em chamas.

A imagem era tremida, coberta de fumaça.

Mas, por um segundo, uma silhueta caminhando entre os destroços foi visível.

Alta.

De casaco escuro.

Com algo nas mãos, o selo dourado do brasão Moretti, brilhando na penumbra.

O homem não tinha pressa.

Nem medo.

Somente propósito.

E enquanto o vídeo rodava, a tela piscou, e a imagem sumiu, substituída por interferência.

Mas não sem antes, ele olhar diretamente para câmera e fazer um sinal de relógio...

Tic-tac.

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