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Nosso Filho, Meu Segredo: O Contrato Proibido romance Capítulo 165

Quando Olívia retornou, o corredor do hospital estava silencioso demais.

O tipo de silêncio que não nasce da paz, mas do esgotamento. O tipo que segue as tempestades.

Olívia caminhava devagar, o som dos próprios passos ecoando no piso encerado. O encontro com Nicolau ainda fervia em sua mente, as palavras dele, o peso do que fora dito, e o nome que agora pulsava como uma sentença inevitável.

“O herdeiro de tudo será o primeiro filho do primeiro neto.”

Léo.

Seu filho.

Ela parou diante da janela, o vidro frio contra a testa. Lá fora, o céu começava a clarear em tons de cinza e ouro, e ela pensou em como o amanhecer parecia uma ironia cruel; a luz surgindo quando tudo dentro dela escurecia.

Helena estava no saguão pediátrico com Léo no colo. O menino dormia, a cabeça apoiada no ombro da enfermeira. Havia tranquilidade em seu pequeno rosto, e isso a destruiu por dentro.

“Ele não sabe de nada”, pensou, com um nó na garganta. “Não sabe que é o centro de uma guerra que começou antes mesmo de nascer.”

A herança, o poder, os Moretti; nada daquilo significava nada para ela. Só queria seu filho a salvo. Queria que ele crescesse longe daquilo.

Mas então veio a pergunta inevitável: e Ian?

Deveria contar a verdade?

Deveria revelar que Léo... era seu filho?

Que todo aquele tempo ela o deixara acreditar que a criança era fruto de outro amor, de uma vida antes dele?

O medo não era de perder o controle; era de perder Ian.

Ele sempre a olhara como uma mulher que enfrentava o mundo de pé, e agora... ele veria a mentira que sustentara cada passo.

O coração apertou.

Ela virou-se e seguiu o corredor até o quarto de Ian.

As luzes ali eram mais brandas, filtradas pelas persianas. O cheiro era o mesmo de sempre; álcool, remédios e o leve toque de fumaça que ainda parecia grudado na pele dele.

Ian estava acordado.

Duas enfermeiras ajustavam os tubos e monitores ao redor da cama, falando baixo. E entre elas, uma figura familiar; Carolina.

O coração de Olívia afundou.

Carolina Bittencourt, a ex incoveniente que agora parecia se denominar a médica da família. Estava ali de jaleco, o cabelo loiro impecável, a postura profissional. Mas o olhar... havia ternura demais naquele olhar. E quando ela tocou o braço de Ian para checar a pulsação, os dedos demoraram um segundo a mais do que o necessário.

Olívia parou na porta.

Por um instante, a mulher fria e racional que ela sempre fora desapareceu, substituída por algo mais primitivo. Ciúme. Puro, incômodo, incontestável.

Carolina notou sua presença e sorriu, falsa como um bisturi brilhando sob luz cirúrgica.

— Ah, Olívia. — disse, com voz melosa. — Ele acordou há pouco. Tive que garantir que estivesse... confortável.

A frase pairou no ar, carregada de subtexto.

Ian desviou o olhar dela e encontrou o de Olívia.

— Já estou bem o suficiente, Carolina. — disse, firme. — Pode ir.

Ela arqueou uma sobrancelha, claramente contrariada.

— Ian, ainda precisamos monitorar o nível de oxigênio e...

— Eu disse que pode ir. — repetiu, desta vez mais baixo, com aquela autoridade glacial que nem o sangue o bastante enfraquecido era capaz de apagar.

O silêncio ficou pesado. Carolina mordeu o lábio, ajeitou o jaleco e saiu, passando por Olívia com um leve roçar de ombros.

— Ele ainda precisa de descanso — disse em tom frio. — Não de mais drama.

Olívia manteve-se firme, mas o olhar que lançou de volta era cortante.

— Obrigada, doutora. — respondeu, com uma polidez que soou como veneno.

Quando a porta se fechou atrás dela, o quarto mergulhou num silêncio incômodo.

O único som era o bip compassado do monitor cardíaco e a respiração de Ian; lenta, mas tensa.

Olívia se aproximou da cama.

— Está se sentindo melhor? — perguntou, a voz baixa, quase hesitante.

Ele manteve os olhos nela, e por um instante ela desejou poder ler seus pensamentos.

As lágrimas vieram antes que ela pudesse contê-las.

Ela deu um passo à frente, depois outro, até estar ao lado da cama, perto o bastante para sentir o calor do corpo dele.

— Não era pra acontecer assim, Ian. — ela sussurrou. — Nada disso era pra acontecer. Eu não devia ter te conhecido. Eu não devia ter me importado tanto.

Ele ergueu a mão, devagar, e tocou o queixo dela, forçando-a a olhá-lo nos olhos.

— Mas aconteceu.

Ela fechou os olhos, sentindo o toque dele, quente, ainda trêmulo.

— E é exatamente por isso que eu tenho medo. — confessou, a voz trêmula. — Porque se eu disser sim, se eu disser o que sinto... você vai querer saber tudo. Vai querer saber sobre mim, sobre o passado, sobre...

Ela parou, o coração na garganta.

Sobre Léo.

Ian franziu o cenho, notando a súbita hesitação.

— Sobre o quê, Olívia?

Mas ela apenas recuou um passo, as lágrimas agora caindo livremente.

— Eu preciso de tempo. — disse, e a sinceridade na voz era dolorosa. — Só... tempo.

Ian a observou por longos segundos, o maxilar tenso, os olhos sombrios.

Então, sem dizer mais nada, ele soltou a respiração e encostou a cabeça no travesseiro, exausto.

— Tempo. — repetiu, em um tom quase resignado. — O único luxo que essa família nunca soube usar.

Olívia o olhou mais uma vez; o homem ferido, quebrado, mas ainda de pé, e soube que o que viesse a seguir, qualquer decisão, já não seria reversível.

Ela o amava.

Mas amá-lo significava destruí-lo com a verdade.

E no silêncio daquele quarto, sob o som constante do monitor cardíaco, o amor deles pairava; suspenso, vivo, prestes a explodir.

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