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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 164

A chuva caía fina, quase imperceptível, mas constante.

Clara apertou o casaco contra o corpo enquanto atravessava o galpão abandonado nas docas, o mesmo que o incêndio havia quase consumido horas antes. O ar ainda cheirava a fumaça e metal queimado. Havia um eco de passos, o estalar distante de madeira úmida cedendo sob o peso do tempo.

Ela hesitou antes de cruzar a linha de luz fraca projetada por uma das poucas lâmpadas que ainda funcionavam.

O som de passos lentos ecoou do fundo, e a voz dele cortou o silêncio com a mesma suavidade letal de uma lâmina polida.

— Veio sozinha. — Alexander emergiu da sombra, vestindo uma camisa escura, as mangas dobradas, o rosto parcialmente iluminado pelo reflexo pálido das chamas distantes. — Que imprudente. Ou... corajosa?

— Você me mandou vir. — Clara respondeu, tentando soar firme, mas sua voz falhou por um instante. — Depois de tudo que fez, não me deixe esperar. O que está tramando agora, Alexander?

Ele a observou em silêncio, os olhos frios, avaliando-a como quem estuda uma peça de um tabuleiro.

Quando se aproximou, o cheiro de fumaça e couro o antecedeu.

— Tramar é uma palavra feia, Clara. Eu prefiro... reconstruir.

Ela riu, sem humor.

— Reconstruir? Você destruiu tudo. O casamento, a empresa, a confiança de Ian... quase matou Olívia. Isso não é reconstrução, é loucura. Não era o nosso plano.

Alexander sorriu, inclinando levemente a cabeça.

— Loucura é uma palavra que os fracos usam para definir o que não compreendem. — Ele deu um passo mais perto, a voz baixa, perigosa. — E você... ainda não compreendeu nada. Não é "nosso" plano. Nada disso diz respeito a você.

Clara deu um passo para trás, mas sua curiosidade a mantinha presa.

— Então me explica. — disse, cruzando os braços. — O que é esse maldito pergaminho que todos parecem temer tanto?

Ele parou a um metro dela, tirando do bolso interno do casaco um pequeno cilindro de couro escurecido pelo tempo.

O selo dourado, quebrado, exibia o brasão dos Moretti, o leão e a águia. Mas Alexander achava muito mais bonito quando aquele símbolo estava invertido, assim como as marcas deixadas na pele de Olívia.

— Isso — disse ele, girando o pergaminho entre os dedos — é o testamento original. A última vontade de Nicolau Moretti. Aquela que ele enterrou por covardia. E que muda tudo.

Clara engoliu em seco.

— O que diz aí?

Alexander a observou por um momento, o sorriso crescendo como o de alguém que saboreia a expectativa antes do golpe.

— Que o império Moretti não passaria ao filho legítimo, mas ao primeiro neto que gerasse um herdeiro.

— Isso... todo mundo sabe — retrucou Clara, impaciente. — É por isso achávamos que Ian sempre foi o escolhido. Apesar de não ter filho.

Alexander inclinou o corpo para mais perto, os olhos queimando na penumbra.

— Não exatamente. — Ele abriu o pergaminho devagar, o som do papel antigo soando quase como um sussurro blasfemo. — Nicolau alterou o documento meses atrás. O herdeiro de tudo seria o filho do primeiro neto que nascesse dentro ou fora de um casamento

Clara franziu o cenho.

— Fora do casamento...?

Alexander assentiu.

— E esse filho... nasceu há cinco anos. — fez uma pausa. — Chamado Léo.

As palavras o cortaram o ar como uma lâmina. Clara arregalou os olhos, o corpo rígido.

— O filho de Olívia...? — ela murmurou, quase sem voz. — Mas... o pai é...

Alexander completou com crueldade deliberada:

— Você está falando de... — ela mal conseguia pronunciar. — De matar uma criança?

O olhar de Alexander se estreitou, a expressão serena.

— Eu estou falando de corrigir um erro. De garantir que essa linhagem morra comigo.

Clara sentiu o corpo inteiro tremer, uma mistura de medo e fascínio.

Ela recuou um passo, a mente rodando.

— E eu? — perguntou, a voz trêmula. — Qual o meu papel nisso tudo, então?

Alexander se aproximou, os olhos cravados nela como garras.

— Você vai escolher. — disse, calmo. — Pode continuar sendo a amante obediente do seu namorado traidor, ou pode se unir a mim e ajudar a enterrar essa dinastia maldita.

Ela ficou sem ar.

— Ajudar como?

Ele sorriu, um sorriso que não tinha calor.

— Como quiser. Espiã, cúmplice, testemunha... ou apenas mais uma peça descartável.

Clara o olhou, assustada, mas a ganância já queimava nos olhos dela, se misturando à repulsa e ao desejo.

— E se eu disser sim... o que eu ganho?

Alexander inclinou-se, o hálito quente e ameaçador roçando o rosto dela.

— Um lugar do meu lado quando tudo cair. — disse, baixo. — Ou um túmulo honesto, se preferir. Qual sua escolha, Clara?

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